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Trabalhadores no Catar. Fotografia: Ali Haider

“Violações persistentes e generalizadas dos direitos trabalhistas” da Copa do Mundo, no Catar

Novo relatório emitido por um grupo dos Direitos Humanos confirma exploração aos trabalhadores nas obras para a Copa do Mundo no Catar.

No dia 10 de novembro (2022), foi lançado um novo relatório por parte do grupo de direitos humanos Equidem, afirmando exploração trabalhista na Copa do Mundo no Catar. O grande número de imigrantes já levantava suspeitas consoante à constante violação dos direitos humanos feita pelas políticas da sede da Copa.

Desde que o Catar foi o país escolhido para receber o Mundial de Futebol, existiram várias críticas sobre o desrespeito aos direitos humanos, em suma, os direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+. Mas, através desta investigação também foi afirmado a ocorrência de “Violações persistentes e generalizadas dos direitos trabalhistas”.

De acordo com a organização Amnistia International, 1,7 milhões de trabalhadores sofreram abusos, exploração e em alguns casos, trabalho forçado na preparação do Mundial. Falha no cumprimento de direitos, grandes cargas horárias, má remuneração e abusos psicológicos tornaram da Copa, um pesadelo na vida destes trabalhadores.

Trabalhadores no Catar. Reprodução/BBC

Após entrevistarem dezenas de trabalhadores para investigação do caso, foi relatado discriminação pela nacionalidade em 47% desses funcionários. Baseada nessa xenofobia, relatam terem ameaçados e sido forçados a trabalhar. “ Apesar dos riscos extremos para a sua saúde e segurança […], relataram que não receberam licença médica e foram forçados a trabalhar doentes e exaustos sob ameaças de rescisão”, afirma o relatório.

Para além das condições precárias de trabalho, a remuneração não era feita de maneira correta. Dos entrevistados, 9 dos 60 trabalhadores relataram salários e benefícios não pagos (15%). Mesmo com o governo do Catar introduzindo nos últimos anos reformas trabalhistas (incluso a introdução de um salário mínimo), houve uma falha significativa na implantação do mesmo.

“Certa vez, quando estava no trabalho, fiquei muito cansado e precisei fazer uma pausa. O chefe do acampamento veio até mim e ameaçou cortar meu salário por dois dias. Ele até ameaçou me mandar de volta para casa”, descreve trabalhador de origem indiana que prefere não se identificar.

De acordo com o governo do Nepal, mais de 2 mil operários nepaleses morreram durante o período de obras para a copa no Catar. As famílias das vítimas ficam sem satisfação sobre as mortes, e muito menos indemnização.

Com o objetivo de impedir denuncias, a organização da infraestrutura do evento, retiraram os trabalhadores do estádio durante a inspeção da FIFA. 

Em reação, segundo o jornal Daily Mail, a organização da Copa afirma que este relatório é “completamente desequilibrado”, e que representa uma “narrativa unilateral”.

Por Igor Fernandes.

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“Estas lições de moral de um lado são apenas hipocrisia”

Fonte: Sky News

Em conferência de imprensa, na véspera do início do Mundial, o presidente da FIFA Gianni Infantino acusou os críticos de serem hipócritas e defendeu o Catar.

Após as inúmeras críticas que surgiram com a aproximação do começo do Campeonato do Mundo 2022 que se realiza no Catar, o presidente da organização que controla o futebol internacional, Gianni Infantino, deu uma conferência de imprensa em Doha onde acusou o ocidente de “hipocrisia”. Infantino criticou as ações dos europeus no mundo e disse “devíamos pedir desculpa pelos próximos 3000 anos, antes de começar a dar lições de moral a alguém”.

O dirigente da FIFA admitiu que há situações, no país que recebe a maior competição de seleções do mundo, que precisam de mudar e devem ser abordadas e expressou o seu apoio à comunidade LGBTQIA+.

Infantino disse ainda “hoje sinto-me catari, sinto-me árabe, sinto-me africano, sinto-me gay, sinto-me deficiente, sinto-me trabalhador migrante… sinto-me tudo ao mesmo tempo”. Estas declarações que visavam demonstrar o apoio a todos os prejudicados pela discriminação tornaram-se polémicas e serviram para aumentar a revolta de todos os que são contra a realização de um Mundial num país que não respeita os direitos humanos.

Segundo o The Guardian, 6500 trabalhadores migrantes morreram durante a construção dos estádios para receber o Campeonato do Mundo do Catar.

Veja aqui a notícia.

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João Domingues