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Clickbait no Congresso Internacional de Ciberjornalismo

O clickbait foi um dos temas abordados e em discussão no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo (#6COBCIBER). O evento, que se realizou nos dias 22 e 23, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, teve como mote as ameaças ao ciberjornalismo.

Numa das primeiras sessões do #6COBCIBER, realizada às 12h15, ocorreu a apresentação de um estudo do Observatório do Ciberjornalismo, sobre a presença e peso do clickbait no ciberjornalismo. Fernando Zamith, professor da Universidade do Porto, e Elizabeth Saad Corrêa, professora da Universidade de São Paulo, no Brasil, apresentaram o estudo.

“Qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?”, foi a questão que deu início à realização do estudo, para o qual foi necessária a participação de uma equipa de 28 investigadores, entre eles estudantes de mestrado e doutoramento, professores e grupos de investigação na área do ciberjornalismo.

A metodologia passou por realizar uma análise quantitativa e qualitativa do conteúdo. Numa primeira fase, foram recolhidos e analisados todos os cibermeios portugueses e brasileiros de informação geral e produção própria, com conteúdo jornalístico e título próprio. Em seguida, criou-se uma amostra, através da seleção de 5 conteúdos de destaque, mais lidos e “topo da página”.

Numa fase final da análise, foram identificadas 5 critérios que alimentam o clickbait: o exagero, o engano, a especulação, a publicidade e o entretenimento. São estes critérios os que mais preocupam os investigadores, na medida em que são os que geram mais clickbait. Dentro delas temos também o sensacionalismo, a provocação, o escândalo e a tragédia.

O estudo concluiu que se verifica uma maior percentagem de clickbait nos conteúdos e nas notícias “Mais Lidas”, nos “Destaques” e no Facebook. De um modo geral, o clickbait tem um uso reduzido, tanto nos cibermeios portugueses como brasileiros.

A sessão teve a duração de cerca de uma hora e permitiu responder a questões do público, através da apresentação dos resultados e conclusões, retiradas do estudo “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”.

 

Pedro Matias, turma 3

#6COBCIBER: “Em que medida é que a agenda jornalística é uma prerrogativa apenas do próprio jornalista?”

Manuel Pinto marcou presença no segundo e último dia do VI Congresso de Ciberjornalismo, na Faculdade de Letras do Porto. O professor catedrático da Universidade do Minho deu voz à conferência “As ameças ao (ciber)jornalismo que vêm do próprio campo jornalístico”, que teve como tema central a participação do cidadão no meio. 

Por volta das 11h30 de dia 23 de novembro, Ana Isabel Reis, membro da Comissão Organizadora, apresentou o orador e salientou a importância de se perceber quais as ameças que o (ciber)jornalismo enfrenta no próprio campo. Manuel Pinto, começou por agradecer o convite e inicia a conferência, ressalvando a importância do jornalismo na esfera pública, assim como perceber de forma as ameaças são preocupantes.

As ameças são vistas como entraves?

Manuel Pinto considera que atualmente “nós estamos perante um campo e uma atividade ameaçada, um jornalismo assediado”. As ameaças ao jornalismo, segundo o professor, têm uma carga negativa forte e levam a que, consequentemente, surjam atitudes de defesa. No entanto, Manuel Pinto aponta a importância de “uma atitude de levantamento, de crispação,” para conseguirmos refletir criticamente acercas destas ameaças.

O orador afirmou que a linha guia da conferência baseava-se em perceber “de que maneira é que estas ameças, estes problemas nos podem abrir portas para colocar outras perguntas e eventualmente procurar outras soluções e caminhos”.  Para Manuel Pinto, é um visão redutora pensar que os problemas do jornalismo são resolvidos unicamente através do próprio meio, sendo esta “uma reflexão autorreferencial do jornalismo”. Desta maneira, o orador acaba por encarar o jornalismo como parte do problema, mas também parte da solução.

