Arquivo mensal: Novembro 2018

Quais as tendências da investigação internacional em ciberjornalismo?

Pergunta foi respondida no estudo realizado e apresentado por Raquel Bastos e Fernando Zamith no decorrer do ObCiber, que se realizou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e deu a conhecer os termos mais pesquisados e as principais referências aquando se investiga por ciberjornalismo.

A sessão arrancou meia hora depois da hora marcada (estava agendada para as 12:15 mas começou às 12:45), tendo Fernando Zamith começado por explicar o contexto e o porquê da realização do estudo.

Raquel Bastos prosseguiu com a apresentação dos resultados que foi recolhendo nos últimos meses. Recorrendo a bases de dados, constatou que Alfred Hermida é a pessoa mais citada quando se pesquisa por ciberjornalismo. Outra tendência observada é que dos vários livros e artigos analisados, “social media”, “interactivity” e “audience” foram as palavras-chave mais encontradas.

Após os resultados, o professor Zamith revelou um novo site, RIIC, que “é a rede interinstitucional de cursos, departamentos, escolas ou faculdades que realizam fóruns, cursos de especialização, mestrados, pós-graduações e programas de investigação vinculados ao ciberjornalismo.” No mesmo, é possível pesquisar por autores, artigos, livros, bases de dados e eventos relacionados com a temática.

Para concluir, o docente Zamith revela a intenção do website facilitar a cooperação com os outros eventos de ciberjornalismo existentes a nível mundial.

Filipe Silva

Turma 3

Que problemas enfrenta o Ciberjornalismo em Portugal?

Fotografia por: Rafaela Lobo

“Não há foco no jornalismo”, afirma Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, já próximo do final do primeiro dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Esteve em debate o tema que dá mote ao Congresso, as “Ameaças ao Ciberjornalismo”, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Miguel Soares, editor-coordenador das redes sociais da Antena 1, aponta como um dos problemas a obsessão das redações em chegar ao maior número de pessoas , que pode tornar-se contraproducente.

Por outro lado, Pedro Miguel Santos, diretor do Fumaça, culpa a falta de tempo, que traz consequências na forma como se pensa e trabalha.

Sérgio Sousa, diretor do V Digital, fala do retrato que o jornalista tem hoje, ao segundo, de quem está a ver e o que está a ver. Destaca que, se não se tiver cuidado, pode com isso perder-se o foco do jornalismo. Além disso, refere que o dinheiro envolvido também tem a sua influência, tal como em outros meios.

Já Sofia Branco salienta a situação de precariedade que os jornalistas enfrentam, chamando a atenção para o facto de um terço dos profissionais trabalharem como freelancers. Conclui que, por esse motivo, o foco deixa de estar no jornalismo, afetando-se a ética que é um princípio fundamental.

Como resolver estes problemas?

Esperam-se as soluções vindas dos jornalistas e não “dos senhores com os salários grandes”, refere a presidente do Sindicato dos Jornalistas. O setor enfrenta dificuldades e é preciso arranjar soluções adaptadas aos tempos atuais.

“Nunca fiz um trabalho com condicionantes, pressões de acionistas ou políticos”, afirma Miguel Soares, ressalvando que na rádio não se sente tanto essa pressão, salvo em casos excecionais. Pensa que a solução passa por se procurar uma atividade que chegue ao recetor de forma viável, de forma a haver independência.

Pedro Miguel Santos fala precisamente do projeto que lhe diz respeito, cujo “modelo de negócio é não ter negócio”, comparando o Fumaça a uma ONG. O projeto é financiado com bolsas de fundações como a OSF, Open Society Foundations, e a Gulbenkian. Contudo, acredita que um dia vai ser possível pagar o que fazem com as contribuições que recebem”, salientando que para tal é fundamental haver transparência.

Para o presidente do Fumaça “se se definirem prioridades é possível mudar algo no jornalismo”, dando o exemplo de equipas que andam todos os dias atrás do Presidente da República, gastando dinheiro que podia ser canalizado, por exemplo, para uma grande reportagem.

