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Clickbait no Congresso Internacional de Ciberjornalismo

O clickbait foi um dos temas abordados e em discussão no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#6COBCIBER). O evento, que se realizou nos dias 22 e 23, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, teve como mote as ameaças ao ciberjornalismo.

Numa das primeiras sessões do #6COBCIBER, realizada às 12h15, ocorreu a apresentação de um estudo do Observatório do Ciberjornalismo, sobre a presença e peso do clickbait no ciberjornalismo. Fernando Zamith, professor da Universidade do Porto, e Elizabeth Saad Corrêa, professora da Universidade de São Paulo, no Brasil, apresentaram o estudo.

“Qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?”, foi a questão que deu início à realização do estudo, para o qual foi necessária a participação de uma equipa de 28 investigadores, entre eles estudantes de mestrado e doutoramento, professores e grupos de investigação na área do ciberjornalismo.

A metodologia passou por realizar uma análise quantitativa e qualitativa do conteúdo. Numa primeira fase, foram recolhidos e analisados todos os cibermeios portugueses e brasileiros de informação geral e produção própria, com conteúdo jornalístico e título próprio. Em seguida, criou-se uma amostra, através da seleção de 5 conteúdos de destaque, mais lidos e “topo da página”.

Numa fase final da análise, foram identificadas 5 critérios que alimentam o clickbait: o exagero, o engano, a especulação, a publicidade e o entretenimento. São estes critérios os que mais preocupam os investigadores, na medida em que são os que geram mais clickbait. Dentro delas temos também o sensacionalismo, a provocação, o escândalo e a tragédia.

O estudo concluiu que se verifica uma maior percentagem de clickbait nos conteúdos e nas notícias “Mais Lidas”, nos “Destaques” e no Facebook. De um modo geral, o clickbait tem um uso reduzido, tanto nos cibermeios portugueses como brasileiros.

A sessão teve a duração de cerca de uma hora e permitiu responder a questões do público, através da apresentação dos resultados e conclusões, retiradas do estudo “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”.

 

Pedro Matias, turma 3

#6COBCIBER: O Clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro

Teve lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto ( FLUP), no dia 22 de novembro, uma palestra sobre o estudo do Observatório de Ciberjornalismo acerca do Clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro.

   Foto: Ana Isabel Reis

Esta palestra, realizada no âmbito do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, foi  apresentada por Elizabeth Saad Corrêa, da Universidade de São Paulo, em parceria com Fernando Zamith, da Universidade do Porto.

Clickbait é o conteúdo, de natureza sensacionalista ou provocativa, cujo principal objetivo é atrair atenção e chamar usuários para um determinado web site.

De acordo com o investigador luso , este estudo “nasceu como proposta do ObCiber”. O desafio foi lançado a vários grupos de investigação e outros especializados no ciberjornalismo, a estudantes de doutoramento e mestrado, e professores, o que culminou numa equipa composta por 28 elementos. Elizabeth Saad Corrêa ressalvou “ a junção de tantos pesquisadores”. Zamith referiu ainda que  “ as primeiras fases foram recolhidas, falta a parte de extrair os resultados e colocar questões sobre as fragilidades, e entender se a metodologia foi a melhor”.

A palestra foi dinamizada por uma apresentação de diapositivos que explicava todo o processo por que os investigadores passaram. A apresentação iniciou-se com uma questão: “Qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?” e sucederam-se as várias etapas pelas quais o vasto grupo de investigadores lusos e estrangeiros passaram.

Esta pesquisa demonstrou que o Clickbait é superior no Brasil em relação a Portugal, embora ligeiro em ambos os países .Esta baixa frequência de Clickbait sucede-se, na opinião dos investigadores,porque os  “veículos avaliados ,em sua maioria, são grandes portais de notícias e sites de jornais impressos.Seguem uma cobertura factual, principalmente em notícias de política e economia,e em títulos factuais não há espaço para clickbaits”.

Este estudo, em que a concentração da recolha foi realizada num único espaço temporal, pois a “ diversificação do período de recolha poderia resultar em alguma diferença na análise”, demonstrou também que, de entre os analisados, o “Portal R7 é o que apresenta mais clickbaits, justificados pela sua linha editorial”.

