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#6COBCIBER: as ameaças ao ciberjornalismo

A falta de tempo, a precariedade, as visualizações, a monetização e a dependência das métricas foram as principais ameaças debatidas no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a 22 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Convidados no debate das ameaças ao ciberjornalismo Fotografia por: Sofia Frias

Quando confrontados com qual seria, atualmente, a principal ameaça ao ciberjornalismo, os convidados ofereceram respostas diferentes. Miguel Soares, editor e coordenador das redes sociais na Antena 1, afirma que atingir o maior número de pessoas e de visualizações possíveis se tornou uma obsessão. Miguel explica ainda que existe uma preocupação em chegar mais rápido e ser o primeiro, em detrimento da credibilidade. As notícias são publicadas sem existir uma justificação ou validação da informação.

Já Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, acredita que a falta de tempo leva a consequências na forma como as informações são partilhadas.

Para o diretor do V Digital, Sérgio Sousa, a dependência das métricas e a competitividade, em conjunto com a falta de tempo, são as principais ameaças ao ciberjornalismo. “Como transformar o trabalho em dinheiro”, é ainda outra das principais preocupações referidas pelo jornalista.

Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, defende, logo de início, que não deve existir uma diferenciação entre jornalismo e ciberjornalismo. Para Sofia, a precariedade é a ameaça ao jornalismo. A jornalista acredita que não existem condições em Portugal para existirem freelancers, sendo que estes têm que exercer outras atividades, para além do jornalismo, para se conseguirem sustentar.

A salvação do negócio

Quando questionados acerca do papel dos jornalistas na salvação do negócio, relativamente ao financiamento do meio, Pedro Santos começou por afirmar que o Fumaça é uma associação independente sem fins lucrativos. O principal objetivo deste jornal é informar de forma transparente, sem esperar qualquer tipo de lucro “a nossa única preocupação é ter os recursos suficientes para fazer jornalismo, pagar salários e ter contratos”. O único retorno que este jornal recebe é através de donativos.

O diretor do Fumaça apela ainda para uma reformulação nas prioridades no meio jornalístico. Por sua vez, Miguel Soares acredita que o financiamento é importante, contudo não deve afetar o trabalho dos jornalistas.

Sérgio Sousa, ao contrário de Pedro Santos, defende que o jornalismo “tem que ser rentável, porque só há independência editorial se houver independência financeira”. Através da sua experiência pessoal, afirma que no V Digital existe uma estratégia de grupo, cuja finalidade é ganhar dinheiro. Declara ainda que o objetivo dos jornalistas é ter o maior número de visualizações, para estas serem transformadas em dinheiro.

Para Sofia Branco “o jornalismo começa a mudar quando os diretores de informação começam a ser os diretores da empresa”. Revela que o negócio tem sido mal gerido, defendendo que não deve haver mistura de funções. Acredita que os jornalistas devem ter acesso a todas as ferramentas necessárias para abordar a informação de forma correta. A jornalista demonstra ainda preocupação com a taxa de 60% de abandono da profissão.

Sérgio Sousa, quando confrontado com o tópico do jornalismo como um bem público, afirma que o Estado tem que ter um papel essencial para permitir que o negócio seja exercido. Alerta ainda para a falta de atenção atribuída à política local, mencionando especificamente a pouca atenção atribuída aos órgãos de informação fora de Lisboa e do Porto.

Polígrafo, Fact-Checking e fake news

A última ronda do debate foi liderada por perguntas do público. A par do lançamento, no dia 6 de novembro, do primeiro jornal português de Fact-Checking, o Polígrafo, os convidados concordam com o objetivo deste jornal, defendendo que é essencial existir sempre a verificação da realidade.

“A credibilidade é fundamental no jornalismo” assegura Miguel Soares. Sérgio Sousa argumenta que os leitores devem ter em atenção as notícias e informações que consomem “não é ver uma notícia e acreditar”.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas confessa que “a luta contra o tempo é algo usual”, e que gostaria ainda de ver o Fact-Checking dentro das redações “se pudesse haver uma espécie de backup nas redações, de duas ou três pessoas, que pudessem ver aquilo que sai e verificar se é realmente dessa forma”.

Quando questionados acerca do impacto que o Fact-Checking poderia vir a ter nas fake news, Miguel Soares, declara que o mesmo complicaria o trabalho, mas podia vir a ser uma forma de afirmação do jornalismo. Contudo, explica que é fácil uma notícia falsa ser espalhada pelo mundo, principalmente através das plataformas online. O jornalista critica ainda os leitores, pois estes não procuram por fontes fidedignas ou credíveis.

Pedro Santos garante que nunca existiu tanto acesso a ferramentas que permitem descrever de forma transparente a realidade, como existem agora.

