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#6COBCIBER: as ameaças ao ciberjornalismo

A falta de tempo, a precariedade, as visualizações, a monetização e a dependência das métricas foram as principais ameaças debatidas no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a 22 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Convidados no debate das ameaças ao ciberjornalismo Fotografia por: Sofia Frias

Quando confrontados com qual seria, atualmente, a principal ameaça ao ciberjornalismo, os convidados ofereceram respostas diferentes. Miguel Soares, editor e coordenador das redes sociais na Antena 1, afirma que atingir o maior número de pessoas e de visualizações possíveis se tornou uma obsessão. Miguel explica ainda que existe uma preocupação em chegar mais rápido e ser o primeiro, em detrimento da credibilidade. As notícias são publicadas sem existir uma justificação ou validação da informação.

Já Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, acredita que a falta de tempo leva a consequências na forma como as informações são partilhadas.

Para o diretor do V Digital, Sérgio Sousa, a dependência das métricas e a competitividade, em conjunto com a falta de tempo, são as principais ameaças ao ciberjornalismo. “Como transformar o trabalho em dinheiro”, é ainda outra das principais preocupações referidas pelo jornalista.

Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, defende, logo de início, que não deve existir uma diferenciação entre jornalismo e ciberjornalismo. Para Sofia, a precariedade é a ameaça ao jornalismo. A jornalista acredita que não existem condições em Portugal para existirem freelancers, sendo que estes têm que exercer outras atividades, para além do jornalismo, para se conseguirem sustentar.

A salvação do negócio

Quando questionados acerca do papel dos jornalistas na salvação do negócio, relativamente ao financiamento do meio, Pedro Santos começou por afirmar que o Fumaça é uma associação independente sem fins lucrativos. O principal objetivo deste jornal é informar de forma transparente, sem esperar qualquer tipo de lucro “a nossa única preocupação é ter os recursos suficientes para fazer jornalismo, pagar salários e ter contratos”. O único retorno que este jornal recebe é através de donativos.

O diretor do Fumaça apela ainda para uma reformulação nas prioridades no meio jornalístico. Por sua vez, Miguel Soares acredita que o financiamento é importante, contudo não deve afetar o trabalho dos jornalistas.

Sérgio Sousa, ao contrário de Pedro Santos, defende que o jornalismo “tem que ser rentável, porque só há independência editorial se houver independência financeira”. Através da sua experiência pessoal, afirma que no V Digital existe uma estratégia de grupo, cuja finalidade é ganhar dinheiro. Declara ainda que o objetivo dos jornalistas é ter o maior número de visualizações, para estas serem transformadas em dinheiro.

Para Sofia Branco “o jornalismo começa a mudar quando os diretores de informação começam a ser os diretores da empresa”. Revela que o negócio tem sido mal gerido, defendendo que não deve haver mistura de funções. Acredita que os jornalistas devem ter acesso a todas as ferramentas necessárias para abordar a informação de forma correta. A jornalista demonstra ainda preocupação com a taxa de 60% de abandono da profissão.

Sérgio Sousa, quando confrontado com o tópico do jornalismo como um bem público, afirma que o Estado tem que ter um papel essencial para permitir que o negócio seja exercido. Alerta ainda para a falta de atenção atribuída à política local, mencionando especificamente a pouca atenção atribuída aos órgãos de informação fora de Lisboa e do Porto.

Polígrafo, Fact-Checking e fake news

A última ronda do debate foi liderada por perguntas do público. A par do lançamento, no dia 6 de novembro, do primeiro jornal português de Fact-Checking, o Polígrafo, os convidados concordam com o objetivo deste jornal, defendendo que é essencial existir sempre a verificação da realidade.

“A credibilidade é fundamental no jornalismo” assegura Miguel Soares. Sérgio Sousa argumenta que os leitores devem ter em atenção as notícias e informações que consomem “não é ver uma notícia e acreditar”.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas confessa que “a luta contra o tempo é algo usual”, e que gostaria ainda de ver o Fact-Checking dentro das redações “se pudesse haver uma espécie de backup nas redações, de duas ou três pessoas, que pudessem ver aquilo que sai e verificar se é realmente dessa forma”.

