Arquivo mensal: Novembro 2018

O que ameaça o ciberjornalismo feito em Portugal?

Preocupação em dar a notícia primeiro, falta de tempo, dependência das métricas, monetização e precariedade. Foram estas as principais ameaças ao ciberjornalismo apontadas no debate do primeiro dia do #6COBCIBER, quinta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

“O jornalismo não está fortalecido neste momento. Não estamos, de todo, aí”. As palavras são de Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, uma das participantes no debate alargado sobre as ameaças ao ciberjornalismo – a jornalista preferiu de falar de “ameaças ao jornalismo”, sem distinção de meios – que decorreu na quinta-feira na Faculdade de Letras da Universidade do Porto no âmbito do Congresso Internacional de Ciberjornalismo.

Sofia Branco é a presidente do Sindicato dos Jornalistas. Foto: Ana Isabel Reis

Para Miguel Soares, editor e coordenador das redes sociais da Antena 1, “a maior ameaça é a procura constante pelo público”. “Sempre foi uma preocupação do jornalista servir o seu público. Com as redes sociais, essa preocupação tornou-se obsessiva e isso pode tornar-se contraproducente”, completou.

Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, considera que “a maior ameaça é a falta de tempo, que tem consequências na forma como pensamos, trabalhamos e fazemos a verificação dos factos”. “Ter tempo”, sublinha o jornalista, é uma das premissas fundamentais à concretização do trabalho jornalístico.

Já Sérgio Sousa, diretor do V Digital, destaca a influência das métricas: “pela primeira vez, o jornalismo segue ao segundo quem está a ver o quê e durante quanto tempo”. Tais ferramentas podem, no entanto, traduzir-se numa perda de “foco” sobre o que importa ou não fazer.

Por sua vez, Sofia Branco ressalva “a situação de precariedade” em que se encontra um terço dos jornalistas, que não possuem qualquer vínculo profissional, e que somam trabalhos, muitas vezes fora da atividade jornalística, para subsistir. “O dinheiro não desculpa tudo, mas é uma das justificações”, remata.

Quem salva o negócio?

Pedro Miguel Santos é o diretor do Fumaça. Foto: Ana Isabel Reis

O setor continua a debater-se com a necessidade de se financiar, de encontrar alternativas ao modelo de negócio dito tradicional, que a era da informação digital veio alterar por completo. Sobre o assunto, Pedro Miguel Santos tem uma certeza: “Ninguém faz bom jornalismo se pensar constantemente na sua sobrevivência”.

E deu o exemplo que conhece melhor, o do projeto editorial que dirige: “O modelo de negócio do Fumaça é não ter negócio. A nós não nos interessa o lucro. Isto quer dizer que a nossa única preocupação é ter os recursos suficientes para fazer jornalismo, pagar salários e ter contratos”, afirmou.

Pedro Miguel Santos reconhece, ainda assim, que “entre direitos, rendas, segurança social e contabilidade”, fazer jornalismo é “muito caro”. No caso do Fumaça, o financiamento faz-se, para já, com o dinheiro de fundações, como a Open Society Foundations, e com donativos individuais. Pedro Miguel Santos está otimista em relação ao apoio vindo do público: “Os leitores vão contribuir porque acreditam em nós”.

Pelo meio deixou um alerta para a necessidade de reformular as prioridades na comunicação social portuguesa: “Todos os meios de comunicação deste país andam atrás do Presidente da República. É dinheiro que poderia estar a ser utilizado para fazem uma grande reportagem”.

Para Sofia Branco, no capítulo do financiamento há uma discussão por fazer relacionada com o papel que o Estado deve assumir no setor: “Todos nós somos responsáveis pelo jornalismo que temos e que queremos ter”, apontou. 

Depressa e bem, há pouco quem

Sérgio Sousa dirige o V Digital. Foto: Ana Isabel Reis

As perguntas do público deram início à última ronda do debate. A propósito do lançamento em Portugal de um novo projeto editorial exclusivamente dedicado ao “fact-checking“, o Polígrafo, os participantes no debate sublinharam que a verificação dos factos é, antes de mais, condição inerente ao exercício da profissão em todos os meios de comunicação social.

Sofia Branco mostrou-se, contudo, alarmada com a perda desse “momento de escrutínio” nas redações, fruto da pressão do tempo. “Se pudesse haver uma espécie de backup nas redações de duas ou três pessoas que pudessem ver aquilo que sai e verificar se é realmente dessa forma, era importante”, notou.

