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#6COBCIBER: As fake news e a desinformação

Nos dias 22 e 23 de novembro, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) recebeu o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo do ObCiber. Entre a discussão de temas relacionados às ameaças ao jornalismo online, falou-se sobre a proeminência das fake news.

“Fake News e Ciberjornalismo” inaugurou as sessões paralelas do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. A sessão, que decorreu na passada quinta feira (22) de manhã no Anfiteatro 2 da FLUP, contou com a presença de três especialistas na área do jornalismo e comunicação e a moderação da professora Ana Isabel Reis. Os convidados apresentaram investigações relativas à temática das fake news, que têm cada vez mais preponderância no cibermeio.

A primeira comunicação esteve a cargo de Carlos Toural Bran, docente e investigador no departamento de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha. Em castelhano, falou sobre os espaços de criação de notícias falsas, redes sociais e as plataformas de verificação de fake news existentes em território espanhol.

O investigador revelou quais as motivações principais para a elaboração e divulgação de notícias falaciosas, discutindo quais os seus motores políticos, económicos, sociais e ideológicos. Referiu-se, igualmente, às redes sociais, que admite serem uma forma eficaz de propagar informação errada online, devido à facilidade de uma publicação se poder tornar viral.

Carlos Toural Bran é docente e investigador na Universidade de Santiago de Compostela, Espanha. Foto: Tiago Serra Cunha

Bran expôs quais os mecanismos de proteção face às fake news adotados pelo jornalismo, sendo o fact-checking uma ferramenta crucial para a sua identificação. Com o surgimento deste mecanismo, surge um novo perfil profissional, o fact-checker.

Ilustrando o caso do seu país, o docente deu a conhecer à audiência duas das plataformas de verificação de factos espanholas (B de Bulo e MalditoBulo) e qual a sua estrutura e forma de verificação face a sites de informação falsa (como o Elmundotoday.com). Em Portugal, surge recentemente o Polígrafo, o primeiro jornal português de fact-checking.

Uma vez que tem sido verificada a facilidade de criação de fake news e conteúdos falsos, que chegam até a ser propagados por órgãos de comunicação profissionais que não verificam corretamente a fonte da informação, Carlos Toural Bran define um objetivo futuro. O investigador aconselha a uma maior sensibilização para o perigo da informação falsa, mesmo quando a sua natureza é humorística.

As Fake News e o sarampo: qual a relação

A sessão paralela do #6OBCIBER contou ainda com a presença de mais dois investigadores, que apresentaram à audiência dois estudos de caso focados na temática das fake news e a forma como estas podem ser vitais para uma determinada perceção de um tema da atualidade.

A segunda comunicação da manhã esteve a cargo de Tâmela Medeiros Grafolin, doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. A investigadora na área da comunicação e saúde apresentou um estudo sobre o processo de decisão das famílias sobre a vacinação das crianças contra o sarampo em Portugal e de que forma as notícias (falsas ou não) podem ser decisivas na perceção deste caso.

Tâmela Medeiros Grafolin, doutoranda na Universidade da Beira Interior, apresentou um estudo sobre o impacto das fake news no caso do sarampo. Foto: Tiago Serra Cunha

Dada a reconfiguração da consideração do que é notícia por parte do público, a discente brasileira realizou uma sondagem com uma amostra restrita de forma a compreender se as notícias falsas teriam impacto na decisão de vacinar ou não crianças contra o sarampo, depois do surto ocorrido no início deste ano em várias regiões do país.

Após a realização do estudo, Tâmela concluiu que a totalidade dos inquiridos confiava na eficácia das vacinas para o sarampo e, apesar de terem conteúdos falaciosos sobre o tema a circular nas suas redes sociais, verificam a autenticidade das fontes no que toca a este tipo de temas. Deste modo, as fake news não influenciaram de forma negativa este caso.

O humor e a sátira condizem com as fake news?

A última comunicação esteve a cargo de João Paulo Duque Löbe Guimarães, da Universidade de Évora. O orador apresentou uma discussão acerca do panorama atual das fake news e de que forma é que a sátira se insere neste tipo de conteúdo.

A temática das satirical fake news foi apresentada por João Paulo Duque Löbe Guimarães (Universidade de Évora/CEL/c3i). Foto: Tiago Serra Cunha

Segundo o investigador, a sátira jornalística identifica-se como notícias que apresentam conteúdo falso proposital, mas que não têm intenção de enganar os leitores, uma vez que se trata de humor. Como principal tema, aponta a política.

