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A doutorada mais jovem da Faculdade de Engenharia

Catarina Borges, com apenas 24 anos, é a mais jovem doutorada da Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP), depois de já ter completado, na mesma instituição, o Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica.

Segundo o site de notícias da Universidade do Porto, Catarina, natural da antiga freguesia da Vitória, realizou a sua tese em parceria com a Bosch, abordando temas associados ao projeto, tais como, a durabilidade das ligações adesivas usadas nas componentes eletrónicas produzidas pela empresa alemã.

Esta tese foi defendida, a 19 de julho deste ano, sob a vigilância e orientação de dois docentes do Departamento de Engenharia Mecânica da instituição em questão. Eduardo Marques, um dos professores, afirma que “A Catarina demonstrou uma excecional capacidade de resolução de problemas complexos e gerou conhecimento muito valioso, traduzido na elaboração de uma patente e de diversos artigos científicos”.

A jovem começa agora uma nova etapa na sua vida, com o cargo de investigadora nesse mesmo departamento em que esteve inserida, participando ainda na componente letiva de Secção de Materiais e Processos Tecnológicos.

Em entrevista a esta mesma fonte, Notícias: Universidade do Porto, a doutorada revela que uma das coisas que mais gosta na Universidade da cidade invicta é o facto de serem dadas “oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional” aos estudantes.

No entanto, acrescenta que o distanciamento físico das faculdades provoca falta de comunicação e de confronto relacionado com temas que não estejam diretamente ligados às áreas que cada uma das faculdades abrange. Posto isto, sugere que se promova uma maior interação entre os alunos das diversas faculdades, assim como, “uma formação ainda mais abrangente e rica”, que os permita frequentar diversas unidades curriculares ou extracurriculares não só na sua área, como noutras em que tenham interesse.

Para finalizar, Catarina Borges refere que ainda tem muitos sonhos por realizar e que o seu maior objetivo é ter “um impacto positivo no mundo, mesmo que muito pequeno” e não deixar de fazer o melhor que pode de acordo com aquilo em que acredita. Acrescenta, por último, que uma das suas maiores inspirações são as mulheres que sempre lutaram pela igualdade de direitos, para que um dia fosse possível: “eu poder estar na posição de responder a estas perguntas enquanto mulher doutorada.”

Email para contacto: up202108455@letras.up.pt

Beatriz Amorim

 

Tudo a postos para o V Congresso de Ciberjornalismo

O  V Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#5COBCIBER) realiza-se nos dias 24 e 25 de novembro de 2016 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Um painel de profissionais do ciberjornalismo vai debater o tema  “Ciberjornalistas 3.0”. Vão ainda ser anunciados e entregues os Prémios de Ciberjornalismo 2016.

O programa já se encontra disponível. O debate destina-se não só a académicos, mas também aqueles que trabalham diariamente para os cibermedia.

Está confirmada a presença de várias figuras nacionais e internacionais proeminentes na área do ciberjornalismo.

A nível nacional contam-se Ana Isabel Reis (FLUP),  Ana Pinto Martinho (Observatório Europeu de Jornalismo / ISCTE), Catarina Santos (Rádio Renascença), Daniel Catalão (RTP), Fernando Zamith (FLUP), Helder Bastos (FLUP) e João Pedro Pereira (Público).

A nível internacional destacam-se María Bella Palomo Torres (Universidade de Málaga), Mark Deuze (Universidade de Amesterdão), Milán Berzosa (Universidade Francisco de Vitoria) e Suzana Barbosa (Universidade Federal da Bahia).

O Congresso Internacional de Ciberjornalismo é organizado pelo Observatório de Ciberjornalismo, que de dois em dois anos procura reunir não só académicos, como também profissionais. Este ano foram recebidas 67 propostas de comunicação, provenientes sobretudo de Portugal, Brasil e Espanha.

O evento é uma oportunidade rara de ir da teoria à prática e vice-versa, por intermédio da investigação, partilha de experiências e práticas, da reflexão e do diálogo sobre o ciberjornalismo.

 

André Garcia

 

III Jornadas Obciber: O passado, o presente e o futuro do Ciberjornalismo

Em ciberjornalismo, escrever não significa apenas produzir um texto, passa antes por “explorar todos os formatos possíveis a ser utilizados numa estória de modo a permitir a exploração da característica-chave do novo medium: a convergência”.