Sofia Branco afirma ainda “não compro a ideia de jornalismo neutro, há influência da opinião pública”. A jornalista encerra o debate apelando à mudança da bolha fechada que é o jornalismo, que se aproxima mais das elites do que os cidadãos.

Sofia Frias, up2017003932, Turma 4

Que problemas enfrenta o Ciberjornalismo em Portugal?

Fotografia por: Rafaela Lobo

“Não há foco no jornalismo”, afirma Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, já próximo do final do primeiro dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Esteve em debate o tema que dá mote ao Congresso, as “Ameaças ao Ciberjornalismo”, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Miguel Soares, editor-coordenador das redes sociais da Antena 1, aponta como um dos problemas a obsessão das redações em chegar ao maior número de pessoas , que pode tornar-se contraproducente.

Por outro lado, Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, culpa a falta de tempo, que traz consequências na forma como se pensa e trabalha.

Sérgio Sousa, diretor do V Digital, fala do retrato que o jornalista tem hoje, ao segundo, de quem está a ver e o que está a ver. Destaca que, se não se tiver cuidado, pode com isso perder-se o foco do jornalismo. Além disso, refere que o dinheiro envolvido também tem a sua influência, tal como em outros meios.

Já Sofia Branco salienta a situação de precariedade que os jornalistas enfrentam, chamando a atenção para o facto de um terço dos profissionais trabalharem como freelancers. Conclui que, por esse motivo, o foco deixa de estar no jornalismo, afetando-se a ética que é um princípio fundamental.

Como resolver estes problemas?

Esperam-se as soluções vindas dos jornalistas e não “dos senhores com os salários grandes”, refere a presidente do Sindicato dos Jornalistas. O setor enfrenta dificuldades e é preciso arranjar soluções adaptadas aos tempos atuais.

“Nunca fiz um trabalho com condicionantes, pressões de acionistas ou políticos”, afirma Miguel Soares, ressalvando que na rádio não se sente tanto essa pressão, salvo em casos excecionais. Pensa que a solução passa por se procurar uma atividade que chegue ao recetor de forma viável, de forma a haver independência.

Pedro Miguel Santos fala precisamente do projeto que lhe diz respeito, cujo “modelo de negócio é não ter negócio”, comparando o Fumaça a uma ONG. O projeto é financiado com bolsas de fundações como a OSF, Open Society Foundations, e a Gulbenkian. Contudo, acredita que um dia vai ser possível pagar o que fazem com as contribuições que recebem”, salientando que para tal é fundamental haver transparência.

Para o presidente do Fumaça “se se definirem prioridades é possível mudar algo no jornalismo”, dando o exemplo de equipas que andam todos os dias atrás do Presidente da República, gastando dinheiro que podia ser canalizado, por exemplo, para uma grande reportagem.

O jornalismo e o negócio

O objetivo dos meios é ser o mais ouvido ou o mais lido. “Só teremos independência editorial se tivermos independência financeira”, são as palavras de Miguel Soares.

Sofia Branco salienta a dificuldade que alguém que é diretor de informação e simultaneamente administrador encontra em não ser influenciado na tomada de decisões. Há uma confusão de funções. Assim, o jornalismo não pode ser alheio ao negócio e, se o negócio é mal gerido, acaba por culpar-se os jornalistas.

No que toca a esta relação, entre o jornalismo e o negócio, questiona-se o papel que o Estado devia ter, além da sua influência no serviço público de televisão ou rádio. Também o papel de multinacionais como a Google ou o Facebook, que “roubam” os conteúdos produzidos pelos jornalistas deve ser questionado.

Para Miguel Soares, o Estado deve assegurar pelo menos condições para se fazer bom jornalismo.

Como assegurar a verdade?

Hoje em dia consome-se informação como nunca mas é importante pensar-se se esta informação está a ser consumida da melhor forma. A última parte do debate destinou-se às perguntas da audiência.

Começou-se pelo Polígrafo, o novo projeto português direcionado para a verificação dos factos.

Os participantes do debate salientaram que esse “fact-checking” é inerente à prática do jornalismo. Apesar disso, Sofia Branco mostrou-se preocupada com o facto de isso poder não acontecer, devido à emergência que as redações sentem para a fazer chegar a notícia o mais rapidamente possível ao público.

Miguel Soares salienta que a diferença entre o jornalista e o cidadão comum passa pela credibilidade, pelo que as pessoas não devem por em causa aquilo que o jornalista diz. Apesar disso, a credibilidade tem de se conquistar, o que implica que as notícias sejam verificadas. “Os jornalistas devem estar escravizados pela credibilidade e não pelo tempo”, conclui.