Este estudo focou-se na dualidade de opiniões que a existência de satirical fake news cria no público. Ao mesmo tempo que permitem questionar a lógica das práticas jornalísticas contemporâneas e encorajam o pensamento crítico e o debate, podem acabar por impedir que informação verdadeira seja divulgada no seu lugar.

No entanto, nem todos consideram a sátira um tipo de notícia falsa. Os que o consideram refletem que, embora humorística, uma “notícia” deste género não é verdadeira. Carlos Toural Bran, orador na primeira comunicação da sessão, fez destacar através de uma intervenção que este tipo de humor pode ser considerado absurdo, uma vez que não há identificação da natureza satírica do tema. As pessoas partilham estes conteúdos como informação, tendo estes um papel relevante na definição do humor satírico como fake news.

 

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Texto:
Tiago Serra Cunha
Turma 2, up201706258

Porto: ‘Ciberjornalistas 3.0’ é o tema do #5COBCIBER

A quinta edição do Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#5COBCIBER) tem como tema “Ciberjornalistas 3.0”. O evento foca a utilização de robôs na produção de notícias e vai ocorrer no Porto nos dias 24 e 25 de novembro.

A evolução do ciberjornalismo é o principal foco da conferência. “A utilização de robôs na produção de notícias, a replicação, a picagem entre meios concorrentes e os automatismos” vão ser alguns dos assuntos tratados, de acordo com o site oficial da #5COBCIBER.

O programa, organizado em parceria com o 3.º Encontro do GT Jornalismo e Sociedade da SOPCOM, foi divulgado ontem. A organização pretende estimular a reflexão e o debate “não apenas entre académicos, mas também com profissionais e estudantes”.

Para isso, conta com especialistas internacionais como Mark Deuze, da Universidade de Amesterdão, María Bella Palomo Torres, da Universidade de Málaga, Millán Berzosa, da Universidade Francisco de Vitoria e Suzana Barbosa, da Universidade Federal da Bahía.

Catarina Santos, da Rádio Renascença, Daniel Catalão, da RTP e João Pedro Pereira, do Público, representam os media portugueses no evento. Também Ana Pinto Martinho, do Observatório Europeu de Jornalismo vai constar do painel.

Alguns membros da organização vão também participar, como é o caso de Fernando Zamith, Helder Bastos e Isabel Reis.

Os preços das inscrições são de dez euros para estudantes e 40 euros para outros participantes, até dia 30 de setembro. Após esta data, os valores aumentam para 20 euros para alunos e 60 euros para outros interessados. As inscrições terminam de forma definitiva, no dia 18 de novembro.

O congresso, organizado pelo Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber) e pelo Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (cetac.media), ocorre de dois em dois anos. A edição deste ano ocorre na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Nas últimas edições, os temas abordados foram o “Jornalismo 3G“, em 2008, os “Modelos de negócio para o jornalismo na Internet” e “Redes sociais e ciberjornalismo“, em 2010, assim como “A convergência“, em 2012 e a “Qualidade e credibilidade no ciberjornalismo“, em 2014.

Na mesma semana, ocorre na Covilhã um congresso de jornalismo móvel que reúne investigadores internacionais e profissionais.

[Aviso: O artigo foi atualizado no dia 18 de outubro, pelas 15h30, com informações relativas ao congresso de jornalismo móvel, na Covilhã]

Filipe Santiago Lopes, turma 2

Quinto congresso internacional de ciberjornalismo no Porto

Robôs a produzir notícias? As redes sociais como fontes de informação? São algumas das propostas que vão ser discutidas nos dias 24 e 25 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).

#5COBCIBER vai colocar a debate o tema “Ciberjornalistas 3.0” e vai contar com um painel de profissionais da área. Para além das diversas comunicações, vão ser entregues os Prémios de Ciberjornalismo 2016.

Estão também confirmadas as presenças de Ana Pinto Martinho, editora online do Observatório Europeu de Jornalismo, Catarina Santos, jornalista na Rádio Renascença, Daniel Catalão, pivô na RTP, e João Pedro Pereira, jornalista no jornal Público.

O Observatório de Ciberjornalismo (OBCIBER) organiza o congresso de dois em dois anos e procura reunir não só académicos, como também profissionais na área do ciberjornalismo. A primeira fase de inscrições termina a 30 de setembro.