Quando questionados acerca do impacto que o Fact-Checking poderia vir a ter nas fake news, Miguel Soares, declara que o mesmo complicaria o trabalho, mas podia vir a ser uma forma de afirmação do jornalismo. Contudo, explica que é fácil uma notícia falsa ser espalhada pelo mundo, principalmente através das plataformas online. O jornalista critica ainda os leitores, pois estes não procuram por fontes fidedignas ou credíveis.

Pedro Santos garante que nunca existiu tanto acesso a ferramentas que permitem descrever de forma transparente a realidade, como existem agora.

Sofia Branco afirma ainda “não compro a ideia de jornalismo neutro, há influência da opinião pública”. A jornalista encerra o debate apelando à mudança da bolha fechada que é o jornalismo, que se aproxima mais das elites do que os cidadãos.

Sofia Frias, up2017003932, Turma 4

Que problemas enfrenta o Ciberjornalismo em Portugal?

Fotografia por: Rafaela Lobo

“Não há foco no jornalismo”, afirma Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, já próximo do final do primeiro dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Esteve em debate o tema que dá mote ao Congresso, as “Ameaças ao Ciberjornalismo”, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Miguel Soares, editor-coordenador das redes sociais da Antena 1, aponta como um dos problemas a obsessão das redações em chegar ao maior número de pessoas , que pode tornar-se contraproducente.

Por outro lado, Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, culpa a falta de tempo, que traz consequências na forma como se pensa e trabalha.

Sérgio Sousa, diretor do V Digital, fala do retrato que o jornalista tem hoje, ao segundo, de quem está a ver e o que está a ver. Destaca que, se não se tiver cuidado, pode com isso perder-se o foco do jornalismo. Além disso, refere que o dinheiro envolvido também tem a sua influência, tal como em outros meios.

Já Sofia Branco salienta a situação de precariedade que os jornalistas enfrentam, chamando a atenção para o facto de um terço dos profissionais trabalharem como freelancers. Conclui que, por esse motivo, o foco deixa de estar no jornalismo, afetando-se a ética que é um princípio fundamental.

Como resolver estes problemas?

Esperam-se as soluções vindas dos jornalistas e não “dos senhores com os salários grandes”, refere a presidente do Sindicato dos Jornalistas. O setor enfrenta dificuldades e é preciso arranjar soluções adaptadas aos tempos atuais.

“Nunca fiz um trabalho com condicionantes, pressões de acionistas ou políticos”, afirma Miguel Soares, ressalvando que na rádio não se sente tanto essa pressão, salvo em casos excecionais. Pensa que a solução passa por se procurar uma atividade que chegue ao recetor de forma viável, de forma a haver independência.

Pedro Miguel Santos fala precisamente do projeto que lhe diz respeito, cujo “modelo de negócio é não ter negócio”, comparando o Fumaça a uma ONG. O projeto é financiado com bolsas de fundações como a OSF, Open Society Foundations, e a Gulbenkian. Contudo, acredita que um dia vai ser possível pagar o que fazem com as contribuições que recebem”, salientando que para tal é fundamental haver transparência.

Para o presidente do Fumaça “se se definirem prioridades é possível mudar algo no jornalismo”, dando o exemplo de equipas que andam todos os dias atrás do Presidente da República, gastando dinheiro que podia ser canalizado, por exemplo, para uma grande reportagem.

O jornalismo e o negócio

O objetivo dos meios é ser o mais ouvido ou o mais lido. “Só teremos independência editorial se tivermos independência financeira”, são as palavras de Miguel Soares.

