Centro comercial Stop, a verdadeira “casa da música”, corre risco de fechar

O risco de encerramento do Centro Comercial Stop volta a soar e com força, devido à falta de segurança do edifício e incumprimento de obras. Na tentativa de resolver o problema, a submissão de projetos de especialidade, a pedido da Câmara do Porto, já terminou e os músicos estão preocupados. 

Fonte: Observador

Há mais de uma década que se fala da falta de condições e o futuro do Centro Comercial Stop (CCS) continua uma incerteza. O Stop, localizado na Rua do Heroísmo, no Porto, poderá brevemente encerrar portas por falta de segurança do edifício. Inaugurado no início dos anos 80, funciona como espaço cultural há mais de 20 anos e é utilizado por cerca de 500 músicos, de diversos estilos musicais, como salas de ensaios e estúdios.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil considera que os maiores problemas são a nível estrutural e de licenciamento, que colocam em risco o edifício e utilizadores. Atualmente, o edifício não têm detenção de incêndios, saídas de emergência e projeto acústico. Para estes problemas estão a ser estudadas várias soluções. Mas no meio do problema há mais fatores, a parte complexa envolve as obras necessárias que a administração admite não ter dinheiro para cumprir as exigências.

No final do mês de outubro, surgiu novamente o alerta com o Jornal de Notícias adiantar a eminência do fecho do Stop. Ainda segundo a mesma fonte, a Câmara Municipal do Porto (CMP) terá dado aos proprietários do espaço um prazo até ontem (6 de novembro) para apresentarem projetos de especialidade que permitam que o espaço continue a funcionar. E depois a câmara poderá encerrar o espaço. Mais uma data limite que se pode tornar possivelmente a última. 

Já em 2010, o Jornal de Notícias avançava que várias lojas poderiam ser fechadas, por não terem licença de utilização e estarem a funcionar ilegalmente. A CMP pediu uma licença de utilização e as bandas decidiram avançar com um pedido coletivo para diminuir custos. Mas na realidade não foi o que se verificou e, no presente, apenas uma parte das lojas tem a tal licença. De acordo com um artigo do Público apenas 12% das lojas obterem a licença. O risco de incêndio é um dos problemas apontados e no registo da história do Stop há dois incidentes a relatar em 2012 e 2013, ocorreram incêndios nos estúdios de gravação, que obrigaram à evacuação do edifício.

No final de 2018, o problema parecia estar finalmente perto de ser resolvido, depois de várias convocatórias da Câmara Municipal com os proprietários e músicos para estudar a regularização do espaço, tendo em vista concretização de obras pelos responsáveis do imóvel. Nesse período de tempo, a CMP chegou também a admitir a comprar do edifício, caso se verificasse o incumprimento das exigências por falta de condições, algo que não se concretizou e o problema continuou. 

Em 2022, a questão das licenças mantém-se e lojas não foram encerradas. Um problema que abrange vários protagonistas – os músicos, a administração, os proprietários e a Câmara Municipal do Porto – que poderá ter uma resolução à vista. Mas a verdade é que CMP não está disposta a encerrar o espaço e o presidente afirmou em entrevista ao Jornal “Etc e Tal” que o “O Stop é laboratório vivo”. “É uma das últimas indústrias do Porto. Como tal, tudo faremos para o preservar”, completou. 

 

Apesar de ser um espaço aparentemente abandonado por fora, está cheio de vida no seu interior. Pelo Stop já passaram grandes nomes da música nacional como Manuel Cruz, Slimmy e Pedro Abrunhosa e pelos corredores soam vários estilos. 

Os músicos que dependem deste espaço para trabalhar temem o encerramento e estão a ficar preocupados.  Se os projetos falharem, a única esperança é a Câmara do Porto ou Ministério da Cultura e a maioria acredita que esse apoio vai chegar. Resta aguardar pela decisão da autarquia após a apresentação dos projetos. 

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Nádia Neto (Turma 2 I up202106310)