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#6COBCIBER: Publicidade disfarçada de notícias?

A fronteira que separa os conteúdos jornalísticos da publicidade é cada vez menor num mundo cada vez mais digital. No segundo e último dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo fala-se de conteúdos patrocinados e da publicidade como um modelo de negócio para o jornalismo.

Público, Jornal de Notícias, Diário de Notícias e SIC Notícias são apenas alguns exemplos de jornais ou plataformas jornalísticas digitais portuguesas que disponibilizam conteúdo patrocinado, numa secção à parte das restantes notícias ou não. O tema foi discutido por vários dos oradores da sessão paralela do congresso #6COBCIBER.

O que é conteúdo patrocinado?

O conteúdo patrocinado (em inglês, sponsored contente) ocorre quando uma marca e um meio de comunicação trabalham em parceria e o conteúdo é produzido, publicado e promovido pela publicação nas suas plataformas. A publicidade não ocorre diretamente, mas através de artigos jornalísticos desprovidos de tom comercial e com caráter informativo, útil e interessante para o público-alvo da marca. Aquilo que é publicado assemelha-se ao conteúdo editorial da publicação do jornal online, mas é pago por uma marca e destina-se a promover o seu produto, com maior credibilidade.

Um modelo de negócio rentável

O assunto é global, mas na palestra foi também abordado o caso de Portugal. Ana Isabel Reis e Helena Lima apresentam a perspetiva dos conteúdos patrocinados nos sites de notícias portugueses, como duas das oradoras do painel.

Segundo as oradoras, um dos principais debates na produção mediática prende-se com a credibilidade das notícias e a existência de publicidade como notícia acentua a discussão. Na base está um novo modelo de negócio. Os lucros das formas de publicitação tradicional têm-se deteriorado e os jornais estão à procura de novas formas de financiamento. As marcas aproveitam a fidelidade do público a determinado meio de comunicação social para uma mais rápida e fácil aceitação do conteúdo publicado a seu favor.

Helena Lima e Ana Isabel Reis, professoras na Faculdade de Letras da Universidade do Porto FOTO: Carolina Pereira

Jornalismo versus Publicidade

Helena Lima e Ana Isabel Reis falam também dos perigos da publicidade na divulgação noticiosa. De acordo com as palestrantes, o conteúdo patrocinado assume um formato editorial diferente. No entanto, a semelhança com o formato das notícias normais leva a um maior consumo pelo público, que pode ser induzido a acreditar que está a ler notícias e não publicidade.

No caso português, analisado pelas professoras, as conclusões são positivas. O conteúdo patrocinado está identificado como tal na maioria dos jornais e encontra-se junto às notícias ou numa secção à parte. Os temas mais abordados pela publicidade são saúde, investimento, comida e moda.

Conteúdo patrocinado: sim ou não?

Valdir Ribeiro da Silva Junior, da Universidade de São Paulo e palestrante na sessão, fala da necessidade de definir o branded content no ciberjornalismo. Em causa está a difícil distinção entre o que é informação e o que é persuasão.

Segundo o orador, os consumidores respondem mais negativamente a conteúdo reconhecido como publicidade, porque têm medo de serem enganados. Nestes casos, é adotada uma postura mais cautelosa, crítica e menos confiante.

Uma das vantagens do conteúdo patrocinado é o pouco reconhecimento pelo público, mesmo com a identificação devida. O benefício está nessa falha em identificar a publicidade.

Valdir identifica os argumentos contra e a favor desta problemática. Se por um lado, o conteúdo patrocinado cria um dilema ético ao colocar em causa a transparência da publicidade, e também é visto como conteúdo de qualidade duvidosa, por outro lado, o jornalismo não deve ser apenas restrito a jornalistas e os lucros deste modelo de negócio podem financiar o jornalismo tradicional e dispendioso, como o de investigação.

Valdir Ribeiro da Silva Junior, jornalista e mestrando em Comunicação Social da Universidade de São Paulo FOTO: Carolina Pereira

Para além dos palestrantes referidos, a sessão paralela relativa ao “Ciberjornalismo e Modelos de Negócio” contou ainda com Javier Díaz Noci (Universidade Pompeu Fabra, Barcelona), Elizabeth Saad Corrêa (Universidade de São Paulo), Concha Edo e Matilde Hermida (Universidade Complutense de Madrid).

Os oradores da sessão paralela sobre “Ciberjornalismo e Modelos de Negócio” FOTO: Carolina Pereira

O VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorreu nos dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Juntamente com os conteúdos patrocinados, foram debatidos temas como Fake news, clickbait, pós-verdade e muitas outras ameaças ao ciberjornalismo.

 

Carolina Pereira

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Conteúdos Patrocinados – Publicidade ou Jornalismo?

Os conteúdos patrocinados estão cada vez mais presentes no ciberjornalismo. A ascensão deste fenómeno levanta várias questões relacionadas com a deontologia profissional e com a definição de jornalismo patrocinado.

“Sponsored By” nos media internacionais, ou “Conteúdos Patrocinados” nos media portugueses, são expressões cada vez mais recorrentes nos sites de órgãos de informação. Mas afinal, de que se tratam?

No meio jornalístico, trata-se de um texto que promove produtos ou mensagens patrocinadas por uma marca. O objetivo é permitir à empresa associar-se a um meio informativo credível e com grande visibilidade. Os conteúdos assumem a forma de notícia, e são muito semelhantes aos restantes artigos publicados pelo próprio órgão de comunicação.

À emergência dos conteúdos patrocinados, começou a associar-se a expressão “Jornalismo Patrocinado” , uma definição ainda em desenvolvimento, de acordo com Peter Beller. O diretor de conteúdo da plataforma freelancer Ebyline, explicou que “Não se trata de vender um produto. Trata-se de proporcionar aos consumidores informações de qualquer tipo que eles possam realmente procurar e encontrar”.

Vários orgãos de informação como o “Público”, “JN”, “Visão” e “Sic Notícias” incluem nas respetivas plataformas digitais uma secção dedicada apenas a conteúdos patrocinados. Também vários jornais, nos EUA, não só usam esta prática há anos, como têm gabinetes especializados para a produção dos referidos conteúdos: The New York Times com o T Brand Studio, Huffington Post com o Partner Studio e The Washington Post com o WP Brand Studio.

Contudo, a emergente adaptação de conteúdos patrocinados ao jornalismo suscite debates sérios relativos à deontologia profissional: trata-se ou não de publicidade mascarada? O conteúdo dos artigos deixa de ser jornalístico e passa a ser de marketing?

Vai poder encontrar respostas para estas e muitas outras questões no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a realizar-se dia 23 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A instituição vai receber um conjunto de palestras sobre as ameaças ao ciberjornalismo, entre as quais os conteúdos patrocinados, fake news, clickbait e pós-verdade.

Para mais informações consulte todos os horários e temáticas das sessões paralelas.

 

Catarina Fonseca / Turma 2

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