A conferência deu-se por terminada após o público ter direito a fazer algumas questões acerca deste estudo aos investigadores.

 

Pedro Diniz

Up201706164

Turma 3

#6COBCIBER: as ameaças ao ciberjornalismo

A falta de tempo, a precariedade, as visualizações, a monetização e a dependência das métricas foram as principais ameaças debatidas no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a 22 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Convidados no debate das ameaças ao ciberjornalismo Fotografia por: Sofia Frias

Quando confrontados com qual seria, atualmente, a principal ameaça ao ciberjornalismo, os convidados ofereceram respostas diferentes. Miguel Soares, editor e coordenador das redes sociais na Antena 1, afirma que atingir o maior número de pessoas e de visualizações possíveis se tornou uma obsessão. Miguel explica ainda que existe uma preocupação em chegar mais rápido e ser o primeiro, em detrimento da credibilidade. As notícias são publicadas sem existir uma justificação ou validação da informação.

Já Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, acredita que a falta de tempo leva a consequências na forma como as informações são partilhadas.

Para o diretor do V Digital, Sérgio Sousa, a dependência das métricas e a competitividade, em conjunto com a falta de tempo, são as principais ameaças ao ciberjornalismo. “Como transformar o trabalho em dinheiro”, é ainda outra das principais preocupações referidas pelo jornalista.

Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, defende, logo de início, que não deve existir uma diferenciação entre jornalismo e ciberjornalismo. Para Sofia, a precariedade é a ameaça ao jornalismo. A jornalista acredita que não existem condições em Portugal para existirem freelancers, sendo que estes têm que exercer outras atividades, para além do jornalismo, para se conseguirem sustentar.

A salvação do negócio

Quando questionados acerca do papel dos jornalistas na salvação do negócio, relativamente ao financiamento do meio, Pedro Santos começou por afirmar que o Fumaça é uma associação independente sem fins lucrativos. O principal objetivo deste jornal é informar de forma transparente, sem esperar qualquer tipo de lucro “a nossa única preocupação é ter os recursos suficientes para fazer jornalismo, pagar salários e ter contratos”. O único retorno que este jornal recebe é através de donativos.

O diretor do Fumaça apela ainda para uma reformulação nas prioridades no meio jornalístico. Por sua vez, Miguel Soares acredita que o financiamento é importante, contudo não deve afetar o trabalho dos jornalistas.

Sérgio Sousa, ao contrário de Pedro Santos, defende que o jornalismo “tem que ser rentável, porque só há independência editorial se houver independência financeira”. Através da sua experiência pessoal, afirma que no V Digital existe uma estratégia de grupo, cuja finalidade é ganhar dinheiro. Declara ainda que o objetivo dos jornalistas é ter o maior número de visualizações, para estas serem transformadas em dinheiro.

Para Sofia Branco “o jornalismo começa a mudar quando os diretores de informação começam a ser os diretores da empresa”. Revela que o negócio tem sido mal gerido, defendendo que não deve haver mistura de funções. Acredita que os jornalistas devem ter acesso a todas as ferramentas necessárias para abordar a informação de forma correta. A jornalista demonstra ainda preocupação com a taxa de 60% de abandono da profissão.

Sérgio Sousa, quando confrontado com o tópico do jornalismo como um bem público, afirma que o Estado tem que ter um papel essencial para permitir que o negócio seja exercido. Alerta ainda para a falta de atenção atribuída à política local, mencionando especificamente a pouca atenção atribuída aos órgãos de informação fora de Lisboa e do Porto.

Polígrafo, Fact-Checking e fake news

A última ronda do debate foi liderada por perguntas do público. A par do lançamento, no dia 6 de novembro, do primeiro jornal português de Fact-Checking, o Polígrafo, os convidados concordam com o objetivo deste jornal, defendendo que é essencial existir sempre a verificação da realidade.