Na mesma semana, a Universidade da Beira Interior vai receber o III Congresso de Jornalismo e Dispositivos Móveis, nos dias 22 e 23 de novembro.

O congresso pode ser acompanhado pelo Twitter do OBCIBER, através da hashtag #5COBCIBER.

Tags: Ciberjornalismo, FLUP, COBCIBER, OBCIBER.

Atualizado em 18/10/2016

 

André Ferrão

 

 

 

 

 

III Jornadas ObCiber: “Isto é jornalismo?”

Na passada sexta-feira, 4 de dezembro, o pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto foi palco da terceira edição das Jornadas ObCiber. O tema em destaque no evento foi a celebração dos 20 anos do ciberjornalismo em Portugal, e abriu com o balanço do professor Hélder Bastos sobre estas 2 décadas de existência.

Programa das III Jornadas do ObCiber, no pólo de Ciências de Comunicação. Os 20 anos do ciberjornalismo em Portugal foi o destaque do dia.

O diretor do curso de Ciências da Comunicação iniciou as jornadas com uma reflexão acerca das utopias, conquistas e deceções que marcaram a evolução deste ramo do jornalismo que, segundo Bastos, surgiu de forma muito repentina.

Com a aceleração tecnológica e a expansão da Internet as ferramentas de trabalho do jornalista deixaram de ser exclusivamente o telefone e a máquina de escrever e deram lugar ao computador. “Em pouco mais de meia dúzia de anos os jornalistas passaram daquela imagem romântica do século XX para aquelas ferramentas que jamais pensamos usar”, afirmou o autor.

As potencialidades desta nova plataforma cativou a atenção de muitos entusiastas, que defendiam trazer uma maior qualidade ao jornalismo, como notícias “contextualizadas” através de conteúdos multimédia e a criação de novos modelos de negócio, isto é, fontes de receita.

Este avanço realmente contribuiu para os média passarem a ter um alcance global e instantâneo e as novas ferramentas de trabalho permitiram ao jornalista “contar histórias que até aí não lhe era possível” salientou Hélder Bastos. Mas se muitos acreditaram veemente na capacidade deste ramo outros nem tanto e chegaram até os mais conservadores a perguntar “Isto é jornalismo?”.

O professor da Universidade do Porto lembrou ainda que muitas das expetativas iniciais não se cumpriram e que, na verdade, o imediatismo característico do ciberjornalismo e ainda a necessidade de ter um grande número de visualizações levou os editores a promover um “populismo noticioso”, desvalorizando os critérios jornalísticos e consequentemente, a qualidade jornalística.

O problema mais transversal a estas duas décadas de ciberjornalismo em Portugal é, para Hélder Bastos, a questão dos modelos sem negócio. Com a constante diminuição do investimento publicitário nos média online ainda não se conseguiu encontrar um modelo rentável que garanta o financiamento necessário, “ainda se anda à procura do Santo Graal”, diz.

No final da conferência o professor partilhou o temor de futuramente o jornalismo online se tornar “inofensivo para os poderes estabelecido, irrelevante no contexto da democracia e do debate público”, mas rematou com um tom de esperança: “20 anos é muito pouco, daqui a 100 anos falamos”.

Ana Rita Costa

III Jornadas Obciber: Das utopias iniciais ao ciberjornalismo de hoje

O ciberjornalismo surgiu em Portugal há 20 anos e foi nas III Jornadas do Obciber que o professor Hélder Bastos fez o balanço destes anos.

Os 20 anos de ciberjornalismo em Portugal permitem perceber que foi um projeto fruto de utopias de tempos habituados apenas à máquina de escrever. A conferência “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções” dada por Hélder Bastos, professor de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, foi ao encontro das utopias do início do ciberjornalismo e a forma como elas se revelam hoje.

O ciberjornalismo como hoje existe levou duas décadas a aperfeiçoar. O deslumbre quando surgiram os primeiros computadores nas redações e o aparecimento da internet trouxeram ao jornalismo uma nova forma de comunicar e de transmitir informação.

