#6OBCIBER: o clickbait português e brasileiro

 

Foto : Prof. Fernando Zamith e Prof. Elizabeth Saad Corrêa

No VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo (6COBCIBER), que decorreu nos dias 22 e 23 de novembro, as principais ameaças ao ciberjornalismo foram discutidas. Na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o clickbait mereceu destaque no primeiro dia de congresso.

Fernando Zamith e Elizabeth Saad Corrêa, da Universidade do Porto e da Universidade de São Paulo, respetivamente, apresentaram o estudo realizado em equipa e proposto pelo Observatório de Ciberjornalismo. Este consistiu em analisar o clickbait nos principais meios de comunicação portugueses e brasileiros, de forma a quantificar o seu peso nos media.

Para tal, foram reunidos 28 investigadores dos dois países, em que estão incluídos professores universitários e alunos de mestrado e doutoramento. Estes tiveram a tarefa de recolher conteúdos noticiosos em simultâneo de 36 meios de comunicação, 18 em Portugal e 18 no Brasil.

O clickbait é definido pelos investigadores como uma “estratégia de configuração estilística e narrativa de um conteúdo em media digitais com o objetivo de atrair a atenção do usuário para o clique num link”. Com a análise dos conteúdos adquiridos, foi possível estabelecer cinco dimensões em relação ao uso do clickbait: exagero, engano, especulação, publicidade e entretenimento. Em cada uma das dimensões há a divisão em vários componentes e indicadores, para melhor leitura do estudo.

Em relação a Portugal, verificou-se que os níveis de clickbait são baixos, já que existem apenas dois indicadores com uma frequência superior a 10%. Nos meios de comunicação escolhidos, as dimensões Exagero e Entretenimento foram as mais utilizadas. Para além disso, 9 dos 32 indicadores não apresentaram nenhuma ocorrência de clickbait.

Nos resultados brasileiros, os valores são ligeiramente superiores em relação aos de Portugal. Os indicadores que se destacaram foram o uso de títulos provocadores sem justificação, a adjetivação exagerada e a informação duvidosa.

O estudo conclui que o clcikbait em Portugal e Brasil são baixos, já que apenas dois critérios tiveram uma frequência superior a 10%. O clickbait usado como forma de entretenimento (por ex. conteúdos divertidos) e com o objetivo de exagerar um conteúdo informativo foram as que mais presença tiveram.

Os investigadores acreditam que tal acontece porque os meios de comunicação escolhidos são fidedignos, pelo que o clickbait parece estar mais presente nos media não convencionais. Para além disso, o facto de toda o estudo ter sido concentrado num único dia e a difícil comparabilidade dos conteúdos pode ter influenciado estes resultados.

Pedro Andrade Cruz 200904290 Turma 2