O jornalismo e o negócio

O objetivo dos meios é ser o mais ouvido ou o mais lido. “Só teremos independência editorial se tivermos independência financeira”, são as palavras de Miguel Soares.

Sofia Branco salienta a dificuldade que alguém que é diretor de informação e simultaneamente administrador encontra em não ser influenciado na tomada de decisões. Há uma confusão de funções. Assim, o jornalismo não pode ser alheio ao negócio e, se o negócio é mal gerido, acaba por culpar-se os jornalistas.

No que toca a esta relação, entre o jornalismo e o negócio, questiona-se o papel que o Estado devia ter, além da sua influência no serviço público de televisão ou rádio. Também o papel de multinacionais como a Google ou o Facebook, que “roubam” os conteúdos produzidos pelos jornalistas deve ser questionado.

Para Miguel Soares, o Estado deve assegurar pelo menos condições para se fazer bom jornalismo.

Como assegurar a verdade?

Hoje em dia consome-se informação como nunca mas é importante pensar-se se esta informação está a ser consumida da melhor forma. A última parte do debate destinou-se às perguntas da audiência.

Começou-se pelo Polígrafo, o novo projeto português direcionado para a verificação dos factos.

Os participantes do debate salientaram que esse “fact-checking” é inerente à prática do jornalismo. Apesar disso, Sofia Branco mostrou-se preocupada com o facto de isso poder não acontecer, devido à emergência que as redações sentem para a fazer chegar a notícia o mais rapidamente possível ao público.

Miguel Soares salienta que a diferença entre o jornalista e o cidadão comum passa pela credibilidade, pelo que as pessoas não devem por em causa aquilo que o jornalista diz. Apesar disso, a credibilidade tem de se conquistar, o que implica que as notícias sejam verificadas. “Os jornalistas devem estar escravizados pela credibilidade e não pelo tempo”, conclui.

Surgiu depois do público a questão sobre as fake news e a influência que podem ter na forma como se pratica o jornalismo.

Miguel Soares continuou, dizendo que estas sempre existiram, não se propagavam é com a rapidez de agora e que podem ser uma oportunidade para fortalecer o jornalismo.

Com isto, Pedro Miguel Santos concretizou o debate, afirmando a sua crença de que nunca houve tanto jornalismo de qualidade como hoje em dia.

O Congresso Internacional de Ciberjornalismo decorreu nas passadas quinta e sexta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O primeiro dia terminou com a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo, logo após o debate.

Rafaela Lobo

#6COBCIBER: As fake news e a desinformação

Nos dias 22 e 23 de novembro, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) recebeu o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo do ObCiber. Entre a discussão de temas relacionados às ameaças ao jornalismo online, falou-se sobre a proeminência das fake news.

“Fake News e Ciberjornalismo” inaugurou as sessões paralelas do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. A sessão, que decorreu na passada quinta feira (22) de manhã no Anfiteatro 2 da FLUP, contou com a presença de três especialistas na área do jornalismo e comunicação e a moderação da professora Ana Isabel Reis. Os convidados apresentaram investigações relativas à temática das fake news, que têm cada vez mais preponderância no cibermeio.

A primeira comunicação esteve a cargo de Carlos Toural Bran, docente e investigador no departamento de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha. Em castelhano, falou sobre os espaços de criação de notícias falsas, redes sociais e as plataformas de verificação de fake news existentes em território espanhol.

O investigador revelou quais as motivações principais para a elaboração e divulgação de notícias falaciosas, discutindo quais os seus motores políticos, económicos, sociais e ideológicos. Referiu-se, igualmente, às redes sociais, que admite serem uma forma eficaz de propagar informação errada online, devido à facilidade de uma publicação se poder tornar viral.

Carlos Toural Bran é docente e investigador na Universidade de Santiago de Compostela, Espanha. Foto: Tiago Serra Cunha

Bran expôs quais os mecanismos de proteção face às fake news adotados pelo jornalismo, sendo o fact-checking uma ferramenta crucial para a sua identificação. Com o surgimento deste mecanismo, surge um novo perfil profissional, o fact-checker.