“A credibilidade é fundamental no jornalismo” assegura Miguel Soares. Sérgio Sousa argumenta que os leitores devem ter em atenção as notícias e informações que consomem “não é ver uma notícia e acreditar”.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas confessa que “a luta contra o tempo é algo usual”, e que gostaria ainda de ver o Fact-Checking dentro das redações “se pudesse haver uma espécie de backup nas redações, de duas ou três pessoas, que pudessem ver aquilo que sai e verificar se é realmente dessa forma”.

Quando questionados acerca do impacto que o Fact-Checking poderia vir a ter nas fake news, Miguel Soares, declara que o mesmo complicaria o trabalho, mas podia vir a ser uma forma de afirmação do jornalismo. Contudo, explica que é fácil uma notícia falsa ser espalhada pelo mundo, principalmente através das plataformas online. O jornalista critica ainda os leitores, pois estes não procuram por fontes fidedignas ou credíveis.

Pedro Santos garante que nunca existiu tanto acesso a ferramentas que permitem descrever de forma transparente a realidade, como existem agora.

Sofia Branco afirma ainda “não compro a ideia de jornalismo neutro, há influência da opinião pública”. A jornalista encerra o debate apelando à mudança da bolha fechada que é o jornalismo, que se aproxima mais das elites do que os cidadãos.

Sofia Frias, up2017003932, Turma 4

#6COBCIBER na FLUP: A ameaça do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro

O VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, teve lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto nos dias 22 e 23 de Novembro. Um dos temas tratados no congresso foi a ameaça do Clickbait mais precisamente no ciberjornalismo português e brasileiro.

Clickbait é um termo pejorativo que se refere a conteúdo da internet de natureza sensacionalista ou provocativa, cujo principal objetivo é atrair atenção e chamar utilizadores para um determinado sítio web.

A palestra “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”, decorreu no dia 22 de novembro no auditório 2 da FLUP, durante o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Foi realizada pelo Professor Fernando Zamith da Universidade do Porto, Portugal em parceria com a  Professora Elizabeth Saad Corrêa da Universidade de São Paulo, Brasil.

Este estudo sobre a presença e o peso do clickbait no ciberjornalismo nasceu por proposta do Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber). O desafio foi lançado a vários grupos de investigação e outras personalidades que trabalham na àrea do ciberjornalismo, estudantes de doutoramento e mestrado, professores. O grupo de investigadores é composto por 28 pessoas.

Zamith admitiu que o estudo ainda não estava concluído. Apesar de as primeiras fases já estarem terminadas ( recolha e análise de dados ) ainda falta a parte de extrair os resultados, colocar questões sobre as fragilidades e discutir se a metodologia utilizada foi a melhor.

O estudo iniciou-se com a questão: “Qual o peso do clikbait no ciberjornalismo portugues e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?” e daí os dois professores começaram a explicar todo o processo realizado até ao momento, através de uma apresentação de diapositivos e a sua devida explicação. Os investigadores chegaram à conclusão que apesar de em ambos os países o valores nao serem muito significativos, o clickbait está mais presente no ciberjornalismo brasileiro.

Para finalizar, Elizabeth Saad Corrêa agradeceu a participação de todos os investigadores porque sem eles nada teria sido possível visto que as diferenças horárias e a distância podiam afetar o estudo.

Bárbara Ramos

As vantagens das redes sociais em discussão

 

A utilização das redes sociais é cada vez mais frequente, os Instagram Stories são uma ferramenta muito utilizada, passando pelas celebridades até aos jornalistas. Estas foram algumas das questões abordadas no Congresso de Ciberjornalismo.

O sexto Congresso de Ciberjornalismo realizou-se nos passados dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e contou com vários especialistas que trataram de assuntos relacionados com o Ciberjornalismo e algumas questões relacionadas com o meio digital.

Uma das sessões do primeiro dia teve como tema o Ciberjornalismo e as Redes Sociais. Com a moderação de Paulo Frias, Jorge Vázquez-Herrero ,vindo da Universidade de Santiago de Compostela, começou com “O Uso dos Instagram Stories nos media”. Este é um meio que tem vindo a crescer, segundo Jorge, depois de um estudo de apenas um mês, verificou-se que a publicação de Instagram Stories cresceu 20,5% e o tema principal é o desporto.