O professor defende ainda que a situação atual do jornalismo tem de provocar nos profissionais inquietações e fazer com que estes se questionem acerca de colocação diferente perante o problema que têm em mãos. Parafraseando Abel Salazar, Manuel Pinto adaptou uma das suas frases e reitera que “o jornalismo que só olha para o jornalismo, nem para o jornalismo olha”.

Desafios preocupantes

O conceito de jornalismo de cidadão foi a primeira ameaça abordada na conferência. Segundo o orador, este movimento cívico foi a primeira grande intimação dos jornalistas e ainda continuar a ter uma papel bastante ativo na sociedade de hoje. Manuel Pinto questiona-se: “em que medida é que a agenda ganharia ou perderia em ser partilhada com os públicos do próprio jornalismo?”. No ponto de vista do professor, temos que separar “alhos de bugalhos” e o “trigo do joio” e “acautelar o que é jornalismo e o que não é jornalismo”.

Manuel Pinto é muito prático e simples na sua opinião, na medida em que afirma que “o privilégio do jornalista, de buscar a verdade, a todo o custo, incomodar o poder, verificar a informação e cruzá-la, investigar, etc. são tarefas que um blogger que por muito que se esforce na vida nunca poderá fazer com a competência, com o tempo e com a dedicação que um jornalista faz”.

Apesar do movimento cívico ter perdido a sua força inicialmente, no final dos anos 90 e início dos anos 2000, despoletou pois começaram a surgir ferramentas que permitiam às pessoas ter voz no espaço público: os blogs.

Não só so blogs como o aparecimento das redes sociais vieram “enriquecer a multiplicação dos polos de enunciação”. O discurso dos cidadãos aparece como “perigo público”, na medida em que “punham em causa o discurso vinculado a um protocolo de natureza ética e deontológica que são uma garantia da qualidade de informação”. O orador reitera que é preocupante que a maior parte dos cidadãos se informem através das redes sociais.

“Não podemos pensar no público apenas como audiência”

Um dos grandes problemas que afeta o jornalismo é o afastamento entre o jornalista e a sua audiência e o facto de o jornalista “não inscrever na sua agenda de preocupações as necessidades e as inquietações do seu público”. Para Manuel Pinto é fulcral pensar numa “cultura de escuta”, em que existe um desenvolvimento não só da competência da escuta, como também um desenvolvimento na capacidade perguntar.

O orador reflete que o modo como as perguntas são apresentadas é uma forma autoritária de impor as respostas do público, “como se não houvesse margem para a voz do interlocutor”. “A arte de escutar essa voz voz é fundamental (…), para ouvir não basta ter ouvidos”, afirma.

A esperança no jornalismo

Perto do fim da conferência, Manuel Pinto disse que a “transparências dos processos é tão importante como o sonho da objetividade que marcou gerações de jornalistas”. Esta transparência é fundamental para acreditar a informação e a confiança nessa mesma informação.

Ainda referindo o livro “Os Elementos do Jornalismo” de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, o professor fez questão de salientar a capacidade que os autores tiveram em “captar a tendência” na 3º edição do livro, acrescentando mais um princípio relacionado com o papel dos cidadãos. “Nós nunca tivemos uma situação no passado em que todas as pessoas participavam. A crença de que as tecnologias iam abrir portas às dinâmicas de participação e que iria ser um céu, tornou-se um inferno”, brinca.

Manuel Pinto remata que apesar de existirem forças que desvalorizam a qualidade da informação, ainda existem “forças elites a lutar pela boa qualidade”. O orador acredita que o jornalismo salvou-se vai-se continuar a salvar porque no meio há pessoas a lutar pela qualidade e inovação. É necessário que os jornalistas partilhem as suas inquietações e caminhos de resposta para essas inquietações. “É importante debatermos-nos sobre determinados valores e perceber que isso se faz com os outros e não sozinhos”, reforça por último.

Após a conferência, o #6COBCIBER continuou com o estudo : “Tendências da investigação internacional em ciberjornalismo”, apresentado por Raquel Bastos e Fernando Zamith, ambos da Universidade do Porto. Nora Paul da Universidade de Minnesota encerrou o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo.