Sofia Branco salienta a dificuldade que alguém que é diretor de informação e simultaneamente administrador encontra em não ser influenciado na tomada de decisões. Há uma confusão de funções. Assim, o jornalismo não pode ser alheio ao negócio e, se o negócio é mal gerido, acaba por culpar-se os jornalistas.

No que toca a esta relação, entre o jornalismo e o negócio, questiona-se o papel que o Estado devia ter, além da sua influência no serviço público de televisão ou rádio. Também o papel de multinacionais como a Google ou o Facebook, que “roubam” os conteúdos produzidos pelos jornalistas deve ser questionado.

Para Miguel Soares, o Estado deve assegurar pelo menos condições para se fazer bom jornalismo.

Como assegurar a verdade?

Hoje em dia consome-se informação como nunca mas é importante pensar-se se esta informação está a ser consumida da melhor forma. A última parte do debate destinou-se às perguntas da audiência.

Começou-se pelo Polígrafo, o novo projeto português direcionado para a verificação dos factos.

Os participantes do debate salientaram que esse “fact-checking” é inerente à prática do jornalismo. Apesar disso, Sofia Branco mostrou-se preocupada com o facto de isso poder não acontecer, devido à emergência que as redações sentem para a fazer chegar a notícia o mais rapidamente possível ao público.

Miguel Soares salienta que a diferença entre o jornalista e o cidadão comum passa pela credibilidade, pelo que as pessoas não devem por em causa aquilo que o jornalista diz. Apesar disso, a credibilidade tem de se conquistar, o que implica que as notícias sejam verificadas. “Os jornalistas devem estar escravizados pela credibilidade e não pelo tempo”, conclui.

Surgiu depois do público a questão sobre as fake news e a influência que podem ter na forma como se pratica o jornalismo.

Miguel Soares continuou, dizendo que estas sempre existiram, não se propagavam é com a rapidez de agora e que podem ser uma oportunidade para fortalecer o jornalismo.

Com isto, Pedro Miguel Santos concretizou o debate, afirmando a sua crença de que nunca houve tanto jornalismo de qualidade como hoje em dia.

O Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorreu nas passadas quinta e sexta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O primeiro dia terminou com a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo, logo após o debate.

Rafaela Lobo

#6COCIBER: a propagação das Fake News no Ciberjornalismo

Como se tem difundido o fenómeno das Fake news no ciberjornalismo? Foi esta uma das questões debatidas no primeiro dia do Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a decorrer na Faculdade de Letras da UP.

Na Sessão Paralela do Congresso, que decorreu por volta das 14:30 no Anfiteatro 2 (apesar de um pequeno atraso) foi abordado o tema das Fake News. Foram convidados 4 oradores que apresentaram a sua opinião sobre este fenómeno e onde tentaram transmitir a importância da sua consciencialização. A sessão foi moderada por Fernando Zamith.

A sessão iniciou-se com uma oradora de uma Faculdade do Brasil, Maíra Bittencourt, em que esta expôs a influência das redes sociais, nomeadamente o Facebook, na propagação das fake news. A existência de páginas de conteúdo fake torna-se um perigo à credibilidade do ciberjornalismo, e o facto das redes sociais permitirem a sua partilha, aumenta a sua expansão.

Depois de se ouvir as conclusões de Maíra, seguiu-se Alexandra Fante, também do Brasil, que nos mostra como as fake news têm alterado o género discursivo e as consequentes repercussões no meio do ciberjornalismo. “Fake news desapropriam a verdade e desapropriam o formato e dos valores noticia”

A terceira oradora aborda o tema da Agência Lupa, a primeira agência de Fact-checking. Esta organização pretendeu ser uma importante ferramenta no combate às Fake news, apesar de alguns grupos políticos se mostrarem contra: “É a censura 2.0”

Por fim, a Sessão Paralela termina com a participação de Pedro Jerónimo, que aborda o mesmo tema mas de uma perspetiva completamente diferente das restantes. O orador menciona a importância de uma boa formação jornalística na era da propagação das Fake News. Pedro Jerónimo afirma que ainda existe uma incorporação mínima do tema das fake news nos cursos ligados ao jornalismo e que é necessário uma maior consciencialização.