Miguel Soares, da Antena 1, frisou, por sua parte, que a credibilidade é fundamental no jornalismo, ela tem de ser defendida e é ela que, em última análise, distingue “o jornalista do cidadão”.

Quando confrontada com o termo “jornalista-cidadão”, Sofia Branco afirma de forma categórica que se trata de uma expressão equívoca: “Não existe jornalismo cidadão”. “O jornalista escreve tendo em conta um código deontológico, com regras a seguir”, concluiu.

Fake news e pirómanos

Miguel Soares coordena as redes sociais da Antena 1. Foto: Ana Isabel Reis

Sempre houve notícias falsas. A diferença está na sua aplicação”. Miguel Soares menciona a rapidez com que uma publicação, “inadvertida ou intencional”, adquire alcance mundial. Para Sofia Branco, “sempre houve e vai haver pirómanos, e sempre houve e vai haver quem se quer queimar”, apontando a responsabilidade de todos na destrinça entre a notícia e o boato.

Embora se assuma como um fenómeno prejudicial ao ciberjornalismo, as fake news podem ter um efeito positivo: o de fortalecimento da prática jornalística. Deste modo, constituir-se como “uma oportunidade para o jornalismo se afirmar”, avança Miguel Soares.

Pedro Miguel Santos sublinhou a importância da “transparência”. “É preciso que quem que nos lê ou ouve saiba de onde partimos e qual é o nosso verdadeiro carácter. Temos de deixar de ir atrás de coisas vazias”, rematou.

A bolha

Para Sofia Branco, há coisas que precisam de mudar. “Acho que os jornalistas continuam a viver numa bolha, mais próximo das elites do que dos mundo dos cidadãos”, afirmou. Segundo a presidente do Sindicato dos Jornalistas, a classe “precisa de descer do pedestal” e “estar do lado dos mais vulneráveis”. E conclui: “Não há jornalismo neutro, pois o jornalismo não cumpre essa ideia. Mas isso não quer dizer que andemos aqui a defender os nossos próprios interesses, mas a defender o interesse público”.

O debate terminou com uma afirmação otimista de Pedro Miguel Santos a exaltar o jornalismo de qualidade: “Nunca houve tanto jornalismo de qualidade. Nunca houve tanta gente a ser formada. O bom jornalismo existe”, concluiu.

O Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorre na quinta e sexta-feira na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Outro dos pontos altos do programa foi a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo, que distinguiram trabalhos em oito categorias.

Por Carina Lopes e João Couraceiro (Turma 4)

#6COBCIBER já começou: Fakes News e Ciberjornalismo

A 22 e 23 de novembro, ocorreu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, onde foram debatidos inúmeros assuntos acerca do Ciberjornalismo nos dias de hoje com a presença de vários professores e especialistas na área do jornalismo.

No dia 22 de novembro às 11:15 da manhã, foi recebido no Anfiteatro 2, a primeira Sessão Paralela do Congresso, que teve como tema principal as Fake News e o Ciberjornalismo.

Este tema foi dividido por três palestras, onde foram abordadas diversas investigações onde o tema estava diretamente inserido.

Carlos Toural Bran foi o que abriu esta Sessão com o seu tema ‘Humor y Desinformación, de creación de notícias falsas, redes sociales y plataformas de verificación en España’.

Como auxiliar para explicar melhor a sua teoria, apresentou dois jornais espanhóis, que têm o objetivo, combater as fakes news, o Maldito Bulo e o B de Bulo.

Maldito Bulo como explicou, é um jornal mais visual, que chama a atenção ao público através do das suas publicações em vermelho e das suas imagens, que ajudam sempre a perceber melhor a notícia.

Por outro lado, temos o B de Bulo, que importa-se mais com a presença de multimédia nos seus artigos, como vídeos e imagens.

Carlos expôs que ao público o título é o que impacta sempre, acabando por nem ler o resto do texto. Exemplos como este, faz com que as fakes news continuem a existir, porque muitas vezes o título não explica tudo, só uma parte que até é irrelevante. A difusão de informação tem sido muito facilitada nos últimos anos, o que aumenta o número de exposição de notícias falsas.

Depois de Carlos, foi ouvida Tâmela Medeiros, que veio diretamente da Universidade da Beira Interior para apresentar a sua investigação sobre a influência das Fake News na decisão de vacinar crianças contra o Sarampo. Tâmela mostrou uma sondagem que fez para saber ao certo se a população acha as vacinas eficazes.