Em ciberjornalismo, escrever não significa apenas produzir um texto, passa antes por “explorar todos os formatos possíveis a ser utilizados numa estória de modo a permitir a exploração da característica-chave do novo medium: a convergência”.

No dia 4 de Dezembro de 2015 realizaram-se as “III Jornadas ObCiber”, no Pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, cujo assunto era os “20 anos de ciberjornalismo em Portugal”.

A conferência de abertura das jornadas, dada pelo professor Hélder Bastos, da Universidade do Porto, teve início as 10h tendo terminado, sensivelmente, às 11h. O tema desta apresentação era “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e decepções”.

Após um breve prólogo, que permitiu uma contextualização do que é o ciberjornalismo (pdf), foi introduzido o que realmente interessava: o que  mudou no jornalismo com a chegada das novas tecnologias e, mais importante que isso, o que piorou nesse campo profissional.

Numa primeira abordagem optou-se por relatar as consequências positivas. Apesar destas nos parecem por demais evidentes, é sempre bom tomar consciência que nem sempre o jornalismo se processou do modo como se processa hoje: especialmente tendo em conta que a maioria do público que compunha o auditório tinha menos de 20 anos. Neste ponto destaca-se o ênfase dado ao facto de, agora, os media noticiosos terem um alcance não só global mas também instantâneo.

Mas, mais importante que as consequências positivas são, provavelmente, as negativas – daí terem tido um maior tempo de destaque dedicadas a si. Isto porque o público em geral muitas vezes não tem consciências das falhas que estão por detrás das organizações noticiosas, especialmente no que toca ao ciberjornalismo: as redações muitas vezes não têm recursos suficientes para produzir uma notícia actualizada – e com qualidade – e muito menos para fazer uma reportagem ou dar uma “cacha”.

Além disso, este é um um “modelo sem negócio”, onde predomina o “fast food noticioso” e o “populismo noticioso”. Mais do que enumerar estes gaps, e de deixar inúmeras interrogações no ar, levando assim o seu público a questionar-se, Hélder Bastos,esforçou-se por demonstrar que tudo isto gera um “efeito dominó” – ou “efeito cascata” – que chega ao ponto mais ínfimo das redações. Ao apresentar as decepções do jornalismo denotou-se uma tentativa de alertar a plateia para o facto de as falhas do ciberjornalismo afectarem não só os profissionais da área, mas, acima de tudo, o cidadão e a qualidade da informação que a ele chega.

Uma das maiores críticas tecidas pelo antigo jornalista foi à gestão das redações noticiosas que, cada vez mais, tentam arranjar receitas através do despedimento (isto porque, como ele anteriormente referiu, o ciberjornalismo não produz lucro). O ponto alto da apresentação prendeu-se com a forte metáfora feita a este método de redução de custos: para o professor, isto é como dizer a um anoréctico que a solução para o seu problema é comer menos e exercitar-se mais.

Não se limitando a apresentar uma desaprovação, o professor universitário, justificou ainda estas atitudes por parte dos investidores e gestores, deixando mais uma questão no ar: “onde ir buscar o dinheiro?”. Após reconhecer este como sendo o problema-chave transversal às duas décadas de ciberjornalismo, Hélder Bastos, deu uma solução que, apesar de pragmática e de levantar muitas dúvidas, não deixa de ser uma hipótese: fundir micro-modelos de negócios que permitam sustentar o negócio.

A apresentação teve sempre um cunho pessoal e um tom de voz informal que permitiu pequenos “à-partes” e a expressão de uma opinião pessoal. Mas, tendo consciência que mesmo assim a sua plateia ficou “assustada” perante as distopias apresentadas, o conferencista acabou a sua apresentação com duas citações que caracterizam aquele que deve ser o pensamento de todos os jornalistas e futuros-jornalistas e que, de certo modo, tranquilizou quem começava a duvidar do futuro do ciberjornalismo: “Always look on the bright side of life” e “Eu sou um pessimista a curto prazo mas sou um optimista a longo prazo”.

 

Adriana Fangueiro