A Sessão Paralela encerrou, deixando na mente de todos a importância da consciencialização do perigo das Fake News.

Entretanto o Congresso continuou e a Faculdade de Letras continuou como o palco de inúmeras outras palestras, onde foram abordados outros temas como: Clickbait, Redes Sociais e o Sedentarismo no Ciberjornalismo.

Mariana Ribeiro

#6COBCIBER: “Os jornalistas estão, de facto, a dar voz a quem não tem voz?”

No segundo e último dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, Manuel Pinto, da Universidade do Minho, foi um dos oradores presentes e deu voz à conferência “As ameaças ao (ciber)jornalismo que vêm do próprio campo jornalístico”.

 

A primeira conferência de 23 de novembro do #COBCIBER6 trouxe à Faculdade de Letras, o professor catedrático Manuel Pinto, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Introduzido ao público por Ana Isabel Reis, membro da comissão organizadora, o orador agradece o convite e inicia a conferência questionando o papel do jornalismo nas cidades e o porquê da preocupação com as ameaças.

Apesar das múltiplas plataformas que surgiram nos últimos anos, o jornalismo tem vindo a desenvolver-se com cada vez mais público a querer intervir na área e, é atualmente um campo “assediado”. “Pensar diferente sobre a nossa profissão” é, segundo Manuel Pinto, uma necessidade face às ameaças ao jornalismo tradicional.

Numa sociedade que o orador designou como “crispada” dado o défice de qualidade de informação, é preciso rever o conceito de ameaça que tem uma “carga negativa forte” e “instiga atitudes de defesa”. O professor explicou que a situação implica uma reflexão crítica e questiona o porquê da “preocupação com as ameaças?” que, na sua opinião, consiste numa das perspetivas de interpretar o jornalismo atual.

Manuel Pinto colocou também em causa a postura dos jornalistas que “não tomam medidas para eliminar as ameaças”, apesar de as conhecerem. As ameaças ao ciberjornalismo são externas ou internas ao campo jornalístico, confirmou o conferencista. Reiterou ainda que é um “erro e uma visão bastante redutora” considerar que os problemas do jornalismo se resolvem a partir do próprio jornalismo, sendo esta uma “reflexão autorreferencial do jornalismo”.

Parafraseando Abel Salazar, Manuel Pinto adaptou uma das suas frases mais célebres e afirmou que “o jornalismo que só olha para o jornalismo, nem para o jornalismo olha”.

O orador defendeu que a situação atual deve provocar, nos profissionais, questões importantes: “Em que medida é que esta situação não suscita novos desafios, não os obriga a colocar de outra maneira?” e refletiu “porque é que apesar das ameaças serem cada vez mais claras, não há o desencadeamento direto de uma posição de preservação por parte dos jornalistas?”.

 

As ameaças e os obstáculos

Durante a conferência, Manuel Pinto referiu o “jornalismo cidadão” como uma das principais ameaças ao jornalismo.

Propôs ao público que repense o jornalismo: “Em que medida é que a agenda jornalística é um privilégio e uma prerrogativa apenas dos jornalistas? A construção da agenda ganharia ou perderia em ser partilhada com os públicos do próprio jornalismo?”.

Contudo, reforçou que o trabalho do jornalista não pode ser posto em causa – “buscar a verdade, incomodar o poder, verificar informação, cruzá-la e investigar” – uma vez que são tarefas que “por muito que se esforce, um blogger nunca poderá fazê-las como alguém que vive para esse trabalho”. Considerou assim, que não há ninguém capaz de fazer o trabalho do jornalista com a mesma competência de um profissional.

As redes sociais são, segundo o orador, um exemplo de plataformas que vieram “promover a multiplicação dos pólos de enunciação na sociedade”, porém admitiu que podem consistir num “perigo público porque põem em causa a existência de um discurso fundamental para um regime democrático, por ser um discurso que segue o código de natureza ético-deontológica que é uma garantia da qualidade da informação”.