A tecnologia digital fez crescer o ciberjornalismo mas, não se pode dizer que criou um jornalismo melhor ou pior mas sim um jornalismo capaz de ir para lá das folhas. A internet para além de ser uma forma de divulgação de conteúdo é também uma forma dinâmica e interativa de chegar a públicos mais heterogéneos e com menos interesse na imprensa escrita. Todas as possibilidades são quase infinitas na internet, no entanto, é preciso ter em conta que um mau trabalho jornalístico pode rapidamente ser partilhado e chegar à outra parte do mundo , uma globalidade nem sempre benéfica.

A dificuldade permanente em contextualizar quase que desaparece nas cibernotícias graças às hiperligações ao longo do texto em que o leitor, caso não tenha conhecimento sobre todos os factos, pode clicar e ir para uma outra notícia sobre o tema. Ao tradicional texto juntou-se o vídeo, as infografias dinâmicas e as atualizações ao minuto que possibilitam ao leitor manter-se a par dos últimos acontecimentos de forma mais rápida e sem ter que esperar pelo dia seguinte para ver a notícia na imprensa.

O jornalista é hoje graças ao ciberjornalismo um profissional multifacetado e diferente do típico jornalista em frente à máquina de escrever. Por um lado criou-se um novo profissional com mais ferramentas, por outro jornalistas que têm de dar notícias de última hora e que fazem toda a pesquisa à secretária através da Internet e com o telefone.

Apesar da evolução e das conquistas não se pode esperar que as espectativas do início sejam todas concretizadas do dia para a noite é preciso tempo para aperfeiçoar, tal como foi necessário na imprensa tradicional. Se foram feitas tantas conquistas, como a atualização ao minuto dos sites noticiosos e a possibilidade de chegar mais longe, também vai ser possível eliminar as reticências que muitas empresas jornalísticas têm em relação ao investimento nos meios online. A ideia de que os meios online seriam totalmente autónomos em relação à redação mãe, não passou de um ilusão por causa das empresas jornalísticas. Projetos como o Observador provam que um ciberjornal pode ser autossuficiente e viver apenas das publicações online pois é um projeto com mais de um ano de existência e apenas disponível online.

É importante olhar para o ciberjornalismo não como um fracasso mas como uma conquista a curto prazo e a longo prazo pois, ainda que não tenha nascido nos últimos anos, foi uma criação futurista para uma sociedade que lê cada vez menos o jornal mas que usa a internet diariamente.

Beatriz Almeida

III Jornadas ObCiber: Experiências Académicas

O pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto recebeu, no passado dia 4, as III Jornadas ObCiber. O evento assinalou os 20 anos do jornalismo online e contou com vários painéis, conferências e uma entrega de prémios pelo Observatório do CiberJornalismo.

Realizaram-se no dia 4 de Dezembro as III Jornadas ObCiber, em comemoração dos 20 anos de ciberjornalismo. Um dos painéis do evento foi “Experiências Académicas”, moderado por Pedro Jerónimo (Instituto Superior Miguel Torga – ISMT). Este painel teve como convidados Anabela Gradim, diretora da Urbi & Orbi, Rui Barros, diretor do ComUM e Afonso Ré Láu, antigo colaborador do JPN.

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Fonte: Facebook Obciber Observatório do Ciberjornalismo

Após uma introdução aos três projetos, levada a cabo pelo moderador, foi dada a palavra à professora Anabela Gradim, que começou por falar sobre o crescimento e valores daquele que é o projeto de ciberjornalismo mais antigo de Portugal. A Urbi & Orbi é redigida por alunos do 3º ano de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI).
Este laboratório de webjornalismo tem quase 16 anos e tornou-se um meio de divulgação da própria universidade, contando hoje com mais de 8000 edições.

Gradim salienta que, apesar de recorrer aos atributos do jornalismo online, como a interatividade e conteúdos multimédia, não abdica de valores que são a matriz do jornalismo de imprensa, tais como a periodicidade. Além destas características, destaca ainda o papel da Urbi & Orbi enquanto meio de divulgação da própria Universidade.

Rui Barros, o segundo convidado, começou por falar da história do projeto que lidera. Barros afirmou que a “ComUM” surgiu de uma “enorme vontade dos alunos da Universidade do Minho” (UM), que “vestem a camisola pelo projeto”. A forma de atrair colaboradores passa por fazer uma sessão de esclarecimento no início do ano para explicar aos novos alunos em que consiste o projeto e a sua importância.

Rui Barros usou como exemplo a sua própria colaboração, que começou logo no primeiro ano da licenciatura. Essa atividade, que culminou na sua recente promoção a diretor, foi uma parte essencial da sua aprendizagem, tanto quanto as aulas e o contacto com os alunos mais velhos.

