Legislativas 2019: Rio cada vez mais perto de Costa

Os 14 pontos percentuais que separavam PS e PSD desceram para metade em apenas 4 dias. Sondagem diária da Pitagórica revela uma queda de 4,6% nas intenções de voto no PS e um aumento contínuo na percentagem do PSD.

As eleições legislativas realizam-se no dia 6 de outubro mas já os eleitores já manifestam as suas intenções de voto. Segundo a sondagem da Pitagórica para a TSF, JN e TVI, que atualiza, desde sábado, as intenções de voto diariamente, o PSD está perto de comprometer a maioria absoluta do PS.

Os socialistas continuam a descer nas intenções de voto (36%), enquanto os sociais democratas ganham terreno (28,5%) – a diferença que separa os dois grandes já só é de 7,5 pontos. A queda de Costa é mais acentuada do que a subida de Rio, porém as duas trajetórias estão perto de colidir.

A sondagem adianta ainda que o Partido Socialista está no ponto mais baixo de sempre relativamente às estimativas feitas pela Pitagórica desde abril. Consegue, no entanto, ter um resultado pouco melhor do que o das eleições europeias de maio (33,3%). Já o Partido Social-Democrata segue um percurso oposto: a estimativa atual é a melhor desde abril e está mais elevada do que o resultado europeu (21,9%).

Um pouco mais abaixo, em terceiro lugar, está o Bloco de Esquerda de Catarina Martins que tem tido uma subida lenta mas gradual. Iniciou a sondagem com 8,8% das intenções de voto e, até agora, conseguiu chegar aos 10,5. O BE distingue-se nesta corrida eleitoral na questão da exposição mediática. Na opinião dos portugueses, Catarina Martins faz par com Rui Rio, sendo os únicos líderes partidários com classificação positiva no que toca à performance com os media (Martins com 2,3% e Rio com 14,3%).

A CDU mantém-se estável nos 6,8% e é seguida por outros dois partidos em conflito: o CDS e o PAN. O partido de Assunção Cristas perdeu quase um ponto nos quatro dias de sondagem -neste momento, detém 4,4% das intenções de voto, menos 0,8 pontos percentuais do que tinha no início da sondagem. À medida que o CDS desce, o partido ambientalista aproxima-se, apesar do crescimento quase nulo (de 3,6% para os atuais 3,7%).

Os partidos que ainda não chegaram ao Parlamento competem também entre si. O Iniciativa Liberal, que iniciou a sondagem com apenas 0,5 pontos percentuais, ultrapassa a barreira do 1% e chega aos 1,2%. O Aliança segue a tendência contrária, tendo começado a sondagem com 1,1% e baixado até aos 0,5%. Por último, está o Livre, que conseguiu subir 0,7 pontos até aos 0,9% das intenções de voto e o CHEGA, estabilizado nos 0,5%.

É de relembrar que a guerra eleitoral entre PS e PSD não é algo de novo. Há quatro anos, nas legislativas de 2015, a coligação do PSD com o CDS acabou por vencer com cerca de 37% dos votos, com o PS atrás, com aproximadamente 32% dos votos.

O Bloco de Esquerda ficou em terceiro lugar, à semelhança das estimativas deste ano. Em 2015, arrecadou cerca de 10% dos votos – não muito longe do que se verifica nas intenções de 2019. A CDU ficou em quarto lugar, com cerca de 8% dos votos: este ano, a estimativa desce um pouco.

Ficha técnica

A sondagem da Pitagórica sobre as eleições legislativas começou no dia 20 de setembro e analisa diariamente as opiniões dos eleitores portugueses acerca dos principais candidatos, os momentos das campanhas e a intenção de voto. A cada dia, foram recolhidas 150 entrevistas tendo em conta o género, idade e região dos inquiridos. Os 600 indivíduos entrevistados nos últimos 4 dias são escolhidos através de números de telemóvel, gerados aleatoriamente.

A sondagem, da responsabilidade de Rita Marques da Silva, teve uma taxa de resposta de 60,61% e tem uma margem de erro máxima de cerca de 4,07%. A ficha técnica do estudo pode ser consultada aqui.

Ana Craveiro Faria