Ilustrando o caso do seu país, o docente deu a conhecer à audiência duas das plataformas de verificação de factos espanholas (B de Bulo e MalditoBulo) e qual a sua estrutura e forma de verificação face a sites de informação falsa (como o Elmundotoday.com). Em Portugal, surge recentemente o Polígrafo, o primeiro jornal português de fact-checking.

Uma vez que tem sido verificada a facilidade de criação de fake news e conteúdos falsos, que chegam até a ser propagados por órgãos de comunicação profissionais que não verificam corretamente a fonte da informação, Carlos Toural Bran define um objetivo futuro. O investigador aconselha a uma maior sensibilização para o perigo da informação falsa, mesmo quando a sua natureza é humorística.

As Fake News e o sarampo: qual a relação

A sessão paralela do #6OBCIBER contou ainda com a presença de mais dois investigadores, que apresentaram à audiência dois estudos de caso focados na temática das fake news e a forma como estas podem ser vitais para uma determinada perceção de um tema da atualidade.

A segunda comunicação da manhã esteve a cargo de Tâmela Medeiros Grafolin, doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. A investigadora na área da comunicação e saúde apresentou um estudo sobre o processo de decisão das famílias sobre a vacinação das crianças contra o sarampo em Portugal e de que forma as notícias (falsas ou não) podem ser decisivas na perceção deste caso.

Tâmela Medeiros Grafolin, doutoranda na Universidade da Beira Interior, apresentou um estudo sobre o impacto das fake news no caso do sarampo. Foto: Tiago Serra Cunha

Dada a reconfiguração da consideração do que é notícia por parte do público, a discente brasileira realizou uma sondagem com uma amostra restrita de forma a compreender se as notícias falsas teriam impacto na decisão de vacinar ou não crianças contra o sarampo, depois do surto ocorrido no início deste ano em várias regiões do país.

Após a realização do estudo, Tâmela concluiu que a totalidade dos inquiridos confiava na eficácia das vacinas para o sarampo e, apesar de terem conteúdos falaciosos sobre o tema a circular nas suas redes sociais, verificam a autenticidade das fontes no que toca a este tipo de temas. Deste modo, as fake news não influenciaram de forma negativa este caso.

O humor e a sátira condizem com as fake news?

A última comunicação esteve a cargo de João Paulo Duque Löbe Guimarães, da Universidade de Évora. O orador apresentou uma discussão acerca do panorama atual das fake news e de que forma é que a sátira se insere neste tipo de conteúdo.

A temática das satirical fake news foi apresentada por João Paulo Duque Löbe Guimarães (Universidade de Évora/CEL/c3i). Foto: Tiago Serra Cunha

Segundo o investigador, a sátira jornalística identifica-se como notícias que apresentam conteúdo falso proposital, mas que não têm intenção de enganar os leitores, uma vez que se trata de humor. Como principal tema, aponta a política.

Este estudo focou-se na dualidade de opiniões que a existência de satirical fake news cria no público. Ao mesmo tempo que permitem questionar a lógica das práticas jornalísticas contemporâneas e encorajam o pensamento crítico e o debate, podem acabar por impedir que informação verdadeira seja divulgada no seu lugar.

No entanto, nem todos consideram a sátira um tipo de notícia falsa. Os que o consideram refletem que, embora humorística, uma “notícia” deste género não é verdadeira. Carlos Toural Bran, orador na primeira comunicação da sessão, fez destacar através de uma intervenção que este tipo de humor pode ser considerado absurdo, uma vez que não há identificação da natureza satírica do tema. As pessoas partilham estes conteúdos como informação, tendo estes um papel relevante na definição do humor satírico como fake news.

 

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Texto:
Tiago Serra Cunha
Turma 2, up201706258

#6COCIBER: a propagação das Fake News no Ciberjornalismo

Como se tem difundido o fenómeno das Fake news no ciberjornalismo? Foi esta uma das questões debatidas no primeiro dia do Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a decorrer na Faculdade de Letras da UP.

