Arquivo de etiquetas: comum

III Jornadas ObCiber: debate das experiências académicas

As III Jornadas ObCiber realizaram-se no dia 4 de dezembro no pólo de Ciências da Comunicação, no Porto. Entre uma série de conferências e painéis, ocorreu um debate sobre diferentes experiências académicas entre representantes de três jornais digitais universitários.

O pólo de Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto recebeu, no passado dia 4 de dezembro, as III Jornadas do Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber).  O dia foi marcado por várias conferências e painéis sobre diferentes temas. À tarde, ocorreu um debate sobre as experiências académicas. O moderador foi Pedro Jerónimo, do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), e os participantes foram Anabela Grandim (diretora do Urbi @ Orbi), Afonso Ré Lau (antigo colaborador do JornalismoPortoNet) e Rui Barros (diretor do ComUM).

obciber1

Fonte: Observatório de Ciberjornalismo

Anabela Grandim, iniciou a conversa. A diretora do Urbi@Orbi apresentou o jornal como um “laboratório e forma de exploração do meio” sendo um “laboratório-escola” para os alunos de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior. O jornal digital mais antigo do país está prestes a completar 16 anos e, para a diretora, tem um papel importante como meio de divulgação da UBI, esperando dar uma “visibilidade dentro e fora da região”. Anabela Grandim referiu ainda que o Urbi@Orbi “abraça a linguagem multimédia, vídeo, aúdio e a importância da infografia”, funcionando como um serviço prestado aos alunos e à Universidade.

Na Univerdidade do Minho, o jornal digital existente é o ComUM. Segundo o seu atual diretor, o jornal baseia-se no lema “Sê Comum, pensa diferente”. O diretor afirmou que o ComUM procura dar uma “voz independente” aos seus alunos, funcionando sem a colaboração dos professores. O jornal defende uma forma de trabalho independente, assentanda, nas palavras do diretor, num “processo de aprendizagem que se foi construindo”.

obciber2

O diretor do ComUM, Rui Barros, realçou a importância da participação dos alunos.

O último orador foi o ex-colaborador do Jornalismo Porto Net (JPN), Afonso Ré Lau. Numa intervenção mais breve, o vencedor do  Prémio de Jornalismo do Fundão “Ensino Superior” apresentou o JPN como sendo uma redação onde está presente um “grande espírito de equipa”, auxiliado por uma supervisão dos professores. O ex-aluno sublinhou também a presença sempre de meios digitais, “nomeadamente de texto, imagem, aúdio, vídeo e infografias”.

Daí em diante, foi iniciada uma sessão de debate entre os membros presentes.

À questão de “como vêm o entusiasmo e como atraem os colaboradores”, os participantes falaram em aspetos semelhantes. Anabela Grandim referiu que “hoje os alunos já estão habituados a partilhar alguma coisa” e que eles acabam por “sair mais preparados do curso”. O diretor do ComUM subinhou, igualmente,  maior contribuição por parte dos novos alunos, confessando que têm “conseguido cativar bem a atenção dos alunos”.

O moderador Pedro Jerónimo realçou ainda, a respeito do assunto, que uma possível menor participação dos alunos deve-se “a projetos condicionados pelo ano letivo” e às sobrecargas dos horários.

Filipe Balreira

 

III Jornadas ObCiber: Experiências académicas

Foi no dia 4 de dezembro que as III Jornadas ObCiber ocuparam o pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (UP). Anabela Grandim, Rui Barros e Afonso Ré Lau  estiveram presentes no painel de experiências académicas.

O vigésimo aniversário do ciberjornalismo português foi celebrado com uma maratona de conferências, painéis e entrega de prémios organizada pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).

Depois de se ter assistido às conferências de Helder Bastos e João Canavilhas e se ter falado do futuro do ciberjornalismo, as jornadas retomaram o programa da tarde com o painel denominado “Experiências académicas”. Esta conversa foi protagonizada por Anabela Gradim (diretora do Urbi @ Orbi), Rui Barros (diretor do ComUM) e Afonso Ré Lau (antigo colaborador do JornalismoPortoNet – JPN) e moderada por Pedro Jerónimo.

obciber facebook

Fonte: Observatório do Ciberjornalismo (Facebook)

Depois de uma pequena introdução aos três projetos e três perspetivas diferentes em cima da mesa, a palavra foi dada a Anabela Gradim.

A professora começou por expôr um resumo da evolução do “projeto de ciberjornalismo académico mais antigo de Portugal”, o Urbi @ Orbi. O jornal digital, prestes a completar 16 anos, surgiu e mantém-se como um “laboratório de webjornalismo” e “protótipo para a investigação”, redigido pelos alunos do 3º ano de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI).

Com um estatuto editorial que defende a independência, a autonomia e a pluralidade, o objetivo máximo do projeto, segundo Anabela, é “tirar o melhor partido do meio” em que se insere, nunca esquecendo o “recurso à interatividade e multimedialidade”. No entanto, diz não prescindir de alguns princípios ligados ao jornalismo de imprensa, como é o caso da periodicidade e da existência de deadlines.