 

Ana Rita Graça – turma 4

 

 

#6COBCIBER: O Clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro

Teve lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto ( FLUP), no dia 22 de novembro, uma palestra sobre o estudo do Observatório de Ciberjornalismo acerca do Clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro.

   Foto: Ana Isabel Reis

Esta palestra, realizada no âmbito do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, foi  apresentada por Elizabeth Saad Corrêa, da Universidade de São Paulo, em parceria com Fernando Zamith, da Universidade do Porto.

Clickbait é o conteúdo, de natureza sensacionalista ou provocativa, cujo principal objetivo é atrair atenção e chamar usuários para um determinado web site.

De acordo com o investigador luso , este estudo “nasceu como proposta do ObCiber”. O desafio foi lançado a vários grupos de investigação e outros especializados no ciberjornalismo, a estudantes de doutoramento e mestrado, e professores, o que culminou numa equipa composta por 28 elementos. Elizabeth Saad Corrêa ressalvou “ a junção de tantos pesquisadores”. Zamith referiu ainda que  “ as primeiras fases foram recolhidas, falta a parte de extrair os resultados e colocar questões sobre as fragilidades, e entender se a metodologia foi a melhor”.

A palestra foi dinamizada por uma apresentação de diapositivos que explicava todo o processo por que os investigadores passaram. A apresentação iniciou-se com uma questão: “Qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?” e sucederam-se as várias etapas pelas quais o vasto grupo de investigadores lusos e estrangeiros passaram.

Esta pesquisa demonstrou que o Clickbait é superior no Brasil em relação a Portugal, embora ligeiro em ambos os países .Esta baixa frequência de Clickbait sucede-se, na opinião dos investigadores,porque os  “veículos avaliados ,em sua maioria, são grandes portais de notícias e sites de jornais impressos.Seguem uma cobertura factual, principalmente em notícias de política e economia,e em títulos factuais não há espaço para clickbaits”.

Este estudo, em que a concentração da recolha foi realizada num único espaço temporal, pois a “ diversificação do período de recolha poderia resultar em alguma diferença na análise”, demonstrou também que, de entre os analisados, o “Portal R7 é o que apresenta mais clickbaits, justificados pela sua linha editorial”.

A conferência deu-se por terminada após o público ter direito a fazer algumas questões acerca deste estudo aos investigadores.

 

Pedro Diniz

Up201706164

Turma 3

#6COBCIBER: as ameaças ao ciberjornalismo

A falta de tempo, a precariedade, as visualizações, a monetização e a dependência das métricas foram as principais ameaças debatidas no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a 22 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Convidados no debate das ameaças ao ciberjornalismo Fotografia por: Sofia Frias

Quando confrontados com qual seria, atualmente, a principal ameaça ao ciberjornalismo, os convidados ofereceram respostas diferentes. Miguel Soares, editor e coordenador das redes sociais na Antena 1, afirma que atingir o maior número de pessoas e de visualizações possíveis se tornou uma obsessão. Miguel explica ainda que existe uma preocupação em chegar mais rápido e ser o primeiro, em detrimento da credibilidade. As notícias são publicadas sem existir uma justificação ou validação da informação.

Já Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, acredita que a falta de tempo leva a consequências na forma como as informações são partilhadas.

Para o diretor do V Digital, Sérgio Sousa, a dependência das métricas e a competitividade, em conjunto com a falta de tempo, são as principais ameaças ao ciberjornalismo. “Como transformar o trabalho em dinheiro”, é ainda outra das principais preocupações referidas pelo jornalista.

Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, defende, logo de início, que não deve existir uma diferenciação entre jornalismo e ciberjornalismo. Para Sofia, a precariedade é a ameaça ao jornalismo. A jornalista acredita que não existem condições em Portugal para existirem freelancers, sendo que estes têm que exercer outras atividades, para além do jornalismo, para se conseguirem sustentar.

