Arquivo de etiquetas: fake news

#6COBCIBER: As fake news e a desinformação

Nos dias 22 e 23 de novembro, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) recebeu o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo do ObCiber. Entre a discussão de temas relacionados às ameaças ao jornalismo online, falou-se sobre a proeminência das fake news.

“Fake News e Ciberjornalismo” inaugurou as sessões paralelas do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. A sessão, que decorreu na passada quinta feira (22) de manhã no Anfiteatro 2 da FLUP, contou com a presença de três especialistas na área do jornalismo e comunicação e a moderação da professora Ana Isabel Reis. Os convidados apresentaram investigações relativas à temática das fake news, que têm cada vez mais preponderância no cibermeio.

A primeira comunicação esteve a cargo de Carlos Toural Bran, docente e investigador no departamento de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha. Em castelhano, falou sobre os espaços de criação de notícias falsas, redes sociais e as plataformas de verificação de fake news existentes em território espanhol.

O investigador revelou quais as motivações principais para a elaboração e divulgação de notícias falaciosas, discutindo quais os seus motores políticos, económicos, sociais e ideológicos. Referiu-se, igualmente, às redes sociais, que admite serem uma forma eficaz de propagar informação errada online, devido à facilidade de uma publicação se poder tornar viral.

Carlos Toural Bran é docente e investigador na Universidade de Santiago de Compostela, Espanha. Foto: Tiago Serra Cunha

Bran expôs quais os mecanismos de proteção face às fake news adotados pelo jornalismo, sendo o fact-checking uma ferramenta crucial para a sua identificação. Com o surgimento deste mecanismo, surge um novo perfil profissional, o fact-checker.

Ilustrando o caso do seu país, o docente deu a conhecer à audiência duas das plataformas de verificação de factos espanholas (B de Bulo e MalditoBulo) e qual a sua estrutura e forma de verificação face a sites de informação falsa (como o Elmundotoday.com). Em Portugal, surge recentemente o Polígrafo, o primeiro jornal português de fact-checking.

Uma vez que tem sido verificada a facilidade de criação de fake news e conteúdos falsos, que chegam até a ser propagados por órgãos de comunicação profissionais que não verificam corretamente a fonte da informação, Carlos Toural Bran define um objetivo futuro. O investigador aconselha a uma maior sensibilização para o perigo da informação falsa, mesmo quando a sua natureza é humorística.

As Fake News e o sarampo: qual a relação

A sessão paralela do #6OBCIBER contou ainda com a presença de mais dois investigadores, que apresentaram à audiência dois estudos de caso focados na temática das fake news e a forma como estas podem ser vitais para uma determinada perceção de um tema da atualidade.

A segunda comunicação da manhã esteve a cargo de Tâmela Medeiros Grafolin, doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. A investigadora na área da comunicação e saúde apresentou um estudo sobre o processo de decisão das famílias sobre a vacinação das crianças contra o sarampo em Portugal e de que forma as notícias (falsas ou não) podem ser decisivas na perceção deste caso.

Tâmela Medeiros Grafolin, doutoranda na Universidade da Beira Interior, apresentou um estudo sobre o impacto das fake news no caso do sarampo. Foto: Tiago Serra Cunha

Dada a reconfiguração da consideração do que é notícia por parte do público, a discente brasileira realizou uma sondagem com uma amostra restrita de forma a compreender se as notícias falsas teriam impacto na decisão de vacinar ou não crianças contra o sarampo, depois do surto ocorrido no início deste ano em várias regiões do país.

Após a realização do estudo, Tâmela concluiu que a totalidade dos inquiridos confiava na eficácia das vacinas para o sarampo e, apesar de terem conteúdos falaciosos sobre o tema a circular nas suas redes sociais, verificam a autenticidade das fontes no que toca a este tipo de temas. Deste modo, as fake news não influenciaram de forma negativa este caso.

O humor e a sátira condizem com as fake news?

A última comunicação esteve a cargo de João Paulo Duque Löbe Guimarães, da Universidade de Évora. O orador apresentou uma discussão acerca do panorama atual das fake news e de que forma é que a sátira se insere neste tipo de conteúdo.

A temática das satirical fake news foi apresentada por João Paulo Duque Löbe Guimarães (Universidade de Évora/CEL/c3i). Foto: Tiago Serra Cunha

Segundo o investigador, a sátira jornalística identifica-se como notícias que apresentam conteúdo falso proposital, mas que não têm intenção de enganar os leitores, uma vez que se trata de humor. Como principal tema, aponta a política.

