Ensino Superior em Bragança

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) é uma instituição pública de ensino superior que tem por missão a criação, transmissão e difusão do conhecimento técnico-científico e do saber de natureza profissional, através da articulação do estudo, do ensino, da investigação orientada e do desenvolvimento experimental. O IPB desenvolve a sua missão em articulação com a sociedade, incluindo a cooperação transfronteiriça, numa perspectiva de coesão territorial e de afirmação nacional e internacional, com vista ao desenvolvimento da Região, assente na inovação e na produção e transferência do conhecimento técnico-científico.

O IPB foi, este ano, a instituição de ensino superior que mais cresceu em termos de novos alunos. Face ao ano passado, entraram este ano mais 36 por cento dos alunos só nas licenciaturas. Isto pode explicar-se pela qualidade e funcionamento da instituição, sendo a única instituição politécnica listada no topo do ranking de Xangai. A instituição já tinha estado em destaque no ranking de Leiden e agora junta-se à Universidade de Lisboa e do Porto, como uma das três instituições que consegue colocar-se entre as 50 melhores do Mundo nas diferentes disciplinas.

Para além da qualidade de ensino e institucional, a cidade fundadora, Bragança, foi considerada uma das cidades com melhor qualidade de vida através de um estudo a nível Europeu, obtendo as pontuações mais elevadas nos campos da habitação, da segurança e da qualidade do meio ambiente.

Possui ainda uma das maiores e mais bonitas tradições académicas. Desde a entreajuda vivida, desde a praxe como integração dos caloiros e de convívio, bem como a cumplicidade entre “doutores” e caloiros. As mais insignificantes saídas à noite que fazem com que sejam momentos tão especiais e simbólicos, os jantares, os abraços, os sorrisos, as lágrimas à mistura e o amor que colocam em tudo que fazem!

É “I”, é “P”, é “IPB”!!!

Cultura e tradição do Nordeste Transmontano

“Em Macedo de Cavaleiros a tradição dos homens dos fatos coloridos resiste

O ritual tem origens celtas e será um dos mais antigos em Portugal. Os caretos são homens e usam fatos coloridos, com máscara vermelha, e chocalhos. Saem à rua no Carnaval, até terça-feira, em Podence, a aldeia de Macedo de Cavaleiros, em Trás-os-Montes onde esta tradição resiste.

Ligado à agricultura e à fertilidade, este ritual carnavalesco tem hoje uma continuidade que se deve às pessoas de Podence, com os mais novos e os emigrados a serem decisivos. Foi em 2004 com a criação da Casa do Careto, com associação já constituída, que a tradição renasceu. Agora o entrudo chocalheiro afirma-se “o carnaval mais genuíno de Portugal.” Os fatos e as máscaras são feitos pelos elementos da associação ao longo do ano. O fato, com franjas, é feito com linho e lã. As máscaras, em metal ou couro, são mais fáceis e são vendidas a turistas. O careto leva ainda os chocalhos à cintura, colares e um pau.”

Produção de Vinhos em Trás-os-Montes e Alto Douro

“Situada a Norte de Portugal, a Região de Trás-os-Montes revela-se por entre montes e pronunciados vales numa grande área de extensão. Esta é uma Região única com características especiais. Em toda a região o cenário muda rapidamente, entre exuberantes vales verdejantes, ou colinas antigas cobertas por uma colcha de retalhos de bosques, ou olivais verde-cinza, extensas vinhas verdes brilhantes, ou amendoeiras floridas e outras árvores de fruto.

O cultivo da vinha e a produção de vinho na Região de Trás-os-Montes temorigem secular, estando esta intrinsecamente marcada nas suas rochas, uma vez que por toda a região existem vários lagares cavados na rocha de origem Romana e Pré-Romana. A existência de vinhas velhas com castas centenárias marca também de uma forma muito peculiar a qualidade reconhecida dos vinhos desta região.

Apesar das características muito próprias, na região de Trás-os-Montes verifica-se a existência de vários microclimas, que aliados às diferenças existentes na constituição dos solos, normalmente graníticos com manchas de xisto, bem como á maior adaptabilidade de determinadas castas, permitem obter vinhos muito diferenciados. Tais diferenças permitiram definir três sub-regiões para a produção de vinhos de qualidade com direito a DO Trás-os-Montes. Os critérios tidos em conta foram essencialmente as altitudes, exposição solar, clima e a constituição dos solos, tendo sido a Denominação de Origem (DO Trás-os-Montes) reconhecida a partir de 9 de Novembro de 2006 (Portaria n.º 1204/2006).

No que se refere aos vinhos com Identificação Geográfica Transmontano, estes podem ser produzidos em toda a Região, sendo que a Indicação Geográfica Transmontano (IG Transmontano), foi reconhecida a partir de 9 de Novembro de 2006 (Portaria n.º 1203/2006).

O controlo e a defesa da Denominação de Origem e Indicação Geográfica, são da responsabilidade da entidade certificadora “Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes” esta tem por objetivo, proteger e garantir a qualidade e genuinidade dos vinhos de qualidade produzidos na região de Trás-os-Montes.

Constituída em 1997 a CVRTM, viria ajudar a impulsionar o desenvolvimento da região, e a levar mais alto, aquém e além-fronteiras, os vinhos Transmontanos.”

A tão afamada e saborosa comida transmontana!

“Há uma autenticidade na cozinha de Trás-os-Montes que nos remete de imediato para a sua paisagem e as suas gentes. Variada e colorida, a cozinha transmontana é o espelho da identidade da região.
Assente nos ingredientes que a terra proporciona ao longo do ano e nas carnes das raças naturais da região – maronesa, mirandesa e bísara – ou da caça, a mesa é farta e apela à degustação.
Para começar temos os queijos, o fumeiro e as azeitonas ou o próprio azeite. Depois, o difícil será escolher entre as suculentas carnes ou o sempre espetacular bacalhau com pão de centeio ou broa que aqui sabem como em nenhum outro lado. A acompanhar, um bom vinho do Alto Douro!
Alguns pratos tradicionais:
Posta à Mirandesa, Bacalhau com Pão de Centeio, Butelo com Cascas, o Pisperno, a Feijoada à Transmontana, o arroz de couve à transmontana, o rancho, os rojões, a Alheira de Mirandela com grelos, o Coelho à Caçador, o Javali no Pote, a Bola à Mirandês, o Borrego estufado ou o cabrito assado (entre tantos outros)…
Quanto a doces… o tradicional doce de castanhas, a pastelaria com os Pitos de Santa Luzia e as Cristas de Galo, ambos originários do convento de Santa Clara, as Ganchas, os Cavacórios que muitas vezes servem de taça para beber um pouco de Vinho do Porto, arroz doce, o leite creme, filhós à transmontana e ainda, o pudim de ovos (…) “

Paisagem e gente singular. Várias tradições. Os encantos do Rio Douro… “Um Reino Maravilhoso”!

Miguel Torga – Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)

“Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:

– Para cá do Marão, mandam os que cá estão!…
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
– Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.
A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.
Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
– Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.
Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.
Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.
Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.
O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.”