A salvação do negócio

Quando questionados acerca do papel dos jornalistas na salvação do negócio, relativamente ao financiamento do meio, Pedro Santos começou por afirmar que o Fumaça é uma associação independente sem fins lucrativos. O principal objetivo deste jornal é informar de forma transparente, sem esperar qualquer tipo de lucro “a nossa única preocupação é ter os recursos suficientes para fazer jornalismo, pagar salários e ter contratos”. O único retorno que este jornal recebe é através de donativos.

O diretor do Fumaça apela ainda para uma reformulação nas prioridades no meio jornalístico. Por sua vez, Miguel Soares acredita que o financiamento é importante, contudo não deve afetar o trabalho dos jornalistas.

Sérgio Sousa, ao contrário de Pedro Santos, defende que o jornalismo “tem que ser rentável, porque só há independência editorial se houver independência financeira”. Através da sua experiência pessoal, afirma que no V Digital existe uma estratégia de grupo, cuja finalidade é ganhar dinheiro. Declara ainda que o objetivo dos jornalistas é ter o maior número de visualizações, para estas serem transformadas em dinheiro.

Para Sofia Branco “o jornalismo começa a mudar quando os diretores de informação começam a ser os diretores da empresa”. Revela que o negócio tem sido mal gerido, defendendo que não deve haver mistura de funções. Acredita que os jornalistas devem ter acesso a todas as ferramentas necessárias para abordar a informação de forma correta. A jornalista demonstra ainda preocupação com a taxa de 60% de abandono da profissão.

Sérgio Sousa, quando confrontado com o tópico do jornalismo como um bem público, afirma que o Estado tem que ter um papel essencial para permitir que o negócio seja exercido. Alerta ainda para a falta de atenção atribuída à política local, mencionando especificamente a pouca atenção atribuída aos órgãos de informação fora de Lisboa e do Porto.

Polígrafo, Fact-Checking e fake news

A última ronda do debate foi liderada por perguntas do público. A par do lançamento, no dia 6 de novembro, do primeiro jornal português de Fact-Checking, o Polígrafo, os convidados concordam com o objetivo deste jornal, defendendo que é essencial existir sempre a verificação da realidade.

“A credibilidade é fundamental no jornalismo” assegura Miguel Soares. Sérgio Sousa argumenta que os leitores devem ter em atenção as notícias e informações que consomem “não é ver uma notícia e acreditar”.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas confessa que “a luta contra o tempo é algo usual”, e que gostaria ainda de ver o Fact-Checking dentro das redações “se pudesse haver uma espécie de backup nas redações, de duas ou três pessoas, que pudessem ver aquilo que sai e verificar se é realmente dessa forma”.

Quando questionados acerca do impacto que o Fact-Checking poderia vir a ter nas fake news, Miguel Soares, declara que o mesmo complicaria o trabalho, mas podia vir a ser uma forma de afirmação do jornalismo. Contudo, explica que é fácil uma notícia falsa ser espalhada pelo mundo, principalmente através das plataformas online. O jornalista critica ainda os leitores, pois estes não procuram por fontes fidedignas ou credíveis.

Pedro Santos garante que nunca existiu tanto acesso a ferramentas que permitem descrever de forma transparente a realidade, como existem agora.

Sofia Branco afirma ainda “não compro a ideia de jornalismo neutro, há influência da opinião pública”. A jornalista encerra o debate apelando à mudança da bolha fechada que é o jornalismo, que se aproxima mais das elites do que os cidadãos.

Sofia Frias, up2017003932, Turma 4

As vantagens das redes sociais em discussão

 

A utilização das redes sociais é cada vez mais frequente, os Instagram Stories são uma ferramenta muito utilizada, passando pelas celebridades até aos jornalistas. Estas foram algumas das questões abordadas no Congresso de Ciberjornalismo.

O sexto Congresso de Ciberjornalismo realizou-se nos passados dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e contou com vários especialistas que trataram de assuntos relacionados com o Ciberjornalismo e algumas questões relacionadas com o meio digital.

