Para a maioria da comunidade dos países anglófonos, 31 de outubro é uma união entre diversão e terror. Portugal não escapa ao fenómeno do Halloween, ou Dia das Bruxas, como é conhecido por cá, tendência que tem vindo a crescer nos últimos anos.

O palhaço é uma das fantasias do Halloween. Foto: Pedro Valente Lima.

A adesão às festividades aumenta de ano para ano, mas Portugal continua a manter a sua identidade nesta véspera do Dia de Todos os Mortos. Em Montalegre, festeja-se a Noite dos Fachos: os rapazes roubam palha e vão para o cimo dos montes gritar para espantar espíritos. Em Bragança, a festa da Cabra e do Canhoto parte de uma tradição celta e mantém o costume de acender uma fogueira na noite. Muito antes do “doçura ou travessura” atravessar o Atlântico, Portugal já tinha a tradição de pedir o Pão-por-Deus. Este costume espalha-se por todo o país e tem lugar no Dia de Todos os Santos. Crianças saem à rua e batem de porta em porta a recitar versos de uma canção tradicional. Em troca, recebem comida – essencialmente pão.

As abóboras são um dos símbolos do Dia das Bruxas. Foto: Pedro Valente Lima

Mas a tradição anglo-saxónica está cada vez mais presente. Pela noite já vagueiam dezenas de mascarados e as lojas já sentem a sua influência. Mascarilha, um dos pontos de venda de fantasias no Porto, vê as vendas escalar quando chega o Dia das Bruxas. Susana Martins, funcionária na loja, diz que o estabelecimento fica “caótico”. O movimento registado fica só atrás do Carnaval. Harley Quinn, vampiro e caveiras mexicanas são os disfarces mais requisitados, salientou Susana.

As máscaras assustadoras marcam esta data especial. Foto: Pedro Valente Lima.

A loja vê as compras escalarem no Halloween. Foto: Pedro Valente Lima.

A azáfama na loja é distinta da maioria dos dias do ano. As pessoas entram e saem, agarradas em sacos de compras ou de mãos a abanar. Não foi o caso de Daniel Fernandez. Estudante de mestrado em Geotermia, em Erasmus na cidade do Porto, não costuma celebrar o Halloween. “Só algumas vezes, mas sem grande preparação”, apontou Daniel. Contudo, diz que gosta de se disfarçar, nomeadamente no Carnaval. Comprado o material de maquilhagem, o estudante espanhol estava a pensar fazer a fantasia de uma caveira.

Gisela Moura comprou um capacete para o disfarce do filho. Foto: Pedro Valente Lima.

A tradição da noite das bruxas não se fica só pelos mais jovens. Gisela Moura, enfermeira, saiu do estabelecimento com um capacete de guerra. “Vim comprar um capacete para o meu filho se mascarar de um soldado morto-vivo da II Guerra Mundial”, afirmou a mãe. Há quatro anos que costuma celebrar o Halloween, “quando os míudos começaram a ter idade”. “Lá fora” no jardim, “lá dentro” em casa, a preparar os “docinhos” ou a mascarar o filho, Gisela celebra assim o Dia das Bruxas.

Desde criança que festeja o Halloween, mas só há três anos é que começou a passar o dia com os amigos. “Fazemos lá uma festa, num café duma amiga nossa, só para nós”, disse Maísa Rocha. Com a amiga, Teresa Santos, tinham visitado o Mascarilha para comprar os últimos enfeites.

Contudo, a fantasia não morre à porta do estabelecimento. Alguns metros à frente, no centro comercial Via Catarina, alguns dos adeptos das fantasias do Dia das Bruxas refugiavam-se do mau tempo. Marta Ribeiro e Ana Bastos  são estudantes na Escola Artística de Soares dos Reis e já celebram a festividade “há muito tempo”. “Há dez anos, desde pequenas”, disse Marta. Ambas admitiram ter um “amor enorme” pelo Halloween, dia passado com “filmes de terror, doçura ou travessura” ou em saída com os amigos.

Ana e Marta mostram um “amor enorme” pelo Halloween. Foto: Pedro Valente Lima.

Em promoção a este dia especial, Vânia Amaral e Ana Guimarães passeavam fantasiadas com caveiras mexicanas, entregando guloseimas às crianças. As amigas costumam celebrar a data “quase todos os anos”, desde os “13, 14 anos”. Normalmente, mascaram-se e saem “com os amigos para o Porto”.

A Ana e a Vânia promoviam a data especial junto das crianças, distribuindo guloseimas. Foto: Pedro Valente Lima.