Por fim, Afonso Ré Lau apresentou o JPN, do qual foi colaborador. Este jornal digital, fundado em 2004, funciona no contexto da licenciatura em Ciências da Comunicação na UP e é direccionado sobretudo para um público jovem. O vencedor do Prémio de Jornalismo do Fundão “Ensino Superior” afirmou que o bom ambiente na redação e o espírito de equipa entre os estagiários foram os fatores mais importantes. Com propostas inovadoras, entreajuda e ambição, o resultado foi “jornalismo bem feito”.

Após a partilha de experiências jornalísticas de contexto académico, foi dada a oportunidade do público participar na discussão, colocando questões aos oradores. Este debate centrou-se sobretudo na forma de cativar colaboradores para estes projetos. Por fim, Pedro Jerónimo deu por terminada a sessão, lamentando o facto destes órgãos de comunicação estarem limitados ao ano letivo, e rematando que “o entusiasmo e a envolvência são essenciais para a sobrevivência dos projetos”.

Maria Godinho Vasconcelos

III Jornadas ObCiber: 20 anos de ciberjornalismo português

No dia 4 de dezembro, o pólo de Ciências da Comunicação acolheu as III Jornadas ObCiber do Observatório de Ciberjornalismo para assinalar duas décadas de ciberjornalismo em Portugal.

Cartaz: III Jornadas ObCiber

Cartaz: III Jornadas ObCiber

Hélder Bastos, João Canavilhas e Fernando Zamith foram alguns dos nomes do Programa das III Jornadas ObCiber, que teve como tema “20 anos de ciberjornalismo em Portugal”, e que contou com diversas conferências, painéis de discussão e apresentações de livros.

Os conferencistas refletiram sobre o passado, o presente e o futuro do ciberjornalismo português. Coube a Hélder Bastos, diretor da licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (UP), abrir a sessão com o tema “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções”, em que abordou o passado desta área.

O antigo jornalista apontou algumas utopias iniciais, salientando as ideias criadas pelos amantes da tecnologia, como a automatização das redações e a autonomia de produção de notícias. Todo este idealismo levou a um “choque com a realidade”, o que decepcionou muitos, salienta o investigador.

Fonte: Obciber Observatório Do Ciberjornalismo (Facebook)

Fonte: Obciber Observatório Do Ciberjornalismo (Facebook)

No entanto, “o balanço não foi completamente negativo”. O ciberjornalismo conquistou um alcance global e instantâneo, novas plataformas para a difusão de conteúdos e novas ferramentas de trabalho. Também se criaram modelos de negócio e chegou-se a novos públicos. Contudo, “estas conquistas não foram para todos”, pois a maioria dos media não consegue aproveitar as potencialidades da internet por falta de investimento ou recursos, realça o professor.

 

Hélder Bastos terminou a conferência com algumas preocupações em relação ao futuro do ciberjornalismo em Portugal. Realçou a crescente tendência para um “populismo noticioso” e para o “fast food” das notícias online, derivados da “degradação do mercado publicitário”. Apesar de tudo, o investigador define-se como “um pessimista a curto prazo, mas um otimista a longo prazo”.

Perto do fim, houve a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo 2015 e a apresentação dos livros “Ciberjornalismo de proximidade”, de Pedro Jerónimo e “Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal: Os primeiros vinte anos (1995-2015)”, de Hélder Bastos. Foi assim que terminaram as III Jornadas Obciber, que reuniram alunos e profissionais do ciberjornalismo.

Mariana Gaspar

III Jornadas ObCiber: Experiências académicas

Foi no dia 4 de dezembro que as III Jornadas ObCiber ocuparam o pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (UP). Anabela Grandim, Rui Barros e Afonso Ré Lau  estiveram presentes no painel de experiências académicas.

O vigésimo aniversário do ciberjornalismo português foi celebrado com uma maratona de conferências, painéis e entrega de prémios organizada pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).

Depois de se ter assistido às conferências de Helder Bastos e João Canavilhas e se ter falado do futuro do ciberjornalismo, as jornadas retomaram o programa da tarde com o painel denominado “Experiências académicas”. Esta conversa foi protagonizada por Anabela Gradim (diretora do Urbi @ Orbi), Rui Barros (diretor do ComUM) e Afonso Ré Lau (antigo colaborador do JornalismoPortoNet – JPN) e moderada por Pedro Jerónimo.