O crescimento de plataformas autointituladas informativas cria um clima de desconfiança face à própria informação jornalística. Terminou o tópico, recorrendo a uma parábola, salientando a premência de “separar o trigo do joio”: saber distinguir o que é jornalismo do que não é jornalismo.

A preocupação com as audiências

Manuel Pinto abordou ainda o problema do afastamento entre o jornalismo e o público que leva a que o impacto do primeiro seja mais “reduzido ou mesmo contraproducente”.

O professor admitiu faltar entre os jornalistas uma “cultura de escuta” e questionou: “Será que o modo de fazer as perguntas não é uma forma de impôr respostas? Será que estão, de facto, a dar voz a quem não tem voz? Será que o que os jornalistas inscrevem na sua agenda de preocupações cobre o fundamental das dinâmicas sociais, das lutas sociais, das preocupações, das inovações e das necessidades de informação das coletividades, das comunidades?” Manuel Pinto considera que não, devido à “desconfiança que se se sente face à informação jornalística”. Reiterou que é necessário pensar nos públicos “não só como audiências, mas como comunidades vivas” escutando e ouvindo “as suas necessidades e inquietações”.

O jornalismo no contexto da mudança

O orador refletiu acerca da intervenção do público não ser “parte da solução, do lado dos jornalistas” e deixa a questão: “Em que moldes se poderá fazer um jornalismo mais participado?”.

Perto do final da conferência, referiu o livro “Os Elementos do Jornalismo”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, como uma prova da “velocidade estonteante” que caracteriza a evolução do jornalismo. Segundo o professor, o estudo tem sido alvo de atualizações constantes, sendo capaz de “captar um sinal dos tempos”. Reforça: “há indivíduos preocupados com a qualidade da informação e que lutam pela inovação.”.

A esperança e a fé no jornalismo

Manuel Pinto terminou a conferência assumindo que “ir resistindo” às ameaças é a solução e que “isso se faz em conjunto e não sozinhos”. Acrescentou ainda que “é uma questão de fé”.  Por último, lança uma reflexão ao público: “Estamos assediados, por todo o lado, por instrumentos de comunicação, mas ninguém se questiona se estamos a comunicar melhor”.

Após a conferência, o Congresso Internacional de Ciberjornalismo continuou, versando temas como a Investigação internacional em ciberjornalismo e contando com a presença de Nora Paul da Universidade de Minnesota, a encerrar o dia.

Margarida Magalhães

#6COBCIBER: “Creio que o jornalismo se vai salvar”

A afirmação, em jeito de crença, é do professor e investigador Manuel Pinto, da Universidade do Minho, que foi um dos destaques do último dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo.

A palestra deste orador tinha como título “As ameaças ao (ciber)jornalismo que vêm do próprio campo jornalístico” e a sua abordagem propunha olhar e descobrir que portas e caminhos é que estas ameaças abrem e que outras questões levantam.

Depois de classificar com um erro “pensar que os problemas do jornalismo se resolvem só no jornalismo”, Manuel Pinto considerou como a primeira ameaça o “jornalismo do cidadão”. Isto é, os blogues e toda a sua informalidade que puseram em causa a linguagem e credibilidade jornalísticas.

Para combater estes problemas e outros mais recentes, como as fake news, o orador apresentou e desenvolveu o conceito de literacia mediática, que consiste na aproximação das crianças em idade escolar à veracidade desejável no jornalismo.

A ideia foi aprovada no Congresso de Jornalistas Portugueses por unanimidade e, depois de apresentada ao Ministério da Educação, avançará em janeiro do próximo ano numa escola de cada distrito. Este projeto piloto beneficia ainda, na opinião de Manuel Pinto, da boa consideração em relação aos profissionais do jornalismo em Portugal.

