PJ inicia operação por suspeitas de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento

A operação foi desencadeada hoje em Lisboa, Funchal e Sesimbra. Em causa está o incumprimento com contratos de crédito e a adoção de procedimentos internos contrários às boas práticas bancárias.

Polícia Judiciária. Foto: Jcornelius, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária (PJ) desencadeou uma operação no âmbito de investigação pela suspeita da prática dos crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento.

A investigação teve início em 2016 e, até à data, foram efetuadas 22 buscas domiciliárias, 25 não domiciliárias, três em instituição bancária e uma em escritório de advogados. Estão envolvidos 180 profissionais, dos quais 138 pertencem à PJ, 26 à Autoridade Tributária, 9 ao Ministério Público e 7 são juízes de instrução criminal.

Segundo o comunicado da PJ, foram identificados “procedimentos internos em processos de concessão, reestruturação, acompanhamento e recuperação de crédito, contrários às boas práticas bancárias e que podem configurar a prática de crime”.

Esta operação incide, sobretudo, num grupo económico que, entre 2006 e 2009, contratou quatro operações de financiamento com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), no valor de 439 milhões de euros.

O grupo económico “tem incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dívida para não a amortizar”, afirma a PJ, sem identificar as pessoas envolvidas.

O prejuízo causado por este grupo à CGD, ao Novo Banco e ao BCP ronda os mil milhões de euros, “tendo sido identificados atos passíveis de responsabilidade criminal e de dissipação de património”, refere o mesmo comunicado.

 

Artigo da autoria de Hugo dos Santos