Na Sessão Paralela do Congresso, que decorreu por volta das 14:30 no Anfiteatro 2 (apesar de um pequeno atraso) foi abordado o tema das Fake News. Foram convidados 4 oradores que apresentaram a sua opinião sobre este fenómeno e onde tentaram transmitir a importância da sua consciencialização. A sessão foi moderada por Fernando Zamith.

A sessão iniciou-se com uma oradora de uma Faculdade do Brasil, Maíra Bittencourt, em que esta expôs a influência das redes sociais, nomeadamente o Facebook, na propagação das fake news. A existência de páginas de conteúdo fake torna-se um perigo à credibilidade do ciberjornalismo, e o facto das redes sociais permitirem a sua partilha, aumenta a sua expansão.

Depois de se ouvir as conclusões de Maíra, seguiu-se Alexandra Fante, também do Brasil, que nos mostra como as fake news têm alterado o género discursivo e as consequentes repercussões no meio do ciberjornalismo. “Fake news desapropriam a verdade e desapropriam o formato e dos valores noticia”

A terceira oradora aborda o tema da Agência Lupa, a primeira agência de Fact-checking. Esta organização pretendeu ser uma importante ferramenta no combate às Fake news, apesar de alguns grupos políticos se mostrarem contra: “É a censura 2.0”

Por fim, a Sessão Paralela termina com a participação de Pedro Jerónimo, que aborda o mesmo tema mas de uma perspetiva completamente diferente das restantes. O orador menciona a importância de uma boa formação jornalística na era da propagação das Fake News. Pedro Jerónimo afirma que ainda existe uma incorporação mínima do tema das fake news nos cursos ligados ao jornalismo e que é necessário uma maior consciencialização.

A Sessão Paralela encerrou, deixando na mente de todos a importância da consciencialização do perigo das Fake News.

Entretanto o Congresso continuou e a Faculdade de Letras continuou como o palco de inúmeras outras palestras, onde foram abordados outros temas como: Clickbait, Redes Sociais e o Sedentarismo no Ciberjornalismo.

Mariana Ribeiro

COBCIBER: O Jornalismo das Redes Sociais

Através de redes sociais como o Twitter e o Instagram, o acesso à informação é cada vez mais facilitado. Na conferência “ Ciberjornalismo e as Redes Sociais”, os investigadores abordaram  a potencialidade destas plataformas como um meio para atingirem os diferentes públicos.

A primeira apresentação contou com a presença do professor Jorge Vásquez Herrero da Universidade de Santiago de Compostela, com o propósito de demonstrar a forma como os media utilizam as redes sociais.

Segundo o orador, as redes sociais surgem como espaço para encontrar informação assim como também permitir a partipação ativa dos cidadãos no jornalismo. O investigador apresentou o estudo de caso ”Use Instagram Stories in Media” com o intuito de mostrar a sua funcionalidade e a forma como os media o utilizavam.

A par deste estudo, conclui-se que a comunicação visual é a mais utilizada nos “stories”, assim como temas que abrangem um maior público são os mais difundidos, nomeadamente o desporto.

Partindo do desporto, Orge Castellano deu o ponto de partida para a segunda apresentação da Conferência. “Futebolistas e redes sociais. Para quê e com quem Cristiano Ronaldo utiliza o Twitter”, foi o tema debatido pelo investigador.

Na perspetiva de Orge, a utilização do Twiiter para divulgar conteúdos desportivos reflete-se na interação que, hoje em dia, clubes, jogadores e até fans podem usufruir. Para tal,  foi apresentado ao público um estudo de caso de Cristiano Ronaldo, no qual se mostrou a comunicação exercida pelo jogador nas suas publicações.

Através de uma análise minuciosa ao twitter do jogador, foi destacada a preponderância que a publicidade assume nos seus tweets, visto que aproximadamente metade referiam-se a marcas como Herbalife e Nike.