Estas três sessões terminaram com a palestra de João Paulo Duque Löbe Guimarães, da Universidade de Évora, que falou de quatro tipologias das fake news, apresentando ao público distinções entre elas: sátira, hoax, propaganda e trolling.

A palestra finalizou-se com o debate acerca do que foi ouvido nas três palestras, entres os palestrantes e o público.

 Isabel Fernandes up201706446

#6COBCIBER: um estudo sobre o clickbait

A Faculdade de Letras da Universidade do Porto acolheu o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, nos dias 22 e 23 de novembro. O clickbait foi um dos temas em destaque no primeiro dia.

Fernando Zamith e Elizabeth Saad Corrêa. Foto: Inês Dinis

“O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro” é o nome do estudo do Observatório de Ciberjornalismo, apresentado por Fernando Zamith e Elizabeth Saad Corrêa.

Fernando Zamith (Universidade do Porto) começou por explicar que o projeto nasceu como uma proposta do ObCiber e contou com a colaboração de 28 investigadores portugueses e brasileiros.

O objetivo do estudo é perceber qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional. Para isto, foram analisados todos os meios, portugueses e brasileiros, de âmbito nacional e informação geral com produção própria e atualização frequente nas páginas Web e no Facebook. Um total de 36 meios, 18 portugueses e 18 brasileiros.

Mas afinal, o que é o clickbait? Neste estudo, o conceito foi definido como uma estratégia de configuração estilística e linguística de um conteúdo, com o objetivo de atrair cliques nos meios digitais. Foram também estabelecidas cinco dimensões do clickbait: exagero, engano, especulação, publicidade e entretenimento.

Relativamente à análise dos dados portugueses, conclui-se que os valores do clickbait são globalmente baixos. Os dados brasileiros foram apresentados por Elizabeth Saad Corrêa (Universidade de São Paulo) e apesar de existir mais clickbait comparativamente a Portugal, os valores não são muito elevados.

De uma forma geral, o clickbait é bastante ligeiro, apesar de ser um pouco superior no Brasil. Isto poderá ter a ver com o facto dos meios analisados se preocuparem em manter a credibilidade. Ou seja, o clickbait poderá estar em meios não convencionais que se focam apenas na obtenção de receitas e não na qualidade jornalística.

Esta sessão encerrou a manhã do primeiro dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo.

Por Inês Dinis (turma 1)

#6COBCIBER: Publicidade disfarçada de notícias?

A fronteira que separa os conteúdos jornalísticos da publicidade é cada vez menor num mundo cada vez mais digital. No segundo e último dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo fala-se de conteúdos patrocinados e da publicidade como um modelo de negócio para o jornalismo.

Público, Jornal de Notícias, Diário de Notícias e SIC Notícias são apenas alguns exemplos de jornais ou plataformas jornalísticas digitais portuguesas que disponibilizam conteúdo patrocinado, numa secção à parte das restantes notícias ou não. O tema foi discutido por vários dos oradores da sessão paralela do congresso #6COBCIBER.

O que é conteúdo patrocinado?

O conteúdo patrocinado (em inglês, sponsored contente) ocorre quando uma marca e um meio de comunicação trabalham em parceria e o conteúdo é produzido, publicado e promovido pela publicação nas suas plataformas. A publicidade não ocorre diretamente, mas através de artigos jornalísticos desprovidos de tom comercial e com caráter informativo, útil e interessante para o público-alvo da marca. Aquilo que é publicado assemelha-se ao conteúdo editorial da publicação do jornal online, mas é pago por uma marca e destina-se a promover o seu produto, com maior credibilidade.

Um modelo de negócio rentável

O assunto é global, mas na palestra foi também abordado o caso de Portugal. Ana Isabel Reis e Helena Lima apresentam a perspetiva dos conteúdos patrocinados nos sites de notícias portugueses, como duas das oradoras do painel.

Segundo as oradoras, um dos principais debates na produção mediática prende-se com a credibilidade das notícias e a existência de publicidade como notícia acentua a discussão. Na base está um novo modelo de negócio. Os lucros das formas de publicitação tradicional têm-se deteriorado e os jornais estão à procura de novas formas de financiamento. As marcas aproveitam a fidelidade do público a determinado meio de comunicação social para uma mais rápida e fácil aceitação do conteúdo publicado a seu favor.

