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III Jornadas ObCiber: Experiências académicas

Foi no dia 4 de dezembro que as III Jornadas ObCiber ocuparam o pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (UP). Anabela Grandim, Rui Barros e Afonso Ré Lau  estiveram presentes no painel de experiências académicas.

O vigésimo aniversário do ciberjornalismo português foi celebrado com uma maratona de conferências, painéis e entrega de prémios organizada pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).

Depois de se ter assistido às conferências de Helder Bastos e João Canavilhas e se ter falado do futuro do ciberjornalismo, as jornadas retomaram o programa da tarde com o painel denominado “Experiências académicas”. Esta conversa foi protagonizada por Anabela Gradim (diretora do Urbi @ Orbi), Rui Barros (diretor do ComUM) e Afonso Ré Lau (antigo colaborador do JornalismoPortoNet – JPN) e moderada por Pedro Jerónimo.

obciber facebook

Fonte: Observatório do Ciberjornalismo (Facebook)

Depois de uma pequena introdução aos três projetos e três perspetivas diferentes em cima da mesa, a palavra foi dada a Anabela Gradim.

A professora começou por expôr um resumo da evolução do “projeto de ciberjornalismo académico mais antigo de Portugal”, o Urbi @ Orbi. O jornal digital, prestes a completar 16 anos, surgiu e mantém-se como um “laboratório de webjornalismo” e “protótipo para a investigação”, redigido pelos alunos do 3º ano de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI).

Com um estatuto editorial que defende a independência, a autonomia e a pluralidade, o objetivo máximo do projeto, segundo Anabela, é “tirar o melhor partido do meio” em que se insere, nunca esquecendo o “recurso à interatividade e multimedialidade”. No entanto, diz não prescindir de alguns princípios ligados ao jornalismo de imprensa, como é o caso da periodicidade e da existência de deadlines.

Foi com o lema “Sê ComUM, pensa diferente” projetado na tela, que Rui Barros deu início à sua intervenção. Segundo o recente diretor do projeto, o jornal digital da Universidade do Minho (UM) formou-se através das vontades conjuntas de “procurar o outro lado da notícia” e “tentar fazer aquilo que não sai” sem professores envolvidos diretamente no projeto.

Para além de ter falado da evolução do jornal, Rui partilhou parte da sua experiência pessoal. Colaborador desde o seu 1º ano na licenciatura, diz que deve a aprendizagem antecipada às aulas, a interação com alunos mais velhos e a rápida dissipação do medo de contactar fontes ao ComUM. Termina com uma mensagem de incentivo aos alunos de jornalismo, que deveriam dedicar parte do seu tempo e entusiasmo a projetos como os que são apresentados, parafraseado a citação de Marthe Troly-Curtin: “Time you enjoy wasting is not wasted time”.

A última intervenção foi feita por Afonso Ré Lau, “colaborador desde a primeira hora do JPN”. O vencedor do Prémio de Jornalismo do Fundão na categoria “Ensino Superior” falou da sua experiência como colaborador no jornal digital da licenciatura de Ciências da Comunicação da UP. “Fiz parte da geração dos 10 anos do JPN, uma geração hiperativa [na produção jornalística]”, disse. Na sua intervenção destacou também o espírito de equipa que se vivia na redação da época, em que proliferavam inúmeras propostas inovadoras e vontade de fazer mais e melhor.

Debate: o entusiasmo dos colaboradores

Depois das três exposições, deu-se espaço à intervenção do público, em que foi levantada uma questão, dirigida ao oradores de “fora da casa”, que despoletou bastante discussão: “Como atraem os vossos colaboradores?”.

Anabela começou por dar a solução proposta pelo Urbi @ Orbi: integrar a produção de conteúdos para o jornal na avaliação de algumas unidades curriculares. Depois, falou do “porquê” de há 15 anos o grau de entusiasmo dos colaboradores ser tão maior: “Hoje todos somos produtores de conteúdos”. Segundo a professora, as redes sociais vieram banalizar aquilo que há uma década era novidade e que captava a atenção dos aspirantes a jornalistas.

Já o ComUM, por ser, desde o início, independente da componente curricular da licenciatura, angaria colaboradores a partir da realização de palestras em que são divulgados os prémios que o projeto tem vindo a arrecadar. Rui afirma não existirem grandes flutuações no número de colaboradores que, a partir do momento em que se juntam, “vestem a camisola do projeto”.

Perto do final, Pedro Jerónimo também teve oportunidade de intervir. O moderador falou sobre o facto de todos estes jornais serem, infelizmente, condicionados pelo ano letivo e terminou afirmando que tanto o entusiasmo como a envolvência dos colaboradores “são essenciais para a sobrevivência dos projetos”.

Beatriz Pinto