Quem o diz é Paulo Faustino, especialista em marketing digital e palestrante na edição de 2017 da TedxMatosinhos, que aconteceu na Porto Business School.

Paulo Faustino é cofundador da agência Get Digital. PAULO FAUSTINO

Cada vez mais importante para as empresas, hoje em dia, os dados “são, efetivamente, o novo petróleo para as marcas. Entendê-los e trabalhá-los é fundamental para entendermos padrões. E as pessoas são altamente previsíveis”, começa por esclarecer Paulo Faustino.

Associado aos dados está o nascimento de modelos preditivos que, para o professor da Pós-Graduação em Negócios Digitais do Instituto Politécnico de Leiria, é “aquilo que as marcas estão a utilizar hoje.” Ainda que estes modelos preditivos não sejam utilizados com a frequência que se espera que vão ser usados no futuro, é inegável que hoje vivamos “num grande Big Brother”.

Paulo Faustino explica que “o Facebook, por exemplo, consegue prever com apenas 18 likes se uma pessoa é gay ou não” e prever “com 48 horas de antecedência o início ou o fim de um relacionamento” ou então que “o Twitter, por exemplo, consegue prever um surto de gripe em até seis semanas, antes do surto se iniciar.”

Isto porque aquilo que gostamos, ou não, numa rede social diz muito sobre quem somos. “É só olhar para padrões. São tudo dados. É só interpretar os dados e tentar perceber o que é que, efetivamente, os dados nos dizem porque, obviamente, todos nós, de alguma forma, temos padrões”, explica.

No entanto, o também professor e coordenador científico do curso de SEO e SEM da D. Dinis Business School sublinha que marketing digital não são redes sociais. “Isso chama-se social media ou social media marketing. O marketing digital vai além disso. O que as marcas estão a fazer hoje é trabalhar o Big Data.” Por Big Data, entenda-se “dados, informação, o comportamento nas redes sociais, o comportamento no GPS do Google, o comportamento de pesquisa.”

Assim, o marketing digital “é o marketing aplicado aos canais digitais”, sendo um desses canais as redes sociais. Paulo Faustino salienta, no entanto, que o facto de as marcas saberem tudo, ou quase tudo, sobre nós não é necessariamente negativo: “nós entregamos uma mensagem totalmente personalizada a uma pessoa e essa mensagem tem muito mais impacto e é muito mais interessante do que se estivermos a disparar para toda a gente da mesma forma sem qualquer tipo de personalização.”

O palestrante frisou ainda as transformações que se tem vivido no mundo dos negócios, recordando, por exemplo, que a “Uber é a maior empresa do mundo e não tem um único táxi, o Airbnb é a maior empresa hoteleira do mundo e não tem um único hotel e o Alibaba foi considerado o retalhista mais valioso do mundo e não tem uma única peça em stock.”

O mesmo acontece com o Skype que “é a maior empresa de telecomunicações do mundo e não tem sequer infraestruturas de telecomunicações” ou o Facebook que “é a maior plataforma de conteúdos e media do mundo e não produz uma única peça de conteúdo.”

Também a “Netflix é a maior empresa de transmissão de filmes e séries e não tem uma única sala de cinema” e a Apple e a Google “são as maiores distribuidoras de software do mundo” e, pelo menos, “a grande maioria do software que distribuem não é produzido por elas.”

Por fim, a “Farfetch, que é a maior retalhista de moda do mundo e que tem sede aqui no Porto, além de ser portuguesa, não tem também uma única peça em stock”, finaliza.