Helena Lima e Ana Isabel Reis, professoras na Faculdade de Letras da Universidade do Porto FOTO: Carolina Pereira

Jornalismo versus Publicidade

Helena Lima e Ana Isabel Reis falam também dos perigos da publicidade na divulgação noticiosa. De acordo com as palestrantes, o conteúdo patrocinado assume um formato editorial diferente. No entanto, a semelhança com o formato das notícias normais leva a um maior consumo pelo público, que pode ser induzido a acreditar que está a ler notícias e não publicidade.

No caso português, analisado pelas professoras, as conclusões são positivas. O conteúdo patrocinado está identificado como tal na maioria dos jornais e encontra-se junto às notícias ou numa secção à parte. Os temas mais abordados pela publicidade são saúde, investimento, comida e moda.

Conteúdo patrocinado: sim ou não?

Valdir Ribeiro da Silva Junior, da Universidade de São Paulo e palestrante na sessão, fala da necessidade de definir o branded content no ciberjornalismo. Em causa está a difícil distinção entre o que é informação e o que é persuasão.

Segundo o orador, os consumidores respondem mais negativamente a conteúdo reconhecido como publicidade, porque têm medo de serem enganados. Nestes casos, é adotada uma postura mais cautelosa, crítica e menos confiante.

Uma das vantagens do conteúdo patrocinado é o pouco reconhecimento pelo público, mesmo com a identificação devida. O benefício está nessa falha em identificar a publicidade.

Valdir identifica os argumentos contra e a favor desta problemática. Se por um lado, o conteúdo patrocinado cria um dilema ético ao colocar em causa a transparência da publicidade, e também é visto como conteúdo de qualidade duvidosa, por outro lado, o jornalismo não deve ser apenas restrito a jornalistas e os lucros deste modelo de negócio podem financiar o jornalismo tradicional e dispendioso, como o de investigação.

Valdir Ribeiro da Silva Junior, jornalista e mestrando em Comunicação Social da Universidade de São Paulo FOTO: Carolina Pereira

Para além dos palestrantes referidos, a sessão paralela relativa ao “Ciberjornalismo e Modelos de Negócio” contou ainda com Javier Díaz Noci (Universidade Pompeu Fabra, Barcelona), Elizabeth Saad Corrêa (Universidade de São Paulo), Concha Edo e Matilde Hermida (Universidade Complutense de Madrid).

Os oradores da sessão paralela sobre “Ciberjornalismo e Modelos de Negócio” FOTO: Carolina Pereira

O VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorreu nos dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Juntamente com os conteúdos patrocinados, foram debatidos temas como Fake news, clickbait, pós-verdade e muitas outras ameaças ao ciberjornalismo.

 

Carolina Pereira

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Jornalismo para dispositivos móveis e “clickbait”: VI Congresso Internacional do Ciberjornalismo

Na manhã do dia 23 de novembro, realizou-se no auditório 2 da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, uma Conferência e Sessões Paralelas com o propósito de expor e debater várias temáticas, abordadas por investigadores e especialistas formados na área da comunicação.

É importante destacar que estes debates são abordados no contexto da VI Conferência Internacional do Ciberjornalismo, onde há preocupações que vão desde as Fake News, Clickbait, Pós-Verdade e outros conceitos que se inter-relacionam.

“O IV JDM em 15 minutos”

A primeira conferência, “O IV JDM em 15 minutos”, foi apresentada por Fábio Giacomelli, da Universidade da Beira Interior.

O Jornalismo para Dispositivos Móveis (JDM), surgiu, segundo o professor doutor, em 2009. O projeto realizou-se na Serra da Estrela e juntou vários profissionais da academia e do mercado para debater o futuro das comunicações móveis.

Entre os objetivos do plano encontra-se o da perceção dos dispositivos móveis como plataforma de consumo de notícias, o qual foi sustentado com um estudo que permitiu descobrir as aplicações mais utilizadas pelos jovens.

Apostou-se numa transmissão ao vivo do JDM, com vista a promover interação, nas redes sociais do projeto.

O projeto conta com continuação e avanço para a 5ª Conferência, delineada para 2020.

No presente ano, a iniciativa já conta com a apresentação de 15 comunicações, 3 conferências e inúmeros contributos para a área académica.

“Ciberjornalismo e Clickbait”

Seguidamente, ocorreu às 10 horas, uma Conferência, dividida em 4 sessões, acerca do Clickbait.