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Fonte: Observatório do Ciberjornalismo (Facebook)

Depois de uma pequena introdução aos três projetos e três perspetivas diferentes em cima da mesa, a palavra foi dada a Anabela Gradim.

A professora começou por expôr um resumo da evolução do “projeto de ciberjornalismo académico mais antigo de Portugal”, o Urbi @ Orbi. O jornal digital, prestes a completar 16 anos, surgiu e mantém-se como um “laboratório de webjornalismo” e “protótipo para a investigação”, redigido pelos alunos do 3º ano de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI).

Com um estatuto editorial que defende a independência, a autonomia e a pluralidade, o objetivo máximo do projeto, segundo Anabela, é “tirar o melhor partido do meio” em que se insere, nunca esquecendo o “recurso à interatividade e multimedialidade”. No entanto, diz não prescindir de alguns princípios ligados ao jornalismo de imprensa, como é o caso da periodicidade e da existência de deadlines.

Foi com o lema “Sê ComUM, pensa diferente” projetado na tela, que Rui Barros deu início à sua intervenção. Segundo o recente diretor do projeto, o jornal digital da Universidade do Minho (UM) formou-se através das vontades conjuntas de “procurar o outro lado da notícia” e “tentar fazer aquilo que não sai” sem professores envolvidos diretamente no projeto.

Para além de ter falado da evolução do jornal, Rui partilhou parte da sua experiência pessoal. Colaborador desde o seu 1º ano na licenciatura, diz que deve a aprendizagem antecipada às aulas, a interação com alunos mais velhos e a rápida dissipação do medo de contactar fontes ao ComUM. Termina com uma mensagem de incentivo aos alunos de jornalismo, que deveriam dedicar parte do seu tempo e entusiasmo a projetos como os que são apresentados, parafraseado a citação de Marthe Troly-Curtin: “Time you enjoy wasting is not wasted time”.

A última intervenção foi feita por Afonso Ré Lau, “colaborador desde a primeira hora do JPN”. O vencedor do Prémio de Jornalismo do Fundão na categoria “Ensino Superior” falou da sua experiência como colaborador no jornal digital da licenciatura de Ciências da Comunicação da UP. “Fiz parte da geração dos 10 anos do JPN, uma geração hiperativa [na produção jornalística]”, disse. Na sua intervenção destacou também o espírito de equipa que se vivia na redação da época, em que proliferavam inúmeras propostas inovadoras e vontade de fazer mais e melhor.

Debate: o entusiasmo dos colaboradores

Depois das três exposições, deu-se espaço à intervenção do público, em que foi levantada uma questão, dirigida ao oradores de “fora da casa”, que despoletou bastante discussão: “Como atraem os vossos colaboradores?”.

Anabela começou por dar a solução proposta pelo Urbi @ Orbi: integrar a produção de conteúdos para o jornal na avaliação de algumas unidades curriculares. Depois, falou do “porquê” de há 15 anos o grau de entusiasmo dos colaboradores ser tão maior: “Hoje todos somos produtores de conteúdos”. Segundo a professora, as redes sociais vieram banalizar aquilo que há uma década era novidade e que captava a atenção dos aspirantes a jornalistas.

Já o ComUM, por ser, desde o início, independente da componente curricular da licenciatura, angaria colaboradores a partir da realização de palestras em que são divulgados os prémios que o projeto tem vindo a arrecadar. Rui afirma não existirem grandes flutuações no número de colaboradores que, a partir do momento em que se juntam, “vestem a camisola do projeto”.

Perto do final, Pedro Jerónimo também teve oportunidade de intervir. O moderador falou sobre o facto de todos estes jornais serem, infelizmente, condicionados pelo ano letivo e terminou afirmando que tanto o entusiasmo como a envolvência dos colaboradores “são essenciais para a sobrevivência dos projetos”.

Beatriz Pinto

III Jornadas ObCiber: Uma partilha de “experiências académicas”

Na sexta-feira, 8 de dezembro, decorreram as III Jornadas ObCiber no pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. Por entre viagens no tempo e partilha de experiências, o ciberjornalismo foi a palavra de destaque.