Este estudo focou-se na dualidade de opiniões que a existência de satirical fake news cria no público. Ao mesmo tempo que permitem questionar a lógica das práticas jornalísticas contemporâneas e encorajam o pensamento crítico e o debate, podem acabar por impedir que informação verdadeira seja divulgada no seu lugar.

No entanto, nem todos consideram a sátira um tipo de notícia falsa. Os que o consideram refletem que, embora humorística, uma “notícia” deste género não é verdadeira. Carlos Toural Bran, orador na primeira comunicação da sessão, fez destacar através de uma intervenção que este tipo de humor pode ser considerado absurdo, uma vez que não há identificação da natureza satírica do tema. As pessoas partilham estes conteúdos como informação, tendo estes um papel relevante na definição do humor satírico como fake news.

 

——
Texto:
Tiago Serra Cunha
Turma 2, up201706258

#6COBCIBER: o arranque das sessões paralelas

O #6COBCIBER decorreu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto na semana passada. O painel 1-A contou com três oradores e centrou-se na temática das fake news.

 

As sessões paralelas – afinal, é mesmo isso que o nome indica – do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo funcionam paralelamente ao programa principal. A primeira sessão de comunicações dividiu-se em três painéis, que decorreram simultaneamente, em salas diferentes. O painel 1-A foi o selecionado para ocupar o espaço central do evento.

No início da manhã, o Anfiteatro 2 da Faculdade de Letras já tinha recebido a Sessão de Abertura do Congresso. Esta contou com a presença de Fernanda Ribeiro – Diretora da FLUP -, Elisa Cerveira (CIC:Digital), Helena Lima (Diretora do Mestrado em Ciências de Comunicação), Helder Bastos (Diretor da Licenciatura em Ciências da Comunicação) e Fernando Zamith, membro da Comissão Organizadora do COBCIBER.

Seguiu-se a Conferência de Abertura, que ficou ao cargo de Walter Dean, do Committee of Concerned Journalists (EUA). A temática abordada por Dean foi “The tyranny of ‘hits’ – How an emphasis on big numbers and flawed analytics has changed reporting”.

 

As fake news e a verificação de factos em Espanha

Às 11h15, a moderadora do painel, Ana Isabel Reis, lançou o programa paralelo. O primeiro orador foi Carlos Toural Bran, da Universidade de Santiago de Compostela. A apresentação – “Humor y desinformación – Espacios de creación de notícias falsas, redes sociales y plataformas de verificación en España” – centrou-se num trabalho realizado em conjunto com Ángel Vizoso e Xosé López-García.

Fotografia: Sofia Matos Silva

O discurso do espanhol manteve uma linha de pensamento lógica. Apresentou em que consistem as tão famosas fake news: “false stories that appear to be news, spread on the internet or using other media, usually created to influence political views or as a joke”. Estas são facilmente confundidas com conteúdo noticioso, por apresentarem títulos chamativos, fotografias e a organização de conteúdos.

O fact-checking, segundo Bran, é o mecanismo de proteção adotado pelo jornalismo contra as fake news. O estudo realizado pelo trio de Santiago de Compostela analisou as primeiras 25 verificações de 2018 dos websites MalditoBulo e B de Bulo. Nestas publicações, concluiu-se que as peças das páginas elmundotoday.com, haunoticia.es e 12minutos.com seguem a estrutura e conteúdos de notícias informativas – com a exceção de um pequeno “aviso legal” para a sua natureza humorística/satírica.

Bran seguiu para a enumeração das caraterísticas de cada um dos espaços de verificação, concluindo que o MalditoBulo tem maior impacto, maior capacidade de tormar as suas verificações virais e consegue ser mais conciso, enquanto o B de Bulo consegue uma análise mais profunda e com maior presença de elementos multimédia.

 

A influência das fake news na vacinação contra o sarampo em Portugal

Fotografia: Sofia Matos Silva

A segunda palestra foi a única com uma voz feminina – e com sotaque do Brasil. Tâmela Medeiros Grafolin trouxe um estudo realizado em conjunto com Joaquim Paulo Serra, na Universidade da Beira Interior. Neste, pretendia-se “perceber se as notícias falsas sobre a imunização contra o sarampo afetaram, de alguma maneira, o processo de decisão das famílias em vacinar ou não as crianças”.