Clickbait na Imprensa Portuguesa

A temática foi introduzida pelo profissional em comunicação, Pedro Moura.

O especialista na área, revelou a realização de um estudo aprofundado e de um projeto que é salientado como “ainda em construção” e baseado num trabalho já desenvolvido.

Este é um trabalho que reflete e trata de esclarecer a situação de títulos enganosos, cujo principal objetivo se incide na avaliação do nível de clickbait presente na Imprensa Portuguesa.

Pedro Moura, realça a importância de determinadas caraterísticas semânticas, designadamente a presença de frases incompletas e a representação da realidade com recurso ao exagero e com vista à intriga e “choque”.

Procedeu-se a toda uma análise de jornais, nomeadamente do jornal “A Bola”, “Record” e do “Correio da Manhã”, onde se reuniu um total de 156 notícias do total dos meios de comunicação analisados.

O método utilizado consistiu em escalas e critérios e devido à complexidade do próprio termo “clickbait” e de toda a estratégia para os órgãos de comunicação serem chamativos, muitas vezes em detrimento de veracidade e qualidade de conteúdo, o especialista abordou eficácia no sentido de uma análise qualitativa aliada a uma de caráter qualitativo.

Esta questão vai resultar em indicadores e soluções mais precisas, como modo de aperfeiçoamento do trabalho que ainda está em curso.

Clickbait na Imprensa Espanhola

Uma especialista da Universidade de Sevilha, procurou expor a temática do clickbait, nomeadamente, num jornal de referência espanhol: ESdiario

De acordo com a profissional, foi praticada a falácia no cibermeio espanhol de apelar mais às emoções, com transposição recorrente das barreiras da veracidade e imparcialidade.

Procedeu-se à análise de mais de 800 textos do jornal, de forma tanto quantitativa, como qualitativa e os resultados apontaram para um maior uso do clickbait na editoria política.

Segundo a professora, a prevalência de verbos que remetiam para cenários de crimes e violência, bem como apelo à vida pessoal e o uso de “adjetivos alarmantes” eram o mais visível nos casos em que a prática se verificava.

O clickbait foi ainda apontado como, nalguns casos, possível de “reciclar”, ou seja, ocorrer a publicação de conteúdos que já tinham sido publicados, no fundo, a existência de um re-publicação.

A profissional espanhola, acaba por concluir com a exposição da prevalência da política como alvo da temática abordada e da realidade da tentativa de audiência rentável, com recurso a métodos erróneos.

Clickbait– Jornalismo de Serviços

Um especialista em comunicação, da Universidade da Beira Interior abordou o clickbait, ao qual fez referência como prática de “caça clique”.

O profissional focou-se numa só notícia e num órgão, que posteriormente praticou clicbait com a mesma.

O estudo caso brasileiro do acidente de avião, no qual esteve implicada uma equipa de futebol, que se deslocava para o final da Copa Subamericana, foi explorado pelo Catraca Livre Website.

Este jornal procedeu à publicação de notícias relacionadas com pânico de avião, tendo acabado por publicar uma imagem com os próprios jogadores de futebol que sofreram o acidente.

O sítio web, que usou como técnicas a produção de conteúdos em forma de listas, perguntas e com recurso evidente ao sensacionalismo, acabou por perder audiência, cerca de 1 milhão de leitores em apenas uma semana.

Clickbait– “Entre o Jornalismo e o facto- distância fatal”

Tal como o próprio título do seu trabalho, a especialista Géssica Valentini, da Universidade Federal de Santa Catarina, procurou transmitir no seu estudo o caráter sensacionalista do clickbait.

A especialista focou-se na temática da possibilidade cada vez mais evidente da prática de um Jornalismo desumanizado.

No caso de uma notícia central, houve vários órgãos de comunicação que procederam a um “jornalismo distorcido”, que não averiguou os factos e não procurou informar-se bem.

O famoso caso de um jovem rapaz, fã da série Anatomia de Grey, foi visto a entrar com uma bata médica e detido à entrada do Hospital.

Os órgãos de comunicação social, apenas com esta informação de base, concluíram a loucura do rapaz e acrescentaram detalhes, que, de facto, não eram verídicos.

Este tipo de comportamento teve implicações, o próprio rapaz, alvo das notícias, acabou por se suicidar.

Géssica Valentini, termina com um apelo à prática de um Jornalismo transparente, em prole de uma sociedade onde coexista respeito pelos Direitos Humanos.