Surgiu depois do público a questão sobre as fake news e a influência que podem ter na forma como se pratica o jornalismo.

Miguel Soares continuou, dizendo que estas sempre existiram, não se propagavam é com a rapidez de agora e que podem ser uma oportunidade para fortalecer o jornalismo.

Com isto, Pedro Miguel Santos concretizou o debate, afirmando a sua crença de que nunca houve tanto jornalismo de qualidade como hoje em dia.

O Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorreu nas passadas quinta e sexta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O primeiro dia terminou com a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo, logo após o debate.

Rafaela Lobo

A Universidade da Beira Interior recebe o 3º Congresso Internacional sobre jornalismo móvel a 22 e 23 de novembro. Além de conferências e debates, há ainda workshops para quem quiser passar da teoria à prática. As inscrições já estão abertas e são limitadas.

Renata Monteiro

O pressuposto é simples: com o desenvolvimento das novas tecnologias, o jornalismo tem agora meios quase infinitos para estar na sua melhor forma de sempre. Mas então, porque é que não está?

A organização do Congresso para Jornalismo Móvel acha que a resposta “pode estar na investigação científica” e por isso procurou “propostas que abram novas perspetivas ao jornalismo”. Nesta edição, debatem-se as formas de distribuição de conteúdos,os modelos de negócio e as novas linguagens e formatos. Tudo sobre um objeto que está todos os dias na sua mão: o smartphone.

É exatamente essa ferramenta que vai poder usar num dos três workshops que funcionam durante o congresso. O snapchat é uma das aplicações que junta informação ao entretenimento e a cara do snap Expresso, Iryna Shev, vai estar na Covilhã para explicar como se faz.

O congresso começou em 2009 num evento chamado “1º Encontro da Montanha”  e realiza-se desde 2012 de dois em dois anos. Este ano vão estar presentes na mesa dos jornalistas Alexandre Brito (Subdiretor de Informação da RTP), Diogo Queiroz Andrade (Público)
Miguel MartinsPedro Monteiro (Expresso) e Rui da Rocha Ferreira (Future Behind).

Se perdeu alguma destas apresentações pode ser que encontre os autores nos dois dias seguintes, no Porto. A 24 e 25 de novembro são os ciberjornalistas 3.0 que estão na mira do V Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#COBCIBER).

 

 

 

Beira Interior debate Jornalismo para dispositivos móveis

      O 3º Congresso de Jornalismo para dispositivos móveis vai concretizar-se nos dias 22 e 23 de novembro na Universidade da Beira Interior. 

      Paula Serra, Presidente da Faculdade de Artes e Letras, e Ramon Salaverría, diretor do Centro para Estudos de Internet e Meio Digital e professor de jornalismo  na Universidade de Navarra, estão encarregues das boas vindas e da conferência, respetivamente. Assim como na sessão da abertura, João Correia, Diretor do Labcom.IFP, vai estar encarregue do encerramento  e Edurado Pellanda, PUC do Rio Grande do Sul, pela última conferência do congresso.

       No dia 22 de novembro, o congresso vai contar com a presença de Alexandre Brito, Licenciado em Comunicação Social e “Master” em “Broadcast Journalism”, pela Universidade de Boston; Diogo Queidoz Andrade, fundador do Observador; Miguel Martins, professor no curso de Ciências da Comunicação – Jornalismo – na Universidade Autónoma de Lisboa e, ainda, Rui da Rocha Ferreira, diretor-editorial do Future Behind. Este é o painel de de jornalistas que vai debater o assunto em questão.

      No âmbito do tema do congreddo a Universidade vai disponibilizar os seguintes workshops: “Produção de conteúdos para Tablets” (Dia 21: 4h-18h; Dia 22: 18h-20h; Dia 23: 15h-18h), por Rita Paulino (Universidade Federal de Santa Catarina), “Criação e Aprendizagem da plataforma App Inventor (MIT) para jornalismo” (Dia 21: 16h-18h), por Eduardo Pellanda (PUC do Rio Grande do Sul)  e “Vídeo para Dispositivos Móveis” (Dia 21: 16h-20h, Dia 23:9h-12h), por Pedro Monteiro e Iryna Shev (Expresso). O preço da inscrição varia entre os 5 e 20 euros e as inscrições devem ser pagas no secretariado do DCA até ao dia 17 de novembro.

      O preço do congresso é de 50 com apresentação de paper e grátis sem a apresentação do mesmo.

      À semelhança da Beira Interior, o Porto vai receber O V Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#5COBCIBER), a 24 e 25 de novembro, para esclarecer as práticas e os desafios dos “Ciberjornalistas 3.0”.

Ana Guedes

Editado em: 18/10/2016