Por fim, o orador alertou para o facto de a informação estar descredibilizada e aponta como solução o valor da transparência do jornalista. Isso passa, na sua opinião, pela eliminação da distância entre o jornalista e o seu público e deixar de o encarar como audiência, ouvindo todos os sectores.

Diogo Gonçalves

A pressa é inimiga da perfeição: imediatismo e publicação sem verificação

A instantaneidade é um dos grandes requisitos do ciberjornalismo. Mas o que acontece quando a pressa domina o jornalista? A vantagem da rapidez a que chegam as notícias torna-se rapidamente um aspeto negativo, que cada vez mais ameaça o jornalismo online atual.

Vivemos num mundo cada vez mais rápido, onde saber tudo o mais rápido possível se torna uma prioridade. As notificações chegam em rompante, umas atrás das outras, noticiando quase ao segundo tudo o que se passa pelo mundo fora. No final de contas, a instantaneidade das notícias online é uma das caraterísticas que confere ao ciberjornalismo tanta adesão.

Nikki Usher, ex-jornalista do NY Times no excerto do seu livro  afirma que “a produção de notícias para a web era uma atividade frenética, normalmente com uma estratégia pouco clara sobre como, quanndo e porquê que as notícias deviam ser publicadas”. O ciberjornalismo rege-se ao minuto e pretende passar ao leitor a informação o mais rápido possível.

Porém este imediatismo pode ter consequências negativas nomeadamente no que toca à qualidade das notícias. Quanto maior é a pressa de transmitir a notícia ao público, maior a suscetibilidade a deslizes e a faltas de atenção aquando da publicação da mesma. Isto pode levar a erros que comprometem a veracidade da informação.

Um dos grandes exemplos deste fenómeno aconteceu em 2011, aquando da morte de Osama Bin Laden. A repórter Norah O´Donnel publicou via Twitter a noticia sobre o acontecimento mas cometeu um erro ao escrever Obama. Isto mostra o quão fácil é cometer uma pequena falha que compromete por completo a informação transmitida.

Para além disso, cada vez mais são feitas publicações sem qualquer tipo de verificação ou fonte fidedigna. Há uma falta de comprovação dos factos no sistema de publicação de notícias online, que tem vindo a manchar a reputação do ciberjornalismo.

Este fenómeno tem vindo cada vez mais a tornar-se um perigo para o ciberjornalismo, e torna-se necessário analisá-lo para entender qual o estado do jornalismo online. Destaca-se aqui a realização do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#6COCIBER) nos dias 22 e 23 de novembro. O congresso vai ter lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e conta com inúmeros especialistas na área do jornalismo, com o objetivo de debater os novos perigos que ameaçam cada vez mais a produção de notícias online.

Mariana Ribeiro, up201706992

 

A Universidade da Beira Interior recebe o 3º Congresso Internacional sobre jornalismo móvel a 22 e 23 de novembro. Além de conferências e debates, há ainda workshops para quem quiser passar da teoria à prática. As inscrições já estão abertas e são limitadas.

Renata Monteiro

O pressuposto é simples: com o desenvolvimento das novas tecnologias, o jornalismo tem agora meios quase infinitos para estar na sua melhor forma de sempre. Mas então, porque é que não está?

A organização do Congresso para Jornalismo Móvel acha que a resposta “pode estar na investigação científica” e por isso procurou “propostas que abram novas perspetivas ao jornalismo”. Nesta edição, debatem-se as formas de distribuição de conteúdos,os modelos de negócio e as novas linguagens e formatos. Tudo sobre um objeto que está todos os dias na sua mão: o smartphone.

É exatamente essa ferramenta que vai poder usar num dos três workshops que funcionam durante o congresso. O snapchat é uma das aplicações que junta informação ao entretenimento e a cara do snap Expresso, Iryna Shev, vai estar na Covilhã para explicar como se faz.