A Universidade do País Basco trouxe-nos a questão dos jogadores de futebol e as redes sociais. As redes sociais têm sido realmente uma grande ferramenta de divulgação para as celebridades e neste caso, para os futebolistas, que são dos mais seguidos, pois dá uma grande vantagem para a sua própria imagem e para o seu clube.

“O futebol não acontece só dentro de campo”, os fãs cada vez mais têm poder e podem seguir os seus ídolos fora do campo, há uma maior ligação entre os dois, graças, claro, às redes sociais.

 

 

 

Paulo Eduardo Silva Lins Cajazeira ajudou-nos a compreender a ligação dos jornalistas com as redes sociais, nomeadamente o Instagram. Muitos jornalistas publicam nas redes sociais a sua rotina, alguns só as utilizam para a sua vida pessoal mas na verdade estas têm sido um novo meio para os profissionais.

A instantaneidade, a multimédia e a memória são algumas das vantagens das redes sociais para jornalistas, futebolistas ou para qualquer pessoa e cada vez mais são utilizadas nesta era digital.

Bárbara Romeiro, turma 1

 

 

#6COCIBER: a propagação das Fake News no Ciberjornalismo

Como se tem difundido o fenómeno das Fake news no ciberjornalismo? Foi esta uma das questões debatidas no primeiro dia do Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a decorrer na Faculdade de Letras da UP.

Na Sessão Paralela do Congresso, que decorreu por volta das 14:30 no Anfiteatro 2 (apesar de um pequeno atraso) foi abordado o tema das Fake News. Foram convidados 4 oradores que apresentaram a sua opinião sobre este fenómeno e onde tentaram transmitir a importância da sua consciencialização. A sessão foi moderada por Fernando Zamith.

A sessão iniciou-se com uma oradora de uma Faculdade do Brasil, Maíra Bittencourt, em que esta expôs a influência das redes sociais, nomeadamente o Facebook, na propagação das fake news. A existência de páginas de conteúdo fake torna-se um perigo à credibilidade do ciberjornalismo, e o facto das redes sociais permitirem a sua partilha, aumenta a sua expansão.

Depois de se ouvir as conclusões de Maíra, seguiu-se Alexandra Fante, também do Brasil, que nos mostra como as fake news têm alterado o género discursivo e as consequentes repercussões no meio do ciberjornalismo. “Fake news desapropriam a verdade e desapropriam o formato e dos valores noticia”

A terceira oradora aborda o tema da Agência Lupa, a primeira agência de Fact-checking. Esta organização pretendeu ser uma importante ferramenta no combate às Fake news, apesar de alguns grupos políticos se mostrarem contra: “É a censura 2.0”

Por fim, a Sessão Paralela termina com a participação de Pedro Jerónimo, que aborda o mesmo tema mas de uma perspetiva completamente diferente das restantes. O orador menciona a importância de uma boa formação jornalística na era da propagação das Fake News. Pedro Jerónimo afirma que ainda existe uma incorporação mínima do tema das fake news nos cursos ligados ao jornalismo e que é necessário uma maior consciencialização.

A Sessão Paralela encerrou, deixando na mente de todos a importância da consciencialização do perigo das Fake News.

Entretanto o Congresso continuou e a Faculdade de Letras continuou como o palco de inúmeras outras palestras, onde foram abordados outros temas como: Clickbait, Redes Sociais e o Sedentarismo no Ciberjornalismo.

Mariana Ribeiro

Clickbait discutido no VI Congresso de ciberjornalismo

A ameaça do clickbait, no contexto português e brasileiro foi abordada no VI Congresso Internacional de ciberjornalismo que se realizou no dia 22 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Na sessão de “Estudo ObCiber (colaboração GJOL e COM+): “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro” foi analisado este tema e as diferenças existentes entre Portugal e o Brasil.

Os investigadores que apresentaram o estudo, Fernando Zamith e Elizabeth Saad, realizaram um trabalho que, ao todo, contou com 28 investigadores.

Através deste estudo, os pesquisadores definiram o clickbait como “uma estratégia de configuração e narrativa de um conteúdo em Mídias digitais com o objetivo de atrair a atenção do usuário para o clique em um link”.

O estudo teve como base a questão: “Qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?”.