 

Luísa Felício

#6COBCIBER na FLUP: Fake News e Ciberjornalismo

Nos passados dias 22 e 23 de novembro, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto recebeu o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo.

Ás 11 horas da manhã do dia 22, o Anfiteatro 2 recebeu a Sessão Paralela sobre Fake News e Ciberjornalismo. Esta sessão contou com a presença de três profissionais na área da Comunicação, que exibiram as suas investigações relacionadas com este tema.

O primeiro a subir ao palco foi o investigador espanhol, Carlos Toural Bran. Bran apresentou dois jornais espanhóis que têm como objetivo combater as fake news, o MalditoBulo e B de Bulo. Explicou que motivações políticas, económicas e ideológicas podem levar á divulgação de Fake News e evidenciou a importância do Fact-Checking.

De seguida, Tâmela Medeiros subiu ao palco para revelar a sua investigação sobre a influência das Fake News na decisão de vacinar crianças contra o Sarampo. Para evidenciar a conclusão do seu estudo, Tâmela mostrou os resultados de uma sondagem que concluiu que 100% dos inquiridos acredita na eficácia das vacinas e que os inquiridos têm tendência a verificar a veracidade das fontes de informação. Desta forma, a investigadora afirma que as Fake News não tiveram qualquer efeito neste caso.

Para finalizar, o último palestrante foi  João Paulo Duque Löbe Guimarães, da Universidade de Évora. O investigador distinguiu as quatro tipologias de fake news: sátira, hoax, propaganda e trolling.

A palestra terminou com um período de debate , onde os convidados responderam a questões da audiência.

Mariana Fonseca

#6COBCIBER- O fenómeno do Clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro

A 22 e 23 de novembro, decorreu, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o sexto Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Entre muitos assuntos debatidos e discutidos, destacou-se a apresentação de um estudo sobre o fenómeno do clickbait no ciberjornalismo.

Foi na manhã do primeiro dia do congresso que Fernando Zamith, da Universidade do Porto, e Elizabeth Saad Corrêa, da Universidade de São Paulo, do Brasil, apresentaram as conclusões do seu estudo: “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”.

O clickbait pode ser definido como uma estratégia de configuração estilística e narrativa de um conteúdo em mídias digitais, com o objetivo de atrair a atenção do usuário para o clique num link que leva, na maior parte dos casos, ao engano.

O estudo, que foi proposto pelo Observatório de Ciberjornalismo, contou com a participação de 28 investigadores, dos quais fazem parte professores universitários, alunos de mestrado e doutoramento. A questão de partida deste estudo foi: “Qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e âmbito nacional?”

Neste estudo foram incluídos e analisados conteúdos de qualquer género jornalístico, que foram repartidos por três grupos: “conteúdos em destaque na webpage”, “os cinco conteúdos na lista dos mais lidos” (caso existisse) e “os cinco conteúdos no topo da página do Facebook”.

Fernando Zamith, Universidade do Porto, e Elizabeth Saad Corrêa, Universidade de São Paulo, Brasil Foto: Inês Dinis

A primeira análise, o “pré-teste”, foi feita, propositadamente, no dia 29 de junho de 2018, uma vez que foi dos poucos dias em que não se realizou nenhum jogo do Campeonato Mundial de Futebol e o objetivo era evitar que a investigação fosse “contaminada” por conteúdos futebolísticos.

Relativamente à recolha de dados, que foi essencial para o estudo, tanto em Portugal como no Brasil, foram analisados 18 cibermeios, tendo em conta cinco dimensões do conceito de clickbait: Exagero, Especulação, Publicidade, Entretenimento e Engano.

Em relação ao caso de Portugal, a análise permitiu concluir que os níveis de clickbait no ciberjornalismo português, em geral, foram bastante baixos. Já no Brasil, os resultados foram mais significativos, ou seja, o clickbait esteve mais presente.

Como forma de resposta à pergunta de partida, pode concluir-se que o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro é realmente muito ligeiro, sendo um pouco superior no Brasil. Desta forma, tanto Fernando Zamith como Elizabeth Saad Corrêa afirmaram que o clickbait efetivamente existe com um maior impacto, não nos cibermeios que foram analisados, mas sim “nos (cibermeios) não convencionais, que estão focados apenas na obtenção de receitas e não na qualidade jornalística”.

Por Inês Rebelo

 

#6COBCIBER: o arranque das sessões paralelas

O #6COBCIBER decorreu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto na semana passada. O painel 1-A contou com três oradores e centrou-se na temática das fake news.