O congresso começou em 2009 num evento chamado “1º Encontro da Montanha”  e realiza-se desde 2012 de dois em dois anos. Este ano vão estar presentes na mesa dos jornalistas Alexandre Brito (Subdiretor de Informação da RTP), Diogo Queiroz Andrade (Público)
Miguel MartinsPedro Monteiro (Expresso) e Rui da Rocha Ferreira (Future Behind).

Se perdeu alguma destas apresentações pode ser que encontre os autores nos dois dias seguintes, no Porto. A 24 e 25 de novembro são os ciberjornalistas 3.0 que estão na mira do V Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#COBCIBER).

 

 

 

Jornalismo móvel: 3.º Congresso na Covilhã

O 3.º Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis (JDM) decorre em 22 e 23 de novembro na Universidade da Beira Interior (UBI). Académicos nacionais e internacionais e jornalistas reúnem-se para debater os temas centrais do jornalismo para dispositivos móveis.

A UBI coloca a questão: “A evolução tecnológica, que sempre contribuiu para melhoria do jornalismo, transformou-se no seu principal inimigo?”

Para a organização, “A resposta só pode ser uma: não. Mas é preciso reverter o processo, transformando estas dificuldades em oportunidades. A resposta pode estar na investigação científica e por isso nesta 3ª edição do JDM procuram-se propostas que abram novas perspetivas ao jornalismo num dos campos mais promissores: o do jornalismo móvel.”

Reforçando a importância da investigação científica, o programa do JDM conta com conferências de académicos e, em paralelo, workshops. A conferência de abertura vai ser feita por Ramón Salaverría (Universidade de Navarra) e a de encerramento por Eduardo Campos Pellanda (Famecos-PUCRS).

O papel dos profissionais no ramo do jornalismo é fortalecido através de uma mesa de jornalistas. A mesa de jornalistas vai contar com Alexandre Brito (subdiretor de informação na RTP), Diogo Queiroz Andrade (diretor adjunto do jornal Público), Miguel Martins (Universidade Autónoma de Lisboa) e Rui Rocha Ferreira (diretor-editorial do Future Behind).

Os temas a debater são Formas de distribuição de conteúdos para dispositivos móveis, Modelos de negócio para o jornalismo móvel, Novas linguagens e novos formatos jornalísticos, Os dispositivos móveis como ferramentas de produção.

Com apresentação de paper o custo da inscrição no 3.º Congresso de Jornalismo para Diapositivos Móveis é de 50 euros, sem apresentação paper é grátis, mas com inscrição obrigatória. O preço dos workshops varia dos 5 aos 20 euros.

Mais informações relativamente aos oradores e às datas e custos podem ser encontradas na página oficial do congresso.

Para os interessados na relação entre o jornalismo e a tecnologia, o  V Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#5COBCIBER) realiza-se nos dias 24 e 25 de novembro de 2016 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

André Garcia

III Jornadas ObCiber: “Isto é jornalismo?”

Na passada sexta-feira, 4 de dezembro, o pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto foi palco da terceira edição das Jornadas ObCiber. O tema em destaque no evento foi a celebração dos 20 anos do ciberjornalismo em Portugal, e abriu com o balanço do professor Hélder Bastos sobre estas 2 décadas de existência.

Programa das III Jornadas do ObCiber, no pólo de Ciências de Comunicação. Os 20 anos do ciberjornalismo em Portugal foi o destaque do dia.

O diretor do curso de Ciências da Comunicação iniciou as jornadas com uma reflexão acerca das utopias, conquistas e deceções que marcaram a evolução deste ramo do jornalismo que, segundo Bastos, surgiu de forma muito repentina.

Com a aceleração tecnológica e a expansão da Internet as ferramentas de trabalho do jornalista deixaram de ser exclusivamente o telefone e a máquina de escrever e deram lugar ao computador. “Em pouco mais de meia dúzia de anos os jornalistas passaram daquela imagem romântica do século XX para aquelas ferramentas que jamais pensamos usar”, afirmou o autor.