Além disso, também foi detetado o uso de hastags e palavras mais específicas, que possibilitam uma melhor interação com os fãs.

A sessão, com moderação de Paulo Frias, terminou com a apresentação sobre o jornalismo audiovisual, dirigido pelo do professor Paulo Eduardo Casajeira, da Universidade Federal do Cairiri.

Neste contexto, o investigador assumiu o mesmo rumo da apresentação, com um estudo de caso, a fim de evidenciar a potencialidade do Instagram na interação dos jornalistas com a audiência, assim como o processo de contrução de uma narrativa através das redes sociais.

Daniela Ferreira, turma 2, up201709505

#6Obciber: As ameaças ao (ciber)jornalismo

O VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo passou pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nos dias 22 e 23 de novembro. As ameaças ao ciberjornalismo foi um dos grandes temas abordados, por Manuel Pinto.

No segundo dia do evento, o tema das ameaças ao ciberjornalismo foi abordado pelo professor catedrático da Universidade do Minho, Manuel Joaquim Silva Pinto. O orador começa por colocar questões de reflexão sobre a temática da conferência, uma das quais “De que maneira é que essas ameaças, nos podem abrir portas para colocar outras perguntas e procurar outras soluções e outros caminhos?”.

Foto: Marta Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo Manuel Pinto, as ameaças internas e externas, maior parte das vezes, depende da qualidade do próprio jornalismo. Uma das principais ameaças está no jornalismo do cidadão, afirmando que se tornou um “perigo público, porque põe em causa a existência de um discurso para o regime democrático”.

 Salienta a importância de distinguir o que é jornalismo daquilo que se tenta aproximar disso. “O privilégio do jornalista não pode estar em causa. O privilégio de evitar e aquilo que esperamos dele, que é buscar a verdade a todo o custo, verificar a informação, cruzá-la, investigar, são tudo isto tarefas que por muito que um blogger se esforce, nunca na vida poderá fazer com a competência, tempo e com a dedicação, que naturalmente alguém que vive para esse trabalho é suposto fazer”. Refere que as redes sociais e as plataformas digitais de comunicação são provas da necessidade de enunciação por parte da sociedade.

Uma das suas preocupações passa também por uma separação do jornalismo e dos seus públicos. Na visão do professor falta um certo posicionamento de defesa e preservação por parte dos profissionais, “Jornalismo que só olha para o jornalismo, nem para o jornalismo olha”.

Na reta final, o orador deixou variadas questões que levam a plateia a refletir sobre a importância das necessidades dos diferentes públicos e também sobre a questão de confiar mais na informação jornalística.

 

Marta Santos

Jornalismo e conteúdo patrocinado em destaque no #6COBCIBER

O segundo dia do #6COBCIBER foi marcado pela palestra de Valdir Ribeiro Jr. O jornalista brasileiro apresentou um estudo acerca da existência de conteúdo patrocinado no jornalismo atual.  As possíveis soluções para este problema foram o foco desta sessão.

Inserida na sessão “Ciberjornalismo e Modelos de Negócio”, que deu início às 14h30 de sexta-feira, Valdir Ribeiro da Silva Júnior apresentou “Ciberjornalismo e conteúdo patrocinado: a necessidade de definir o branded content”.

Valdir Ribeiro Jr falou acerca do conteúdo patrocinado no jornalismo

Numa apresentação de cerca de quinze minutos, o orador explicou em pormenor o conceito de “Advertising” e o contexto em que surgiu. Os termos “persuasão” e “informação” foram contrapostos e utilizados para definir esta ameaça.

O maior problema do conteúdo patrocinado no jornalismo, segundo Valdir Ribeiro Jr, é o “consumo de publicidade sem saber”, o que leva os leitores a ler e reter informação tendenciosa. A credibilidade do jornalismo e dos jornalistas foram assuntos explorados na sequência desta ameaça.

Valdir Ribeiro JR usou o conceito “Persuasion Knowledge” para descrever o reconhecimento da tentativa de persuasão, que o jornalista indica como “chave” para defender os leitores destes conteúdos.

