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Ciberjornalismo: As VII Jornadas ObCiber estão já aí

“Cibermeios e Desinformação” é o tema de debate para as VII Jornadas ObCiber que irá decorrer no dia 15 de dezembro e que irá anunciar os vencedores dos Prémios do Ciberjornalismo 2021.

Cartaz oficial das Jornadas ObCiber. FONTE: Site oficial ObCiber

Já estão apurados os finalistas da 14º Edição dos Prémios do Ciberjornalismo 2021 que irão ser anunciados 15 de dezembro a partir das 16h30 em formato online, após o debate “Cibermeios e Desinformação” que tem início pelas 14h00.

Os vencedores em destaque pela nomeação de “Excelência Geral em Ciberjornalismo” são o Observador, o Público e a Rádio Renascença, também nomeados para outras categorias.

É com a reportagem multimédia: “Síndrome de Tourette: Os tiques não os definem”  que o JPN está nomeado para a categoria Ciberjornalismo Académico. Os outros nomeados para a categoria são a Universidade do Minho com “Europa: o porto seguro? A viagem de uma família em busca de paz” e ComUM com “Nas profundezas do íntimo. A pornografia à sombra do desejo”.

IBERIFIER é liderado em Portugal pelo ISCTE e é um dos oito observatórios regionais de medias digitais promovidos com fundos europeus para investigar a desinformação. A Universidade de Navarra e a LUSA fazem também parte deste projeto.

Para conhecer os júris dos Prémios Ciberjornalismo 2021 basta a aceder ao seguinte link da ObCiber. 

O debate “Cibermeios e Desinformação” irá contar com a moderação de Helder Bastos (Universidade do Porto) e com a participação de Gustavo Cardoso (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, PT), Natália Leal (Agencia Lupa, BR), Ramón Salaverría (Universidade de Navarra, Es) e Luísa Meireles (LUSA, PT).

As votações do público para nomear os vencedores e a inscrição para participar no debate irão decorrer até dia 13 de dezembro através da plataforma online do Observatório do Ciberjornalismo.

Carolina Martins

#6COBCIBER: Publicidade disfarçada de notícias?

A fronteira que separa os conteúdos jornalísticos da publicidade é cada vez menor num mundo cada vez mais digital. No segundo e último dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo fala-se de conteúdos patrocinados e da publicidade como um modelo de negócio para o jornalismo.

Público, Jornal de Notícias, Diário de Notícias e SIC Notícias são apenas alguns exemplos de jornais ou plataformas jornalísticas digitais portuguesas que disponibilizam conteúdo patrocinado, numa secção à parte das restantes notícias ou não. O tema foi discutido por vários dos oradores da sessão paralela do congresso #6COBCIBER.

O que é conteúdo patrocinado?

O conteúdo patrocinado (em inglês, sponsored contente) ocorre quando uma marca e um meio de comunicação trabalham em parceria e o conteúdo é produzido, publicado e promovido pela publicação nas suas plataformas. A publicidade não ocorre diretamente, mas através de artigos jornalísticos desprovidos de tom comercial e com caráter informativo, útil e interessante para o público-alvo da marca. Aquilo que é publicado assemelha-se ao conteúdo editorial da publicação do jornal online, mas é pago por uma marca e destina-se a promover o seu produto, com maior credibilidade.

Um modelo de negócio rentável

O assunto é global, mas na palestra foi também abordado o caso de Portugal. Ana Isabel Reis e Helena Lima apresentam a perspetiva dos conteúdos patrocinados nos sites de notícias portugueses, como duas das oradoras do painel.

Segundo as oradoras, um dos principais debates na produção mediática prende-se com a credibilidade das notícias e a existência de publicidade como notícia acentua a discussão. Na base está um novo modelo de negócio. Os lucros das formas de publicitação tradicional têm-se deteriorado e os jornais estão à procura de novas formas de financiamento. As marcas aproveitam a fidelidade do público a determinado meio de comunicação social para uma mais rápida e fácil aceitação do conteúdo publicado a seu favor.

Helena Lima e Ana Isabel Reis, professoras na Faculdade de Letras da Universidade do Porto FOTO: Carolina Pereira

Jornalismo versus Publicidade

Helena Lima e Ana Isabel Reis falam também dos perigos da publicidade na divulgação noticiosa. De acordo com as palestrantes, o conteúdo patrocinado assume um formato editorial diferente. No entanto, a semelhança com o formato das notícias normais leva a um maior consumo pelo público, que pode ser induzido a acreditar que está a ler notícias e não publicidade.

No caso português, analisado pelas professoras, as conclusões são positivas. O conteúdo patrocinado está identificado como tal na maioria dos jornais e encontra-se junto às notícias ou numa secção à parte. Os temas mais abordados pela publicidade são saúde, investimento, comida e moda.

Conteúdo patrocinado: sim ou não?

Valdir Ribeiro da Silva Junior, da Universidade de São Paulo e palestrante na sessão, fala da necessidade de definir o branded content no ciberjornalismo. Em causa está a difícil distinção entre o que é informação e o que é persuasão.

Segundo o orador, os consumidores respondem mais negativamente a conteúdo reconhecido como publicidade, porque têm medo de serem enganados. Nestes casos, é adotada uma postura mais cautelosa, crítica e menos confiante.

Uma das vantagens do conteúdo patrocinado é o pouco reconhecimento pelo público, mesmo com a identificação devida. O benefício está nessa falha em identificar a publicidade.

Valdir identifica os argumentos contra e a favor desta problemática. Se por um lado, o conteúdo patrocinado cria um dilema ético ao colocar em causa a transparência da publicidade, e também é visto como conteúdo de qualidade duvidosa, por outro lado, o jornalismo não deve ser apenas restrito a jornalistas e os lucros deste modelo de negócio podem financiar o jornalismo tradicional e dispendioso, como o de investigação.

Valdir Ribeiro da Silva Junior, jornalista e mestrando em Comunicação Social da Universidade de São Paulo FOTO: Carolina Pereira

Para além dos palestrantes referidos, a sessão paralela relativa ao “Ciberjornalismo e Modelos de Negócio” contou ainda com Javier Díaz Noci (Universidade Pompeu Fabra, Barcelona), Elizabeth Saad Corrêa (Universidade de São Paulo), Concha Edo e Matilde Hermida (Universidade Complutense de Madrid).

Os oradores da sessão paralela sobre “Ciberjornalismo e Modelos de Negócio” FOTO: Carolina Pereira

O VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorreu nos dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Juntamente com os conteúdos patrocinados, foram debatidos temas como Fake news, clickbait, pós-verdade e muitas outras ameaças ao ciberjornalismo.

 

Carolina Pereira

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