Presidenciais 2021: Conheça os pré-candidatos a Belém

Com o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa a chegar ao fim e com as eleições presidenciais a realizarem-se em janeiro do próximo ano, são já conhecidos alguns nomes de candidatos à Presidência da República.

Palácio de Belém – Fonte: https://www.presidencia.pt/?idc=15

As eleições destinadas à escolha do/a Presidente da República irão realizar-se a 24 de janeiro de 2021 e causam já um grande impacto mediático em Portugal. Apesar de o atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, ainda não ter confirmado formalmente a sua recandidatura, espera-se que o faça num futuro próximo. Por isso mesmo, os restantes candidatos concorrem contra uma figura emblemática, e cada um deles demarca a importância da sua candidatura.

Ana Gomes

Após ter confirmado, em declarações ao Jornal Público, de que seria candidata à Presidência da República, Ana Gomes anunciou oficialmente a sua candidatura a 10 de setembro de 2020. Nesse dia, a ex-eurodeputada do PS justificou as razões que a levaram a tomar a decisão, tecendo críticas ao próprio partido por não ter avançado com nenhum candidato.

“Durante meses e meses, esperei que o meu partido apresentasse um candidato, saído das suas próprias fileiras. O Presidente da República não é eleito para governar, mas a Constituição atribui-lhe um papel vital no equilíbrio do sistema político e partidário. Cabe-lhe defender a Constituição”, admitiu a candidata, acrescentando que não aceita a desvalorização de um ato tão significante como a eleição para a Presidência da República.

Apesar de fazer um balanço positivo ao mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes havia já criticado o presidente da República por ser um “candidato do regime” que irá “polarizar” a sociedade e “facilitar a vida dos extremos”. Ainda assim, afirma que não se candidata contra ninguém, mas sim pelos portugueses.

Com uma candidatura que conta já com o apoio do PAN, Ana Gomes refere que uma marca da sua campanha é a transparência, afirmando que é algo de que os portugueses precisam.

André Ventura

O presidente e deputado do partido Chega, André Ventura, foi o primeiro a anunciar a candidatura à presidência da República. O anúncio foi feito através de um vídeo enviado aos dirigentes e militantes do partido divulgado, posteriormente, pela TVI.

Fonte do vídeo: https://tvi24.iol.pt/politica/08-02-2020/andre-ventura-anuncia-candidatura-as-presidenciais

Assumindo-se como “anti-sistema”, afirma ser o oposto de Marcelo Rebelo de Sousa, a quem condena o silêncio acerca de “assuntos que são caros ao Chega”, referindo, por exemplo, o combate à corrupção, as condições de trabalho das forças de segurança e as dificuldades do Ministério Público na investigação de políticos.

“Sabemos que ganhar é praticamente impossível, mas podemos travar uma luta histórica contra o sistema. O meu primeiro objetivo é expor a podridão deste sistema. Mais do que ganhar, interessa-nos que os portugueses fiquem a saber quão mal está o seu sistema democrático e o seu sistema social”, afirmou Ventura.

Marisa Matias

Foi a 9 de setembro de 2020 que Marisa Matias anunciou a sua candidatura, junto de profissionais do combate à pandemia. A deputada pelo Bloco de Esquerda concorre, assim, pela segunda vez à presidência da República, tendo a primeira sido em 2016, onde foi a mulher mais votada de sempre em presidenciais.

Marisa Matias esclarece que se candidata, desta vez, para fazer uma “campanha contra o medo”, afirmando que vai à luta pelas suas ideias, “ao lado de quem não desiste de Portugal”. Feminista e ambientalista, salienta que “se alguma coisa devemos fazer na política, é dar voz a quem não a tem.”

A eurodeputada assume-se como “a candidata frente a frente com Marcelo Rebelo de Sousa”. Critica a postura do presidente, que “quer um regime político assente em mais do mesmo”, salientando a importância de um combate à pandemia justo e que acabe com os privilégios. “Ele aceitou um regime financeiro que se foi esvaindo em privatizações e negócios, eu quero uma banca pública de confiança; ele quer um sistema de saúde concedido em parte a hospitais privados, eu quero um Serviço Nacional de Saúde de qualidade para todos porque sei que, quando o comércio entra na Saúde, são os que menos têm que ficam a perder”, afirmou.