Uma das sessões do primeiro dia teve como tema o Ciberjornalismo e as Redes Sociais. Com a moderação de Paulo Frias, Jorge Vázquez-Herrero ,vindo da Universidade de Santiago de Compostela, começou com “O Uso dos Instagram Stories nos media”. Este é um meio que tem vindo a crescer, segundo Jorge, depois de um estudo de apenas um mês, verificou-se que a publicação de Instagram Stories cresceu 20,5% e o tema principal é o desporto.

A Universidade do País Basco trouxe-nos a questão dos jogadores de futebol e as redes sociais. As redes sociais têm sido realmente uma grande ferramenta de divulgação para as celebridades e neste caso, para os futebolistas, que são dos mais seguidos, pois dá uma grande vantagem para a sua própria imagem e para o seu clube.

“O futebol não acontece só dentro de campo”, os fãs cada vez mais têm poder e podem seguir os seus ídolos fora do campo, há uma maior ligação entre os dois, graças, claro, às redes sociais.

 

 

 

Paulo Eduardo Silva Lins Cajazeira ajudou-nos a compreender a ligação dos jornalistas com as redes sociais, nomeadamente o Instagram. Muitos jornalistas publicam nas redes sociais a sua rotina, alguns só as utilizam para a sua vida pessoal mas na verdade estas têm sido um novo meio para os profissionais.

A instantaneidade, a multimédia e a memória são algumas das vantagens das redes sociais para jornalistas, futebolistas ou para qualquer pessoa e cada vez mais são utilizadas nesta era digital.

Bárbara Romeiro, turma 1

 

 

Que problemas enfrenta o Ciberjornalismo em Portugal?

Fotografia por: Rafaela Lobo

“Não há foco no jornalismo”, afirma Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, já próximo do final do primeiro dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Esteve em debate o tema que dá mote ao Congresso, as “Ameaças ao Ciberjornalismo”, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Miguel Soares, editor-coordenador das redes sociais da Antena 1, aponta como um dos problemas a obsessão das redações em chegar ao maior número de pessoas , que pode tornar-se contraproducente.

Por outro lado, Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, culpa a falta de tempo, que traz consequências na forma como se pensa e trabalha.

Sérgio Sousa, diretor do V Digital, fala do retrato que o jornalista tem hoje, ao segundo, de quem está a ver e o que está a ver. Destaca que, se não se tiver cuidado, pode com isso perder-se o foco do jornalismo. Além disso, refere que o dinheiro envolvido também tem a sua influência, tal como em outros meios.

Já Sofia Branco salienta a situação de precariedade que os jornalistas enfrentam, chamando a atenção para o facto de um terço dos profissionais trabalharem como freelancers. Conclui que, por esse motivo, o foco deixa de estar no jornalismo, afetando-se a ética que é um princípio fundamental.

Como resolver estes problemas?

Esperam-se as soluções vindas dos jornalistas e não “dos senhores com os salários grandes”, refere a presidente do Sindicato dos Jornalistas. O setor enfrenta dificuldades e é preciso arranjar soluções adaptadas aos tempos atuais.

“Nunca fiz um trabalho com condicionantes, pressões de acionistas ou políticos”, afirma Miguel Soares, ressalvando que na rádio não se sente tanto essa pressão, salvo em casos excecionais. Pensa que a solução passa por se procurar uma atividade que chegue ao recetor de forma viável, de forma a haver independência.

Pedro Miguel Santos fala precisamente do projeto que lhe diz respeito, cujo “modelo de negócio é não ter negócio”, comparando o Fumaça a uma ONG. O projeto é financiado com bolsas de fundações como a OSF, Open Society Foundations, e a Gulbenkian. Contudo, acredita que um dia vai ser possível pagar o que fazem com as contribuições que recebem”, salientando que para tal é fundamental haver transparência.

Para o presidente do Fumaça “se se definirem prioridades é possível mudar algo no jornalismo”, dando o exemplo de equipas que andam todos os dias atrás do Presidente da República, gastando dinheiro que podia ser canalizado, por exemplo, para uma grande reportagem.

O jornalismo e o negócio

O objetivo dos meios é ser o mais ouvido ou o mais lido. “Só teremos independência editorial se tivermos independência financeira”, são as palavras de Miguel Soares.