No sentido de resolver este problema, apresentou uma lista de perguntas que podem ajudar o leitor a perceber se o artigo que está a ler é, ou não, conteúdo patrocinado.

O #6COBCIBER aconteceu nos dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Pode ler-se mais acerca do evento no blog do Congresso.

 

Inês Pinto da Costa (turma 1)

O clickbait no jornalismo português e brasileiro – VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo

VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo  deu-se nos dias 22e 23 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. No decorrer destes dias foram discutidas as diversas ameaças ao ciberjornalismo, como fake news,  sencionalismo , clickbait, entre outras, por vários especialistas na área.

Entre os palestrantes estiveram presentes Fernando Zamith, da Universidade do Porto, em Portugal, e Elizabeth Saad Corrêa, da Universidade de São Paulo, no Brasil, que apresentaram o projeto “o clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”.

Fernando Zamith e Elizabeth Saad Corrêa

O grupo de investigação é composto por 28 elementos, entre eles professores universitários e estudantes de mestrado e doutoramento, e teve como questão de partida “qual o peso do clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro de informação geral e de âmbito nacional?”.

O estudo debruçou-se sobre um jornalismo mais atual e generalista, ao invés de um jornalismo mais especializado, e quatro hipóteses foram formuladas. A primeira hipótese previa que mais de trinta por cento das cibernotícias teriam algum indício de clickbait, a segunda que existia mais clickbait na rede social Facebook do que na web, a terceira que havia mais clickbait na área do desporto, no caso de Portugal, e por último, a quarta previa que havia mais clickbait na área da política, no caso do Brasil.

Destas quatro hipóteses, as duas primeiras não foram confirmadas, e as duas restantes ainda aguardam a verificação.

No final da palestra Zamith responde à pergunta inicial e revela que o peso do clickbait em Portugal e no Brasil é, na verdade, ainda muito ligeiro.

 

Eva Pereira up 201707681

#6COBCIBER: “Os jornalistas estão, de facto, a dar voz a quem não tem voz?”

No segundo e último dia do VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, Manuel Pinto, da Universidade do Minho, foi um dos oradores presentes e deu voz à conferência “As ameaças ao (ciber)jornalismo que vêm do próprio campo jornalístico”.

 

A primeira conferência de 23 de novembro do #COBCIBER6 trouxe à Faculdade de Letras, o professor catedrático Manuel Pinto, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Introduzido ao público por Ana Isabel Reis, membro da comissão organizadora, o orador agradece o convite e inicia a conferência questionando o papel do jornalismo nas cidades e o porquê da preocupação com as ameaças.

Apesar das múltiplas plataformas que surgiram nos últimos anos, o jornalismo tem vindo a desenvolver-se com cada vez mais público a querer intervir na área e, é atualmente um campo “assediado”. “Pensar diferente sobre a nossa profissão” é, segundo Manuel Pinto, uma necessidade face às ameaças ao jornalismo tradicional.

Numa sociedade que o orador designou como “crispada” dado o défice de qualidade de informação, é preciso rever o conceito de ameaça que tem uma “carga negativa forte” e “instiga atitudes de defesa”. O professor explicou que a situação implica uma reflexão crítica e questiona o porquê da “preocupação com as ameaças?” que, na sua opinião, consiste numa das perspetivas de interpretar o jornalismo atual.

Manuel Pinto colocou também em causa a postura dos jornalistas que “não tomam medidas para eliminar as ameaças”, apesar de as conhecerem. As ameaças ao ciberjornalismo são externas ou internas ao campo jornalístico, confirmou o conferencista. Reiterou ainda que é um “erro e uma visão bastante redutora” considerar que os problemas do jornalismo se resolvem a partir do próprio jornalismo, sendo esta uma “reflexão autorreferencial do jornalismo”.

Parafraseando Abel Salazar, Manuel Pinto adaptou uma das suas frases mais célebres e afirmou que “o jornalismo que só olha para o jornalismo, nem para o jornalismo olha”.