Para esta questão foram apresentadas quatro hipóteses e foram definidos o objeto, as unidades, a amostra e a metodologia, que levaram os investigadores até às respostas para as hipóteses anteriormente mencionadas.

A recolha de dados foi feita em 18 cibermeios em ambos os países. Portugal em todas as categorias – exagero, engano, especulação, publicidade e entretenimento – obteve níveis mais baixos do que o Brasil.

No final, a resposta à questão supracitada foi que a influência do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro é “muito ligeira, um pouco superior no Brasil” e as hipóteses referidas foram infirmadas e verificadas.

O clickbit mostrou ser superior nos conteúdos “mais lidos”, seguido dos conteúdos em “destaque” e, por último, nos conteúdos do “facebook”.

Segundo este estudo, os cibermeios analisados correspondem, na sua maioria, a títulos seguros que se preocupam em manter a credibilidade junto do público e, por isso, não foram encontrados níveis de clickbait tão elevados.

Mariana Barreto Teixeira    Turma 2

#6COBCIBER: as ameaças ao jornalismo que surgem de dentro para fora

A sexta edição do Congresso Internacional de Ciberjornalismo aconteceu nos dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Como parte da programação do segundo dia, o professor Manuel Pinto abordou o tema “Ameaças ao (ciber)jornalismo que vêm do próprio campo jornalístico” em conferência.

Manuel Pinto na conferência “As ameaças ao (ciber)jornalismo que vêm do próprio campo jornalístico”. Foto: Ana Isabel Reis

Em tempos de fake news, conteúdos patrocinados, publicação amadora e redes sociais, para Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho, é um erro pensar que os problemas do jornalismo se resolverão apenas por meio do próprio jornalismo. Segundo o orador, falta um posicionamento de defesa e preservação por parte dos profissionais, que por vezes, exercem seus papéis pela ótica do entretenimento e do lucro, e assim, contribuem a colocar a credibilidade de suas profissões em questão.

Ao abordar o jornalismo cidadão como uma das ameaças, o professor afirmou que “é preciso separar o trigo do joio, o que é jornalismo e o que não é”. E complementou a dizer que o “fazer jornalístico” é privilégio daqueles que vivem para o ofício. Cabe ao jornalista o papel de editar, buscar a verdade a todo custo e investigar com competência, tempo e dedicação.

Manuel também pontuou que essas ameaças podem abrir oportunidades para novas questões. Segundo o professor, para contorná-las é importante enxergar a sociedade como sujeitos e não como audiências, se preocupar com a transparência e refletir para além do jornalismo, a conhecer outras áreas e a dialogar com a sociedade.

Como resultado positivo da preocupação dos jornalistas diante dessas circunstâncias, o conferencista mencionou a iniciativa do Sindicato dos Jornalistas que consiste em introduzir a literacia mediática na educação dos adolescentes. O projeto foi apoiado pelo Ministério da Educação e será implementado inicialmente em sete escolas do ensino secundário.

Jessica Santos

Turma 4

Desinformação: será que andamos todos assim tão bem informados?

O jornalismo online é cada vez mais o meio jornalístico de maior relevo. As novas tecnologias permitem a atualização constante e o saber imediato que caracterizam esta geração. Mas será que podemos acreditar que toda a informação é correta? Não vivemos antes na era da desinformação? A discussão é trazida pelo #6COBCIBER.

O crescimento do ciberjornalismo traz consigo desafios que andam a deixar a cabeça dos jornalistas em água. Um grande número de jornais a nível mundial já identificou  e alertou para a desinformação como uma ameaça atual, a par das fake-news. Esta ameaça tem vindo a ganhar terreno e põe em risco o jornalismo como o conhecemos.

A desinformação induz no leitor ideias falsas quanto a uma determinada realidade. Numa era em que a publicidade está no centro de toda a informação que consumimos, a desinformação surge com o objetivo de manipular o leitor e as suas opiniões em relação ao mundo que o rodeia.  Alguns dos métodos que a suportam são a supressão de informação, a modificação do sentido da informação, o uso de “pressupostos”, a associação a fenómenos distintos e descontextualizados, a generalização  ou a dissuasão.