Sofia Branco salienta a dificuldade que alguém que é diretor de informação e simultaneamente administrador encontra em não ser influenciado na tomada de decisões. Há uma confusão de funções. Assim, o jornalismo não pode ser alheio ao negócio e, se o negócio é mal gerido, acaba por culpar-se os jornalistas.

No que toca a esta relação, entre o jornalismo e o negócio, questiona-se o papel que o Estado devia ter, além da sua influência no serviço público de televisão ou rádio. Também o papel de multinacionais como a Google ou o Facebook, que “roubam” os conteúdos produzidos pelos jornalistas deve ser questionado.

Para Miguel Soares, o Estado deve assegurar pelo menos condições para se fazer bom jornalismo.

Como assegurar a verdade?

Hoje em dia consome-se informação como nunca mas é importante pensar-se se esta informação está a ser consumida da melhor forma. A última parte do debate destinou-se às perguntas da audiência.

Começou-se pelo Polígrafo, o novo projeto português direcionado para a verificação dos factos.

Os participantes do debate salientaram que esse “fact-checking” é inerente à prática do jornalismo. Apesar disso, Sofia Branco mostrou-se preocupada com o facto de isso poder não acontecer, devido à emergência que as redações sentem para a fazer chegar a notícia o mais rapidamente possível ao público.

Miguel Soares salienta que a diferença entre o jornalista e o cidadão comum passa pela credibilidade, pelo que as pessoas não devem por em causa aquilo que o jornalista diz. Apesar disso, a credibilidade tem de se conquistar, o que implica que as notícias sejam verificadas. “Os jornalistas devem estar escravizados pela credibilidade e não pelo tempo”, conclui.

Surgiu depois do público a questão sobre as fake news e a influência que podem ter na forma como se pratica o jornalismo.

Miguel Soares continuou, dizendo que estas sempre existiram, não se propagavam é com a rapidez de agora e que podem ser uma oportunidade para fortalecer o jornalismo.

Com isto, Pedro Miguel Santos concretizou o debate, afirmando a sua crença de que nunca houve tanto jornalismo de qualidade como hoje em dia.

O Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorreu nas passadas quinta e sexta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O primeiro dia terminou com a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo, logo após o debate.

Rafaela Lobo

#6COCIBER: a propagação das Fake News no Ciberjornalismo

Como se tem difundido o fenómeno das Fake news no ciberjornalismo? Foi esta uma das questões debatidas no primeiro dia do Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a decorrer na Faculdade de Letras da UP.

Na Sessão Paralela do Congresso, que decorreu por volta das 14:30 no Anfiteatro 2 (apesar de um pequeno atraso) foi abordado o tema das Fake News. Foram convidados 4 oradores que apresentaram a sua opinião sobre este fenómeno e onde tentaram transmitir a importância da sua consciencialização. A sessão foi moderada por Fernando Zamith.

A sessão iniciou-se com uma oradora de uma Faculdade do Brasil, Maíra Bittencourt, em que esta expôs a influência das redes sociais, nomeadamente o Facebook, na propagação das fake news. A existência de páginas de conteúdo fake torna-se um perigo à credibilidade do ciberjornalismo, e o facto das redes sociais permitirem a sua partilha, aumenta a sua expansão.

Depois de se ouvir as conclusões de Maíra, seguiu-se Alexandra Fante, também do Brasil, que nos mostra como as fake news têm alterado o género discursivo e as consequentes repercussões no meio do ciberjornalismo. “Fake news desapropriam a verdade e desapropriam o formato e dos valores noticia”

A terceira oradora aborda o tema da Agência Lupa, a primeira agência de Fact-checking. Esta organização pretendeu ser uma importante ferramenta no combate às Fake news, apesar de alguns grupos políticos se mostrarem contra: “É a censura 2.0”

Por fim, a Sessão Paralela termina com a participação de Pedro Jerónimo, que aborda o mesmo tema mas de uma perspetiva completamente diferente das restantes. O orador menciona a importância de uma boa formação jornalística na era da propagação das Fake News. Pedro Jerónimo afirma que ainda existe uma incorporação mínima do tema das fake news nos cursos ligados ao jornalismo e que é necessário uma maior consciencialização.

