Depois de um artigo do New York Times onde 5 mulheres o acusam de assédio sexual o comediante Louis CK confirmou todas as histórias. Como consequência a estreia do seu novo filme foi cancelada e foi afastado das séries que produz.

O estreia do novo filme do comediante “I Love You Daddy” foi cancelada. Adrian Sanchez-Gonzalez /AFP/Getty Images
Após anos de rumores saiu na quinta-feira um artigo do New York Times onde 5 mulheres contaram as suas histórias. O rumor sempre foi baseado na mesma acusação Louis CK levava mulheres para o seu quarto e masturbava-se à frente delas. Em outros casos ao telefone ou em reuniões num gabinete.
Segundo os testemunhos dados ao New York Times, nenhuma das mulheres que o acusam consentiu este comportamento. Dana Min Goodman e Julia Wolov, contam que Louis CK se despiu e masturbou à frente delas depois de as convidar para o seu hotel após um espetáculo.
Abby Schachner, explicou que em 2003 telefonou a Louis C.K. para o convidar para um dos seus espetáculos, e ouviu-o a masturbar-se enquanto falavam ao telefone.
Outra comediante, Rebecca Corry, afirmou que Louis C.K lhe pediu autorização para se masturbar em frente dela, e que ela recusou.
A quinta mulher, a única não identificada, disse que o comediante lhe pediu o mesmo várias vezes no final dos anos 1990, quando ambos trabalhavam para o programa “The Chris Rock Show”.
Louis CK é um dos comediantes americanos mais bem sucedidos, já esgotou Madison Square Garden 8 vezes, criou uma série vencedora de um Emmy, e tem hoje muita influência no mundo da comédia. O tipo de comédia que praticava era muitas vezes focada na hipocrisia masculina e referia várias vezes a masturbação compulsiva.
Apesar destes rumores não serem novos Louis CK sempre negou as acusações. Na sexta-feira passada, o comediante admitiu culpa num comunicado onde explica o seu arrependimento e diz compreender que deixou estas mulheres numa situação desconfortável. “Eu tinha poder sobre estas mulheres porque elas admiravam-me. E eu exerci esse poder de uma maneira irresponsável. Estou cheio de remorsos pelas minhas ações.”
Antes de admitir que as acusações são verdadeiras, a estreia do novo filme do comediante, “I Love You Daddy” foi cancelada assim como uma entrevista no programa de Stephen Colbert. A distribuidora The Orchard já fez um comunicado onde afirma que não vai avançar com a distribuição comercial do filme. O filme estreou no Festival de Toronto e trouxe consigo alguma polémica pois retrata a história de uma adolescente que é seduzida por um homem mais velho.
Para além disto a HBO cancelou a participação do comediante num espetáculo de beneficência e retirou todos os espetáculos e títulos de Louis CK dos seus serviços on demand. A Netflix cancelou a encomenda de um segundo espetáculo de stan-up.
O canal FX diz que não recebeu quaisquer queixas sobre má-conduta do comediante nos últimos oito anos. O canal terminou a associação com o comediante, que vai deixar de ser produtor executivo e não receberá dividendos das séries em que trabalha como: Baskets, Better Things, One Mississippi e The Cops.
Louis CK é mais um dos grandes nomes de Hollywood que sofreu com o efeito Weinstein. Nomes como Kevin Spacey, Ed Westwick e Dustin Hoffman também foram acusados de assédio sexual nas últimas semanas.
Leia a carta de Louis CK na íntegra:
“Estas histórias são verdadeiras. Na altura, disse a mim mesmo que o que eu fiz não era mau, porque nunca tinha mostrado o meu pénis a uma mulher sem lhe perguntar primeiro, o que também é verdade. Mas o que aprendi mais tarde na vida, demasiado tarde, é que quando temos poder sobre outra pessoa, pedir-lhe para olhar para o teu pénis não é uma pergunta. É uma decisão difícil para elas. Eu tinha poder sobre estas mulheres porque elas admiravam-me. E eu exerci esse poder de uma maneira irresponsável. Estou cheio de remorsos pelas minhas ações. E tentei aprender com elas. Agora estou consciente do impacto das minhas ações. Aprendi ontem o modo como deixei estas mulheres que me admiram a sentirem-se mal com elas próprias e cautelosas em torno de outros homens que nunca as colocariam nessa posição. Também me aproveitei do facto de que sou muito admirado dentro da nossa comunidade, o que as tornou incapazes de partilhar as suas histórias e trouxe-lhes dificuldades quando tentaram porque as pessoas que me admiram não queriam ouvi-las. Eu não pensei no que estava a fazer porque a minha posição me permitiu não pensar nisso. Não me perdoo por nada daquilo que fiz. E tenho que reconciliá-lo com quem sou. Que é nada comparado com a tarefa que deixei para elas. Gostaria de ter reagido à admiração delas sendo um bom exemplo para elas como um homem e dado alguma orientação como comediante, porque admiro o trabalho delas.
O maior arrependimento com que vou ter de viver é o que fiz para magoar outra pessoa. E dificilmente conseguirei perceber o alcance da dor que eu lhes causei. Seria negligente excluir a dor que eu trouxe para as pessoas com quem trabalho e trabalhei com as vidas profissionais e pessoais que foram afetadas por tudo isto, incluindo projetos atualmente em produção: o elenco e a equipa de Better Things, Baskets, The Cops, One Mississippi, e I Love You, Daddy. Lamento profundamente que isto tenha trazido atenção negativa ao meu agente, Dave Becky, que só tentou mediar uma situação que eu causei. Trouxe angustia e dificuldades para as pessoas na FX que deram tanto, The Orchard que deu uma oportunidade ao meu filme. E todas as outras entidades que apostaram em mim ao longo fos anos. Trouxe dor à minha família, aos meus amigos, às minhas filhas e à mãe delas.
Passei a minha longa e sortuda carreira a falar a dizer tudo o que quero. Agora vou tirar algum tempo para ouvir. Obrigado por lerem.”