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III Jornadas ObCiber: “Vamos profetizar o jornalismo?”

João Canavilhas na Conferência sobre o futuro do Ciberjornalismo

João Canavilhas na Conferência sobre o futuro do Ciberjornalismo

No passado dia 4 de Dezembro, o polo de Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto recebeu as III Jornadas do ObCiber. Pelas 11:30h da manhã, o professor João Canavilhas, investigador da Universidade da Beira Interior (UBI), levou os ouvintes numa viagem até ao futuro, catapultando-os para o ano de 2025.

A sua prospeção assentou em 3 eixos base: consumo, distribuição e conteúdos. Transversais a estes 3 eixos, surgem os conceitos de nicho e de individualização, postulando que “é melhor servir bem os ‘nichos’ do que servir mal as massas” e que “o homem é o homem e as suas circunstâncias” para que a plateia entenda a dimensão da mutação que o futuro reserva.

Quer seja de assustar ou não, é certo que as mudanças vieram para ficar. De facto, se olharmos para o passado, ao nível do consumo, passamos de um contexto grupal, estático e periódico, para um contexto individual, móvel e diferido. Isto é, se antes se liam as notícias no café com os amigos, num suporte físico e estático como um jornal, com uma periodicidade inerente, hoje o leitor lê-as sozinho e em qualquer sítio, através dos seus tablets e smartphones, diferidamente, ou seja, a qualquer hora. Ao analisarmos a transição do contexto passado para o presente, é de esperar que, no futuro, se torne num contexto social – o facto de, hoje em dia, os próprios órgãos de comunicação estarem presentes nas redes sociais, demonstra a ideia de que “não vale a pena fazer bom jornalismo onde não houver leitores”; incorporado, ou seja, o consumidor “veste” os dispositivos e estes funcionam como uma extensão do corpo; e “always on”, isto é, o utilizador está constantemente à espera que aconteça algo.

Do ponto de vista da distribuição, o professor João Canavilhas, através da mesma técnica de comparação, evidenciou que existiu uma transição de um sistema pull (em que o utilizador procura os conteúdos), local e periódico, para um sistema misto (o utilizador procura informação específica mas também tem acesso naturalmente, através das novas tecnologias de comunicação), global e adaptado – o sistema de cookies intervém neste aspeto, tornando o que é instantâneo, adaptado ao seu destinatário. Assim, espera-se que no futuro se esteja perante um sistema push, em que há uma seleção de quem/do que informa, a uma dimensão glocal, isto é, algo a nível local atinge um nível global, de forma instantânea, a que se prende a necessidade de triar a informação, já que esta surge de forma automática e instantânea.

Por fim, quanto ao eixo dos conteúdos, evoluiu-se de um conteúdo monomédia, fechado e massificado, isto é, de um conteúdo em suporte físico que não permite a intervenção do leitor e que é generalizado e não contextualizado, para um conteúdo multimédia, atualizado e temático – há diversidade de recursos, há intervenção do leitor ainda que condicionada e o contexto é dado através da segmentação mediática. Assim, perspetiva-se que os conteúdos se tornem imersivos, abertos e personalizados, isto é, através dos novos gadgets que funcionam como uma extensão do corpo, é possível imergir o leitor na notícia e no acontecimento como se este se encontrasse lá; é-lhe permitido [ao leitor] participar e é-lhe dada a devida creditação; por último, o conteúdo é escolhido em função do utilizador e das suas preferências.

No entanto, a questão transversal à evolução dos três eixos que aqui se coloca é: e a privacidade? Até que ponto não perde o utilizador o seu direito a selecionar que informações suas são públicas e as que não são? Por outro lado, surge ainda outra questão pertinente quanto à participação do leitor na produção noticiosa: até que ponto o jornalista “formado” tende a desaparecer se, num panorama global, qualquer um é passível de se tornar um agente noticioso?

Tal como João Canavilhas refere, em jeito de término, em 2025 um smartphonesaberá tanto ou mais de nós do que nós mesmos e do que quem nos rodeia”, numa Era em que a informação será adaptada ao utilizador e às suas circunstâncias.

Cabe, pois, ao leitor, refletir e decidir quais os limites que permitirá serem ultrapassados.

Comentário por Sofia S. Cruz

III Jornadas ObCiber: debate das experiências académicas

As III Jornadas ObCiber realizaram-se no dia 4 de dezembro no pólo de Ciências da Comunicação, no Porto. Entre uma série de conferências e painéis, ocorreu um debate sobre diferentes experiências académicas entre representantes de três jornais digitais universitários.

O pólo de Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto recebeu, no passado dia 4 de dezembro, as III Jornadas do Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber).  O dia foi marcado por várias conferências e painéis sobre diferentes temas. À tarde, ocorreu um debate sobre as experiências académicas. O moderador foi Pedro Jerónimo, do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), e os participantes foram Anabela Grandim (diretora do Urbi @ Orbi), Afonso Ré Lau (antigo colaborador do JornalismoPortoNet) e Rui Barros (diretor do ComUM).

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Fonte: Observatório de Ciberjornalismo

Anabela Grandim, iniciou a conversa. A diretora do Urbi@Orbi apresentou o jornal como um “laboratório e forma de exploração do meio” sendo um “laboratório-escola” para os alunos de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior. O jornal digital mais antigo do país está prestes a completar 16 anos e, para a diretora, tem um papel importante como meio de divulgação da UBI, esperando dar uma “visibilidade dentro e fora da região”. Anabela Grandim referiu ainda que o Urbi@Orbi “abraça a linguagem multimédia, vídeo, aúdio e a importância da infografia”, funcionando como um serviço prestado aos alunos e à Universidade.

Na Univerdidade do Minho, o jornal digital existente é o ComUM. Segundo o seu atual diretor, o jornal baseia-se no lema “Sê Comum, pensa diferente”. O diretor afirmou que o ComUM procura dar uma “voz independente” aos seus alunos, funcionando sem a colaboração dos professores. O jornal defende uma forma de trabalho independente, assentanda, nas palavras do diretor, num “processo de aprendizagem que se foi construindo”.

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O diretor do ComUM, Rui Barros, realçou a importância da participação dos alunos.

O último orador foi o ex-colaborador do Jornalismo Porto Net (JPN), Afonso Ré Lau. Numa intervenção mais breve, o vencedor do  Prémio de Jornalismo do Fundão “Ensino Superior” apresentou o JPN como sendo uma redação onde está presente um “grande espírito de equipa”, auxiliado por uma supervisão dos professores. O ex-aluno sublinhou também a presença sempre de meios digitais, “nomeadamente de texto, imagem, aúdio, vídeo e infografias”.

Daí em diante, foi iniciada uma sessão de debate entre os membros presentes.

À questão de “como vêm o entusiasmo e como atraem os colaboradores”, os participantes falaram em aspetos semelhantes. Anabela Grandim referiu que “hoje os alunos já estão habituados a partilhar alguma coisa” e que eles acabam por “sair mais preparados do curso”. O diretor do ComUM subinhou, igualmente,  maior contribuição por parte dos novos alunos, confessando que têm “conseguido cativar bem a atenção dos alunos”.

O moderador Pedro Jerónimo realçou ainda, a respeito do assunto, que uma possível menor participação dos alunos deve-se “a projetos condicionados pelo ano letivo” e às sobrecargas dos horários.

Filipe Balreira