Paralelamente, o estudo pretendia verificar quais os elementos das notícias absorvidos pelas famílias, assim como quais as principais fontes de informação sobre saúde. Grafolin abordou  o Modelo Cognitivo Idealizado e a evolução de boato para boato virtual e para fake news – o seu expoente máximo. A definição de fake news dada esteve em sintonia com a do orador anterior – a presente no dicionário de Cambridge (2018).

O contexto da pesquisa foi o do surto de sarampo no norte de Portugal. A investigadora destacou os “112 casos confirmados pela DGS”, a “vacinação não obrigatória do país” e que, dos 112 casos, “apenas 13% não haviam sido vacinados”. Foi feito um questionário de 28 perguntas aos familiares dos alunos do pré-escolar da Covilhã – a amostra foi formada por 31 pessoas.

Em jeito de conclusão, Grafolin defendeu que “as fake news sobre a eficácia da vacinação não são um risco em Portugal”, continuando os meios de comunicação social e os profissionais de saúde a ser os mais recorridos.

 

O universo das fake news satíricas

A ausência de Francisco Gilson Rebouças Pôrto Junior, da Universidade Federal do Tocantins, orador da comunicação “Fake News, profissionalização e comunicação: estudo sobre o efeito da terceira pessoa na atuação jornalística”, levaram à passagem direta da segunda para a quarta – e última – palestra.

Fotografia: Sofia Matos Silva

João Paulo Duque Löbe Guimarães (Universidade de Évora/CEL/c3i) trouxe o tema das “Satirical Fake News”. Em dez minutos, Guimarães forneceu diferentes conceitos de fake news, provenientes de diferentes autores, abordou as várias tipologias e explorou, em particular, as publicações The Onion e O António Maria.

Na sua perspetiva, as fake news podem ter origem em simples erros – sem qualquer intenção de se produzir conteúdo falso -, rumores, teorias da conspiração, sátiras, falsas declarações de políticos e publicações enganosas. Dividem-se em satire, hoax, propaganda e trolling – cada qual com o seu propósito.

No fim da sua apresentação, gerou-se um momento de debate entre o público presente no auditório e os oradores presentes. Para os que permaneceram na sala – e os vários grupos que esperavam à porta o fim da sessão – decorreu a apresentação do estudo ObCiber (colaboração GJOL e COM+ – “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”), com Fernando Zamith (Univ. Porto, Portugal) e Elizabeth Saad Corrêa (Univ. São Paulo, Brasil).

 

O Congresso prolongou-se pelo resto do dia, assim como pelo dia seguinte (23). As “ameaças ao ciberjornalismo” – a temática desta sexta edição – foram abordadas em conferências, debates e nas 53 sessões paralelas. Ainda houve tempo para atribuir os tão aguardados Prémios de Ciberjornalismo 2018.

 

Sofia Matos Silva (turma 1)

Desinformação: será que andamos todos assim tão bem informados?

O jornalismo online é cada vez mais o meio jornalístico de maior relevo. As novas tecnologias permitem a atualização constante e o saber imediato que caracterizam esta geração. Mas será que podemos acreditar que toda a informação é correta? Não vivemos antes na era da desinformação? A discussão é trazida pelo #6COBCIBER.

O crescimento do ciberjornalismo traz consigo desafios que andam a deixar a cabeça dos jornalistas em água. Um grande número de jornais a nível mundial já identificou  e alertou para a desinformação como uma ameaça atual, a par das fake-news. Esta ameaça tem vindo a ganhar terreno e põe em risco o jornalismo como o conhecemos.

A desinformação induz no leitor ideias falsas quanto a uma determinada realidade. Numa era em que a publicidade está no centro de toda a informação que consumimos, a desinformação surge com o objetivo de manipular o leitor e as suas opiniões em relação ao mundo que o rodeia.  Alguns dos métodos que a suportam são a supressão de informação, a modificação do sentido da informação, o uso de “pressupostos”, a associação a fenómenos distintos e descontextualizados, a generalização  ou a dissuasão.

A difusão de mensagens falsas e de informação manipuladora causa um caos na internet e consequentemente na sociedade em que vivemos. A desinformação coloca em causa uma questão muito importante: a da confiança. Até que ponto o que lemos é verdadeiro? Como distinguir a informação da tal desinformação? E, acima de tudo, qual a solução para tudo isto?

As respostas não são ainda certas mas os riscos estão bem à vista. Por ser uma questão séria, a desinformação é um dos temas-destaque do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a realizar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nos dias 22 e 23 de novembro. Pode ler-se mais sobre o evento e respetivo programa aqui.

Maria Inês Pinto da Costa, turma 1