 

As sessões paralelas – afinal, é mesmo isso que o nome indica – do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo funcionam paralelamente ao programa principal. A primeira sessão de comunicações dividiu-se em três painéis, que decorreram simultaneamente, em salas diferentes. O painel 1-A foi o selecionado para ocupar o espaço central do evento.

No início da manhã, o Anfiteatro 2 da Faculdade de Letras já tinha recebido a Sessão de Abertura do Congresso. Esta contou com a presença de Fernanda Ribeiro – Diretora da FLUP -, Elisa Cerveira (CIC:Digital), Helena Lima (Diretora do Mestrado em Ciências de Comunicação), Helder Bastos (Diretor da Licenciatura em Ciências da Comunicação) e Fernando Zamith, membro da Comissão Organizadora do COBCIBER.

Seguiu-se a Conferência de Abertura, que ficou ao cargo de Walter Dean, do Committee of Concerned Journalists (EUA). A temática abordada por Dean foi “The tyranny of ‘hits’ – How an emphasis on big numbers and flawed analytics has changed reporting”.

 

As fake news e a verificação de factos em Espanha

Às 11h15, a moderadora do painel, Ana Isabel Reis, lançou o programa paralelo. O primeiro orador foi Carlos Toural Bran, da Universidade de Santiago de Compostela. A apresentação – “Humor y desinformación – Espacios de creación de notícias falsas, redes sociales y plataformas de verificación en España” – centrou-se num trabalho realizado em conjunto com Ángel Vizoso e Xosé López-García.

Fotografia: Sofia Matos Silva

O discurso do espanhol manteve uma linha de pensamento lógica. Apresentou em que consistem as tão famosas fake news: “false stories that appear to be news, spread on the internet or using other media, usually created to influence political views or as a joke”. Estas são facilmente confundidas com conteúdo noticioso, por apresentarem títulos chamativos, fotografias e a organização de conteúdos.

O fact-checking, segundo Bran, é o mecanismo de proteção adotado pelo jornalismo contra as fake news. O estudo realizado pelo trio de Santiago de Compostela analisou as primeiras 25 verificações de 2018 dos websites MalditoBulo e B de Bulo. Nestas publicações, concluiu-se que as peças das páginas elmundotoday.com, haunoticia.es e 12minutos.com seguem a estrutura e conteúdos de notícias informativas – com a exceção de um pequeno “aviso legal” para a sua natureza humorística/satírica.

Bran seguiu para a enumeração das caraterísticas de cada um dos espaços de verificação, concluindo que o MalditoBulo tem maior impacto, maior capacidade de tormar as suas verificações virais e consegue ser mais conciso, enquanto o B de Bulo consegue uma análise mais profunda e com maior presença de elementos multimédia.

 

A influência das fake news na vacinação contra o sarampo em Portugal

Fotografia: Sofia Matos Silva

A segunda palestra foi a única com uma voz feminina – e com sotaque do Brasil. Tâmela Medeiros Grafolin trouxe um estudo realizado em conjunto com Joaquim Paulo Serra, na Universidade da Beira Interior. Neste, pretendia-se “perceber se as notícias falsas sobre a imunização contra o sarampo afetaram, de alguma maneira, o processo de decisão das famílias em vacinar ou não as crianças”.

Paralelamente, o estudo pretendia verificar quais os elementos das notícias absorvidos pelas famílias, assim como quais as principais fontes de informação sobre saúde. Grafolin abordou  o Modelo Cognitivo Idealizado e a evolução de boato para boato virtual e para fake news – o seu expoente máximo. A definição de fake news dada esteve em sintonia com a do orador anterior – a presente no dicionário de Cambridge (2018).

O contexto da pesquisa foi o do surto de sarampo no norte de Portugal. A investigadora destacou os “112 casos confirmados pela DGS”, a “vacinação não obrigatória do país” e que, dos 112 casos, “apenas 13% não haviam sido vacinados”. Foi feito um questionário de 28 perguntas aos familiares dos alunos do pré-escolar da Covilhã – a amostra foi formada por 31 pessoas.

Em jeito de conclusão, Grafolin defendeu que “as fake news sobre a eficácia da vacinação não são um risco em Portugal”, continuando os meios de comunicação social e os profissionais de saúde a ser os mais recorridos.