A Sessão Paralela encerrou, deixando na mente de todos a importância da consciencialização do perigo das Fake News.

Entretanto o Congresso continuou e a Faculdade de Letras continuou como o palco de inúmeras outras palestras, onde foram abordados outros temas como: Clickbait, Redes Sociais e o Sedentarismo no Ciberjornalismo.

Mariana Ribeiro

O clickbait no jornalismo português e brasileiro – VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo

VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo  deu-se nos dias 22e 23 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. No decorrer destes dias foram discutidas as diversas ameaças ao ciberjornalismo, como fake news,  sencionalismo , clickbait, entre outras, por vários especialistas na área.

Entre os palestrantes estiveram presentes Fernando Zamith, da Universidade do Porto, em Portugal, e Elizabeth Saad Corrêa, da Universidade de São Paulo, no Brasil, que apresentaram o projeto “o clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”.

Fernando Zamith e Elizabeth Saad Corrêa

O grupo de investigação é composto por 28 elementos, entre eles professores universitários e estudantes de mestrado e doutoramento, e teve como questão de partida “qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?”.

O estudo debruçou-se sobre um jornalismo mais atual e generalista, ao invés de um jornalismo mais especializado, e quatro hipóteses foram formuladas. A primeira hipótese previa que mais de trinta por cento das cibernotícias teriam algum indício de clickbait, a segunda que existia mais clickbait na rede social Facebook do que na web, a terceira que havia mais clickbait na área do desporto, no caso de Portugal, e por último, a quarta previa que havia mais clickbait na área da política, no caso do Brasil.

Destas quatro hipóteses, as duas primeiras não foram confirmadas, e as duas restantes ainda aguardam a verificação.

No final da palestra Zamith responde à pergunta inicial e revela que o peso do clickbait em Portugal e no Brasil é, na verdade, ainda muito ligeiro.

 

Eva Pereira up 201707681

#6COBCIBER: “Os jornalistas estão, de facto, a dar voz a quem não tem voz?”

No segundo e último dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, Manuel Pinto, da Universidade do Minho, foi um dos oradores presentes e deu voz à conferência “As ameaças ao (ciber)jornalismo que vêm do próprio campo jornalístico”.

 

A primeira conferência de 23 de novembro do #COBCIBER6 trouxe à Faculdade de Letras, o professor catedrático Manuel Pinto, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Introduzido ao público por Ana Isabel Reis, membro da comissão organizadora, o orador agradece o convite e inicia a conferência questionando o papel do jornalismo nas cidades e o porquê da preocupação com as ameaças.

Apesar das múltiplas plataformas que surgiram nos últimos anos, o jornalismo tem vindo a desenvolver-se com cada vez mais público a querer intervir na área e, é atualmente um campo “assediado”. “Pensar diferente sobre a nossa profissão” é, segundo Manuel Pinto, uma necessidade face às ameaças ao jornalismo tradicional.

Numa sociedade que o orador designou como “crispada” dado o défice de qualidade de informação, é preciso rever o conceito de ameaça que tem uma “carga negativa forte” e “instiga atitudes de defesa”. O professor explicou que a situação implica uma reflexão crítica e questiona o porquê da “preocupação com as ameaças?” que, na sua opinião, consiste numa das perspetivas de interpretar o jornalismo atual.

Manuel Pinto colocou também em causa a postura dos jornalistas que “não tomam medidas para eliminar as ameaças”, apesar de as conhecerem. As ameaças ao ciberjornalismo são externas ou internas ao campo jornalístico, confirmou o conferencista. Reiterou ainda que é um “erro e uma visão bastante redutora” considerar que os problemas do jornalismo se resolvem a partir do próprio jornalismo, sendo esta uma “reflexão autorreferencial do jornalismo”.

Parafraseando Abel Salazar, Manuel Pinto adaptou uma das suas frases mais célebres e afirmou que “o jornalismo que só olha para o jornalismo, nem para o jornalismo olha”.