A difusão de mensagens falsas e de informação manipuladora causa um caos na internet e consequentemente na sociedade em que vivemos. A desinformação coloca em causa uma questão muito importante: a da confiança. Até que ponto o que lemos é verdadeiro? Como distinguir a informação da tal desinformação? E, acima de tudo, qual a solução para tudo isto?

As respostas não são ainda certas mas os riscos estão bem à vista. Por ser uma questão séria, a desinformação é um dos temas-destaque do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a realizar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nos dias 22 e 23 de novembro. Pode ler-se mais sobre o evento e respetivo programa aqui.

Maria Inês Pinto da Costa, turma 1

O anonimato na Internet: mais negativo que positivo?

Desde que foi criada que uma das particularidades mais louvadas da Internet é a possibilidade de anonimato, ou pseudonimato, que oferece aos seus utilizadores. Esta é uma das temáticas em debate no #6COBCIBER. 

A necessidade de expressar uma opinião, dar voz a um pensamento, é quase universal. Durante anos, o microfone foi dado apenas àqueles considerados dignos, como políticos e comentadores, que expressavam as suas ideias formal e amplamente para um público, que sabia exatamente quem disse o quê e atribuía um julgamento, quer negativo quer positivo, com base em tal.

Com a chegada da Internet, tal mudou drasticamente. A possibilidade de anonimato, ou pseudonimato, que esta rede global oferece aos seus utilizadores fez com que o João de Portugal ou a Ashley dos Estados Unidos se tornassem tão ou mais influentes que os políticos e comentadores de outrora.

Quem diz o João ou a Ashley, diz a ativista pelos direitos LGBT russa; ou a mãe mexicana, ilegal nos EUA, que num post anónimo, documenta os riscos que corre e os sacrifícios que faz pelo seu filho todos os dias, num post do reddit. Mas, regra geral, o que é arma do bem, pode ser também do mal.

Através da máscara do anonimato ou pseudonimato, websites como o Reddit, o 4chan e o Quora agrupam e promovem, direta ou indiretamente, o pior da Internet. Recentemente, um grupo de internet trolls – pessoas que provocam uma comunidade ou alguém em particular, propositadamente, através de piadas ou afirmações, para efeitos de normalização do discurso tangencial ou para o seu próprio divertimento – criou e distribuiu cartazes fomentadores da ideia de que pedófilos pertencem à comunidade LGBT, de maneira a denegrir a imagem do grupo.

Na rede social Twitter, várias pessoas reagiram com repulsa ao conteúdo do panfleto. No entanto, a jogada do movimento alt-right – que se opõe à comunidade LGBT – foi rapidamente desmascarada pelo website de fact-checking Snopes.

É também no Twitter – onde o anonimato é menos frequente, mas possível e utilizado – que a comunidade de gamers Gamergate constantemente ameaça as vidas de mulheres no mundo da tecnologia; ou onde multidões forçaram o editor do The New York Times Jonathan Weiss a abandonar a rede social, após um bombardeamento de comentários anti-semíticos, espoletado pelo lançamento do seu livro (((Semitism))), onde critica Donald Trump e os seus ideais.

Coisas que nunca se diriam na cara de alguém são facilmente digitadas e enviadas através de uma conta falsa. A percepção de que tais atos não trarão consequências, devido à maioria das vítimas não ter tempo e meios para desmascarar as pessoas por detrás dessas contas, faz com que elementos básicos da comunicação interpessoal sejam parcial ou totalmente esquecidos – a empatia, por exemplo. O facto de que na Internet se fala com avatars e/ou screen names leva ao esquecimento que, por detrás desses, estão pessoas reais. Tal verifica-se, especialmente, nas celebridades, como no caso da apresentadora do Saturday Night Live, Leslie Jones, acossada online por centenas de pessoas pelo seu aspeto físico.

Deveria, então, o anonimato na Internet ser totalmente abolido para evitar situações destas? Enquanto sociedade, deveríamos nós estabelecer normas de interação social online? Ou o sistema está perfeito atualmente?

São estas e outras questões que vão estar em debate no #6COBCIBER – VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, dias 22 e 23 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Adriana Pinto