De cravo na mão e num discurso que defende a igualdade e a liberdade, Marisa Matias reconhece que “a República é a terra de mulheres e homens, de crianças e adultos, de brancos e negros, de imigrantes e emigrados, sem discriminações, sem intolerância, sem perseguições”.

João Ferreira

O Partido Comunista Português (PCP) anunciou em setembro a candidatura do eurodeputado  João Ferreira à Presidência da República, tendo esta sido aprovado por unanimidade.  Jerónimo de Sousa, deputado na Assembleia da República pelo PCP, afirma que esta é “uma candidatura para ir até ao fim”, acrescentando que “é necessária, indispensável, insubstituível”.

“Façamos desta candidatura parte da luta pela mudança que desejamos para as nossas vidas, da mudança que Portugal precisa”, anuncia João Ferreira na declaração da candidatura. Também este candidato critica a postura do atual Presidente da República, defendendo que este falhou nos “afectos aos trabalhadores”, nomeadamente na defesa dos seus direitos e na valorização dos seus salários.

João Ferreira concorre, assim, à Presidência da República, numa luta pelos jovens, pelos trabalhadores e pelos mais desfavorecidos, “comprometido com os interesses do povo e não com os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros”.

Tiago Mayan

O advogado e político Tiago Mayan Gonçalves concorre à presidência da República como o “primeiro candidato genuinamente liberal”. Fundador da Iniciativa Liberal, conta com o apoio desse mesmo partido.

Fonte do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=MuMLqZ5Jmtc

O advogado quer ser uma alternativa, não só para os liberais, mas também para quem não se revê em Marcelo Rebelo de Sousa: “Sou candidato contra o populismo, contra o controlo pelo governo da economia e dos media”, revela.

Mayan assegura que é um cidadão comum, “farto da bolha em que o sistema político vive, alheado da vida dos portugueses” e, se for presidente, garante que nunca irá mentir ao povo português. “Do Porto para o país, sou o candidato liberal à presidência da república”: É com esta afirmação e ao relembrar a Revolução Liberal, que ocorreu no Porto há 200 anos, que Tiago Mayan Gonçalves termina o vídeo de apresentação da sua candidatura, divulgado nas redes sociais.

Vitorino Silva

Mais conhecido por “Tino de Rans”, Vitorino Silva concorre pela segunda vez a Belém. Natural da freguesia de Rans, em Penafiel, onde foi presidente da Junta de Freguesia, é “o calceteiro mais famoso do país“.

O presidente do partido RIR – Reagir Incluir Reciclar, tem como objetivo superar a votação de 2016, onde conseguiu 152 mil votos. “Eu fiquei contente, ao ver as pessoas felizes. Quando passam por mim, abraçam-me e dizem-me ‘Tino, tu ganhaste’ e eu só tive 150 mil votos”, confessa o candidato, ao relembrar as eleições passadas.

Vitorino Silva afirma que a sua candidatura tinha de acontecer, pois tem grande respeito pelo povo e pelos seus eleitores, que não merecem ser abandonados. “Uma das razões para ser candidato é combater os populismos” e “combater a abstenção”. Por isso, manifesta a sua preocupação relativamente à data das eleições presidenciais, por se irem realizar em janeiro, onde “o frio é de rachar”, quando vivemos um cenário pandémico e os idosos estão “frágeis e com muito medo”. O candidato defende que é um risco e que as eleições deviam ser adiadas para uma altura mais segura.

Bruno Fialho

Bruno Fialho, líder do PDR, Partido Democrático Republicano, apresentou a sua candidatura em julho deste ano. O advogado e empresário revê-se em Ramalho Eanes, considerando-se “um moderado que é contra os radicalismos”.

Identifica-se como o candidato mais ao centro, sendo o PDR um partido “centro-progressista”: “Eu pretendo ser um candidato efetivamente de todos os portugueses e abrangendo todas as ideologias políticas, já que até sou candidato do centro, um centro que abrange toda e qualquer posição, desde que seja a mais correta a ser aplicada em determinado momento”, mencionou, em declarações à Agência Lusa.

 

 

Saiba mais acerca do tema em https://www.jpn.up.pt/tag/eleicoes-presidenciais/

Artigo escrito por Helena Lima