O orador defendeu que a situação atual deve provocar, nos profissionais, questões importantes: “Em que medida é que esta situação não suscita novos desafios, não os obriga a colocar de outra maneira?” e refletiu “porque é que apesar das ameaças serem cada vez mais claras, não há o desencadeamento direto de uma posição de preservação por parte dos jornalistas?”.

 

As ameaças e os obstáculos

Durante a conferência, Manuel Pinto referiu o “jornalismo cidadão” como uma das principais ameaças ao jornalismo.

Propôs ao público que repense o jornalismo: “Em que medida é que a agenda jornalística é um privilégio e uma prerrogativa apenas dos jornalistas? A construção da agenda ganharia ou perderia em ser partilhada com os públicos do próprio jornalismo?”.

Contudo, reforçou que o trabalho do jornalista não pode ser posto em causa – “buscar a verdade, incomodar o poder, verificar informação, cruzá-la e investigar” – uma vez que são tarefas que “por muito que se esforce, um blogger nunca poderá fazê-las como alguém que vive para esse trabalho”. Considerou assim, que não há ninguém capaz de fazer o trabalho do jornalista com a mesma competência de um profissional.

As redes sociais são, segundo o orador, um exemplo de plataformas que vieram “promover a multiplicação dos pólos de enunciação na sociedade”, porém admitiu que podem consistir num “perigo público porque põem em causa a existência de um discurso fundamental para um regime democrático, por ser um discurso que segue o código de natureza ético-deontológica que é uma garantia da qualidade da informação”.

O crescimento de plataformas autointituladas informativas cria um clima de desconfiança face à própria informação jornalística. Terminou o tópico, recorrendo a uma parábola, salientando a premência de “separar o trigo do joio”: saber distinguir o que é jornalismo do que não é jornalismo.

A preocupação com as audiências

Manuel Pinto abordou ainda o problema do afastamento entre o jornalismo e o público que leva a que o impacto do primeiro seja mais “reduzido ou mesmo contraproducente”.

O professor admitiu faltar entre os jornalistas uma “cultura de escuta” e questionou: “Será que o modo de fazer as perguntas não é uma forma de impôr respostas? Será que estão, de facto, a dar voz a quem não tem voz? Será que o que os jornalistas inscrevem na sua agenda de preocupações cobre o fundamental das dinâmicas sociais, das lutas sociais, das preocupações, das inovações e das necessidades de informação das coletividades, das comunidades?” Manuel Pinto considera que não, devido à “desconfiança que se se sente face à informação jornalística”. Reiterou que é necessário pensar nos públicos “não só como audiências, mas como comunidades vivas” escutando e ouvindo “as suas necessidades e inquietações”.

O jornalismo no contexto da mudança

O orador refletiu acerca da intervenção do público não ser “parte da solução, do lado dos jornalistas” e deixa a questão: “Em que moldes se poderá fazer um jornalismo mais participado?”.

Perto do final da conferência, referiu o livro “Os Elementos do Jornalismo”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, como uma prova da “velocidade estonteante” que caracteriza a evolução do jornalismo. Segundo o professor, o estudo tem sido alvo de atualizações constantes, sendo capaz de “captar um sinal dos tempos”. Reforça: “há indivíduos preocupados com a qualidade da informação e que lutam pela inovação.”.

A esperança e a fé no jornalismo

Manuel Pinto terminou a conferência assumindo que “ir resistindo” às ameaças é a solução e que “isso se faz em conjunto e não sozinhos”. Acrescentou ainda que “é uma questão de fé”.  Por último, lança uma reflexão ao público: “Estamos assediados, por todo o lado, por instrumentos de comunicação, mas ninguém se questiona se estamos a comunicar melhor”.

Após a conferência, o Congresso Internacional de Ciberjornalismo continuou, versando temas como a Investigação internacional em ciberjornalismo e contando com a presença de Nora Paul da Universidade de Minnesota, a encerrar o dia.

Margarida Magalhães