As potencialidades desta nova plataforma cativou a atenção de muitos entusiastas, que defendiam trazer uma maior qualidade ao jornalismo, como notícias “contextualizadas” através de conteúdos multimédia e a criação de novos modelos de negócio, isto é, fontes de receita.

Este avanço realmente contribuiu para os média passarem a ter um alcance global e instantâneo e as novas ferramentas de trabalho permitiram ao jornalista “contar histórias que até aí não lhe era possível” salientou Hélder Bastos. Mas se muitos acreditaram veemente na capacidade deste ramo outros nem tanto e chegaram até os mais conservadores a perguntar “Isto é jornalismo?”.

O professor da Universidade do Porto lembrou ainda que muitas das expetativas iniciais não se cumpriram e que, na verdade, o imediatismo característico do ciberjornalismo e ainda a necessidade de ter um grande número de visualizações levou os editores a promover um “populismo noticioso”, desvalorizando os critérios jornalísticos e consequentemente, a qualidade jornalística.

O problema mais transversal a estas duas décadas de ciberjornalismo em Portugal é, para Hélder Bastos, a questão dos modelos sem negócio. Com a constante diminuição do investimento publicitário nos média online ainda não se conseguiu encontrar um modelo rentável que garanta o financiamento necessário, “ainda se anda à procura do Santo Graal”, diz.

No final da conferência o professor partilhou o temor de futuramente o jornalismo online se tornar “inofensivo para os poderes estabelecido, irrelevante no contexto da democracia e do debate público”, mas rematou com um tom de esperança: “20 anos é muito pouco, daqui a 100 anos falamos”.

Ana Rita Costa

III Jornadas Obciber: Renascença volta a conquistar prémio de Excelência em Ciberjornalismo

A Rádio Renascença (RR) foi a grande vencedora da oitava edição anual dos Prémios de Ciberjornalismo. A distinção foi atribuída na passada sexta-feira durante as III Jornadas do Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber), no pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto.

O intuito dos prémios ObCiber é distinguir o que de melhor se produz na área do Ciberjornalismo em Portugal. A Renascença foi a grande premiada na edição deste ano e foi distinguida em três categorias.

De facto, a RR conquistou pela quinta vez o prémio de Excelência Geral em Ciberjornalismo. Além desta categoria, venceu também em “Videojornalismo Online”, com o júri a eleger a reportagem “O extraordinário mundo de Irina”.

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Fotografia: Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber)

A Renascença também viu o seu trabalho distinguido na categoria de “Última Hora”, com o acompanhamento dos ataques contra o jornal francês “Charlie Hebdo”. O júri premiou o órgão de comunicação nesta categoria depois de avaliar as notícias produzidas até 48 horas depois dos atentados terroristas.

Em relação às restantes categorias, o jornal Expresso arrecadou o prémio em “Reportagem Multimédia”, com o trabalho “Matar e Morrer por Alá”. Já o Público venceu na categoria “Infografia Digital”, com “VIH: O vírus que apareceu em Kinshasa em 1920 e alastrou para o mundo inteiro”.

A ComUm, projeto de Ciberjornalismo da Universidade do Minho, arrebatou o prémio na categoria de Ciberjornalismo Académico com “Por onde já não navegamos”. O cibermeio da instituição venceu ao JornalismoPortoNet (JPN), da Universidade do Porto, pela primeira vez em oito anos.

Os vencedores eleitos pelo público através de uma votação online também foram mencionados e coincidiram com as escolhas do júri nas categorias de “Última Hora”, “Reportagem Multimédia” e “Infografia Digital”. Na categoria de “Excelência Geral em Ciberjornalismo”, a escolha do público recaiu no Observador, em “Videojornalismo Online” na RR, com “Vida de Faroleiro”, e em “Ciberjornalismo Académico” no JPN, com “A última memória de África”.

Os prémios de Ciberjornalismo foram criados em 2008 e são concedidos anualmente pelo Observatório de Ciberjornalismo.

João Pedro Sousa