Em dia de comemoração dos vinte anos do ciberjornalismo em Portugal, o Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber), juntou alguns dos principais nomes ligados a este tema. A tarde arrancou com o segundo painel. Moderado por Pedro Jerónimo do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), contou com a presença de Anabela Gradim, da Urbi & Orbi, Rui Barros, diretor do ComUM e Afonso Ré Lau, antigo colaborador do Jornalismo Porto Net (JPN).

Anabela Gradim foi a primeira a falar. Com uma apresentação sucinta do Urbi&Orbi, destacou as principais caraterísticas e valores do jornal. Nascido em 2000, este jornal digital é o mais antigo do país. Defensor de ideais como a independência, autonomia e pluralismo, funciona como um laboratório de webjornalismo e conta com a participação dos alunos do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI). O mais importante, segundo a diretora do jornal, é “tirar partido do meio” onde estamos inseridos e, a partir daí, conseguir ser um laboratório, um meio de divulgação da própria universidade.

Com a assinatura “Sê comum, pensa diferente” surge, em 2005, o ComUM. Rui Barros explicou que este jornal apareceu por parte dos alunos da universidade que “vestem muito a camisola pelo projeto”. O caminho para cativar os colaboradores passa por “pegar nos prémios que se ganham e fazer uma sessão de esclarecimento no início do ano para explicar em que consiste o projeto”, confessou. O jornal conta com nove editorias e um diretor, sendo que, para Rui, o processo de aprendizagem que adquiriu foi através do jornal.

Afonso Ré Lau foi o último a falar e começou por apresentar o JPN. Jornal existente desde 2004 é direcionado para a Internet e, na sua maioria, para os jovens. O vencedor do Prémio de Jornalismo do Fundão “Ensino Superior” destacou que o espírito de equipa que os estagiários criaram, na sua época, foi o mais importante. Com propostas inovadoras e entreajuda, “conseguimos que resultasse em jornalismo bem feito”, acrescentou.

Depois desta partilha de “experiências académicas”, seguiu-se um debate onde o público pode expor dúvidas. Pedro Jerónimo afirmou que o problema dos jornais passa por estarem condicionados pelo ritmo do ano letivo e, uma vez que são laboratórios, servem para descobrir e inovar. Para fechar em pleno esta conferência, o moderador rematou que ” O entusiasmo e a envolvência são essenciais para a sobrevivência dos projetos”.

Sofia Soares up201404397

Ciberjornalismo: III Jornadas ObCiber debateram o que melhor se faz na academia

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Fotografia: ObCiber

As Jornadas ObCiber abriram a terceira edição a celebrar os 20 anos de ciberjornalismo. O início da tarde abriu com três universidades a partilharem as experiências do jornalismo académico.

Urbi & Orbi, ComUM e Jornalismo Porto Net (JPN) foram os três projectos em destaque no painel “Experiências Académicas”, moderado por Pedro Jerónimos (Instituto Superior Miguel Torga – ISMT). O debate explicou como é que o laboratório que é o jornalismo de academia prepara os estudantes para a realidade de uma redacção.

Anabela Gradim, da Urbi & Orbi, apresentou o projecto da Beira Interior – o mais antigo da academia e que já conta com 16 anos e mais de oito mil edições –  como um verdadeiro laboratório que sempre acompanhou as evoluções da tecnologia. Rui Barros, diretor do ComUM, apresentou o projecto como algo que nasceu da “vontade” dos alunos, mas sem ser algo “contra os professores”, até porque vê neles os leitores mais “críticos”. Afonso Ré Lau, antigo colaborador do JPN, recordou a geração dos “10 anos do JPN”, uma geração marcada pela “hiperactividade” na forma de fazer jornalismo.

Só com força de vontade é que estes jornais conseguem ver o futuro, mas isso, segundo os três, é coisa que não falta. Prova disso foram as nomeações dos Prémios Ciberjornalismo 2015. O ComUM arrecadou o prémio de Ciberjornalismo Académico (“Por Onde Já Não Navegamos”), categoria em que o público deu o JPN como vencedor (“A Última Memória de África”).

As III Jornadas ObCiber terminaram com a conferência “Do ObCiber à RIIC: Investigar em Rede”, do professor Fernando Zamith, e com a apresentação de dois livros: “Ciberjornalismo de proximidade”, de Pedro Jerónimo, e “Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal: Os primeiros vinte anos (1995 – 2005)”, de Hélder Bastos.

Joana Nogueira Santos