Foi com o lema “Sê ComUM, pensa diferente” projetado na tela, que Rui Barros deu início à sua intervenção. Segundo o recente diretor do projeto, o jornal digital da Universidade do Minho (UM) formou-se através das vontades conjuntas de “procurar o outro lado da notícia” e “tentar fazer aquilo que não sai” sem professores envolvidos diretamente no projeto.

Para além de ter falado da evolução do jornal, Rui partilhou parte da sua experiência pessoal. Colaborador desde o seu 1º ano na licenciatura, diz que deve a aprendizagem antecipada às aulas, a interação com alunos mais velhos e a rápida dissipação do medo de contactar fontes ao ComUM. Termina com uma mensagem de incentivo aos alunos de jornalismo, que deveriam dedicar parte do seu tempo e entusiasmo a projetos como os que são apresentados, parafraseado a citação de Marthe Troly-Curtin: “Time you enjoy wasting is not wasted time”.

A última intervenção foi feita por Afonso Ré Lau, “colaborador desde a primeira hora do JPN”. O vencedor do Prémio de Jornalismo do Fundão na categoria “Ensino Superior” falou da sua experiência como colaborador no jornal digital da licenciatura de Ciências da Comunicação da UP. “Fiz parte da geração dos 10 anos do JPN, uma geração hiperativa [na produção jornalística]”, disse. Na sua intervenção destacou também o espírito de equipa que se vivia na redação da época, em que proliferavam inúmeras propostas inovadoras e vontade de fazer mais e melhor.

Debate: o entusiasmo dos colaboradores

Depois das três exposições, deu-se espaço à intervenção do público, em que foi levantada uma questão, dirigida ao oradores de “fora da casa”, que despoletou bastante discussão: “Como atraem os vossos colaboradores?”.

Anabela começou por dar a solução proposta pelo Urbi @ Orbi: integrar a produção de conteúdos para o jornal na avaliação de algumas unidades curriculares. Depois, falou do “porquê” de há 15 anos o grau de entusiasmo dos colaboradores ser tão maior: “Hoje todos somos produtores de conteúdos”. Segundo a professora, as redes sociais vieram banalizar aquilo que há uma década era novidade e que captava a atenção dos aspirantes a jornalistas.

Já o ComUM, por ser, desde o início, independente da componente curricular da licenciatura, angaria colaboradores a partir da realização de palestras em que são divulgados os prémios que o projeto tem vindo a arrecadar. Rui afirma não existirem grandes flutuações no número de colaboradores que, a partir do momento em que se juntam, “vestem a camisola do projeto”.

Perto do final, Pedro Jerónimo também teve oportunidade de intervir. O moderador falou sobre o facto de todos estes jornais serem, infelizmente, condicionados pelo ano letivo e terminou afirmando que tanto o entusiasmo como a envolvência dos colaboradores “são essenciais para a sobrevivência dos projetos”.

Beatriz Pinto

Ciberjornalismo: III Jornadas ObCiber debateram o que melhor se faz na academia

12314177_1101512509861993_6821956448411328884_o

Fotografia: ObCiber

As Jornadas ObCiber abriram a terceira edição a celebrar os 20 anos de ciberjornalismo. O início da tarde abriu com três universidades a partilharem as experiências do jornalismo académico.

Urbi & Orbi, ComUM e Jornalismo Porto Net (JPN) foram os três projectos em destaque no painel “Experiências Académicas”, moderado por Pedro Jerónimos (Instituto Superior Miguel Torga – ISMT). O debate explicou como é que o laboratório que é o jornalismo de academia prepara os estudantes para a realidade de uma redacção.

Anabela Gradim, da Urbi & Orbi, apresentou o projecto da Beira Interior – o mais antigo da academia e que já conta com 16 anos e mais de oito mil edições –  como um verdadeiro laboratório que sempre acompanhou as evoluções da tecnologia. Rui Barros, diretor do ComUM, apresentou o projecto como algo que nasceu da “vontade” dos alunos, mas sem ser algo “contra os professores”, até porque vê neles os leitores mais “críticos”. Afonso Ré Lau, antigo colaborador do JPN, recordou a geração dos “10 anos do JPN”, uma geração marcada pela “hiperactividade” na forma de fazer jornalismo.

Só com força de vontade é que estes jornais conseguem ver o futuro, mas isso, segundo os três, é coisa que não falta. Prova disso foram as nomeações dos Prémios Ciberjornalismo 2015. O ComUM arrecadou o prémio de Ciberjornalismo Académico (“Por Onde Já Não Navegamos”), categoria em que o público deu o JPN como vencedor (“A Última Memória de África”).

As III Jornadas ObCiber terminaram com a conferência “Do ObCiber à RIIC: Investigar em Rede”, do professor Fernando Zamith, e com a apresentação de dois livros: “Ciberjornalismo de proximidade”, de Pedro Jerónimo, e “Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal: Os primeiros vinte anos (1995 – 2005)”, de Hélder Bastos.

Joana Nogueira Santos