O orador defendeu que a situação atual deve provocar, nos profissionais, questões importantes: “Em que medida é que esta situação não suscita novos desafios, não os obriga a colocar de outra maneira?” e refletiu “porque é que apesar das ameaças serem cada vez mais claras, não há o desencadeamento direto de uma posição de preservação por parte dos jornalistas?”.

 

As ameaças e os obstáculos

Durante a conferência, Manuel Pinto referiu o “jornalismo cidadão” como uma das principais ameaças ao jornalismo.

Propôs ao público que repense o jornalismo: “Em que medida é que a agenda jornalística é um privilégio e uma prerrogativa apenas dos jornalistas? A construção da agenda ganharia ou perderia em ser partilhada com os públicos do próprio jornalismo?”.

Contudo, reforçou que o trabalho do jornalista não pode ser posto em causa – “buscar a verdade, incomodar o poder, verificar informação, cruzá-la e investigar” – uma vez que são tarefas que “por muito que se esforce, um blogger nunca poderá fazê-las como alguém que vive para esse trabalho”. Considerou assim, que não há ninguém capaz de fazer o trabalho do jornalista com a mesma competência de um profissional.

As redes sociais são, segundo o orador, um exemplo de plataformas que vieram “promover a multiplicação dos pólos de enunciação na sociedade”, porém admitiu que podem consistir num “perigo público porque põem em causa a existência de um discurso fundamental para um regime democrático, por ser um discurso que segue o código de natureza ético-deontológica que é uma garantia da qualidade da informação”.

O crescimento de plataformas autointituladas informativas cria um clima de desconfiança face à própria informação jornalística. Terminou o tópico, recorrendo a uma parábola, salientando a premência de “separar o trigo do joio”: saber distinguir o que é jornalismo do que não é jornalismo.

A preocupação com as audiências

Manuel Pinto abordou ainda o problema do afastamento entre o jornalismo e o público que leva a que o impacto do primeiro seja mais “reduzido ou mesmo contraproducente”.

O professor admitiu faltar entre os jornalistas uma “cultura de escuta” e questionou: “Será que o modo de fazer as perguntas não é uma forma de impôr respostas? Será que estão, de facto, a dar voz a quem não tem voz? Será que o que os jornalistas inscrevem na sua agenda de preocupações cobre o fundamental das dinâmicas sociais, das lutas sociais, das preocupações, das inovações e das necessidades de informação das coletividades, das comunidades?” Manuel Pinto considera que não, devido à “desconfiança que se se sente face à informação jornalística”. Reiterou que é necessário pensar nos públicos “não só como audiências, mas como comunidades vivas” escutando e ouvindo “as suas necessidades e inquietações”.

O jornalismo no contexto da mudança

O orador refletiu acerca da intervenção do público não ser “parte da solução, do lado dos jornalistas” e deixa a questão: “Em que moldes se poderá fazer um jornalismo mais participado?”.

Perto do final da conferência, referiu o livro “Os Elementos do Jornalismo”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, como uma prova da “velocidade estonteante” que caracteriza a evolução do jornalismo. Segundo o professor, o estudo tem sido alvo de atualizações constantes, sendo capaz de “captar um sinal dos tempos”. Reforça: “há indivíduos preocupados com a qualidade da informação e que lutam pela inovação.”.

A esperança e a fé no jornalismo

Manuel Pinto terminou a conferência assumindo que “ir resistindo” às ameaças é a solução e que “isso se faz em conjunto e não sozinhos”. Acrescentou ainda que “é uma questão de fé”.  Por último, lança uma reflexão ao público: “Estamos assediados, por todo o lado, por instrumentos de comunicação, mas ninguém se questiona se estamos a comunicar melhor”.

Após a conferência, o Congresso Internacional de Ciberjornalismo continuou, versando temas como a Investigação internacional em ciberjornalismo e contando com a presença de Nora Paul da Universidade de Minnesota, a encerrar o dia.

Margarida Magalhães