 

O universo das fake news satíricas

A ausência de Francisco Gilson Rebouças Pôrto Junior, da Universidade Federal do Tocantins, orador da comunicação “Fake News, profissionalização e comunicação: estudo sobre o efeito da terceira pessoa na atuação jornalística”, levaram à passagem direta da segunda para a quarta – e última – palestra.

Fotografia: Sofia Matos Silva

João Paulo Duque Löbe Guimarães (Universidade de Évora/CEL/c3i) trouxe o tema das “Satirical Fake News”. Em dez minutos, Guimarães forneceu diferentes conceitos de fake news, provenientes de diferentes autores, abordou as várias tipologias e explorou, em particular, as publicações The Onion e O António Maria.

Na sua perspetiva, as fake news podem ter origem em simples erros – sem qualquer intenção de se produzir conteúdo falso -, rumores, teorias da conspiração, sátiras, falsas declarações de políticos e publicações enganosas. Dividem-se em satire, hoax, propaganda e trolling – cada qual com o seu propósito.

No fim da sua apresentação, gerou-se um momento de debate entre o público presente no auditório e os oradores presentes. Para os que permaneceram na sala – e os vários grupos que esperavam à porta o fim da sessão – decorreu a apresentação do estudo ObCiber (colaboração GJOL e COM+ – “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”), com Fernando Zamith (Univ. Porto, Portugal) e Elizabeth Saad Corrêa (Univ. São Paulo, Brasil).

 

O Congresso prolongou-se pelo resto do dia, assim como pelo dia seguinte (23). As “ameaças ao ciberjornalismo” – a temática desta sexta edição – foram abordadas em conferências, debates e nas 53 sessões paralelas. Ainda houve tempo para atribuir os tão aguardados Prémios de Ciberjornalismo 2018.

 

Sofia Matos Silva (turma 1)

Redes Sociais e Ciberjonalismo: #6COBCIBER na FLUP

Ciberjornalismo e redes sociais foi o tema de uma das sessões paralelas do primeiro dia do Congresso de Ciberjornalismo. Durante os dias 22 e 23 de novembro, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto foi o palco da conferência cujo tema central eram as ameaças ao ciberjornalismo.

Com a moderação de Paulo Frias, a sessão contava com quatro apresentações e tinha hora marcada para as 11h15.

Contudo, no início da sessão, percebeu-se que um dos oradores não havia comparecido e, portanto, só se realizaram três das apresentações programadas.

Sendo assim, a primeira focava-se no uso de Instagram Stories nos meios de comunicação e foi apresentada por Jorge Vázquez-Herrero da Universidade de Santiago de Compostela.

O orador referiu a superioridade do Instagram, do ponto de vista dos media, relativamente às restantes redes sociais, já que permite que o consumo se torne mais rápido, breve e, principalmente, visual.

No estudo, verificou-se que apenas 17 dos 60 meios de comunicação selecionados publicavam nas Stories e com o objetivo principal de gerar tráfego e captar a atenção do leitor.

A segunda apresentação de Orge Castellano Parra baseou-se na utilização das redes sociais por parte dos futebolistas, mais especificamente Cristiano Ronaldo no Twitter.

Orge Castellano Parra da Universidade do País Vasco na apresentação do estudo “Futbolistas y redes sociales. ¿Para qué y con quién utiliza Twitter Cristiano Ronaldo?”.

O estudo chegou à conclusão de que os futebolistas utilizam o Twitter muitas vezes para publicitarem algum produto ou serviço, ou seja, como uma forma de investimento.

Aliás, quantas mais hashtags forem usadas, melhor será a interação dos futebolistas com os fãs e os jornalistas, e a a perceção do público em geral.

Por último, a apresentação de Paulo Eduardo sobre a utilização das Instagram Stories por parte de jornalistas, ao promoverem conteúdos jornalísticos de uma forma finita e sem deixar rasto.

Paulo Eduardo Silva Lins Cajazeira da Universidade Federal do Cariri a apresentar o estudo sobre “As narrativas ao vivo do jornalismo audiovisual no Instagram”.

O estudo concluiu, então, que a maioria das Stories revelam uma falta de rigor e planeamento por parte dos jornalistas, que são vistos como celebridades e utilizam o canal de televisão praticamente como um sobrenome.

Depois de todas as apresentações estarem concluídas, nenhum membro do público tinha dúvidas acerca dos três estudos e, portanto, a sessão deu-se por terminado.

 

Sara Sousa, Turma 3