#6COBCIBER: Participação e formatos colaborativos no Ciberjornalismo

No primeiro dia da COBCIBER, 22 de  Novembro, a Faculdade de Letras do Porto (FLUP) acolheu  diversas sessões e debates . Uma das várias sessões  paralelas abordou  a participação e formatos colaborativos no Ciberjornalismo.

A sessão moderada pela professora Helena Lima decorreu pelas 14h30, na sala 203. Foram apresentados três dos quatro estudos no programa da sessão.

Análise de comentários do Twitter para verificar a participação do leitor em notícias de impacto

Diretamente do Brasil, Rita Paulino, Professora na Universidade Federal de Santa Catarina, expôs os resultados do seu estudo de análise de redes sociais. Afirmou que o seu objetivo não era teorizar mas sim estudar uma área que tangencia o jornalismo, a pesquisa prática e a experimental.

O estudo focou-se em três casos: o suicídio de Carlos Cancellier, a prisão de Lula e a morte de Marielle. Relativamente a Lula,  a análise foi feita a partir do Twitter, onde a professora assegura que existem muitos mais posts. “Não pelas pessoas comunicarem entre si mas por exporem simplesmente a sua opinião”, explica. Nos 3 dias seguintes à prisão de Lula, foram recolhidos 77 mil tweets, provenientes de toda a  América Latina.

Rita Paulino explica como analisou os posts nas redes sociais para entender a reação da comunidade a notícias importantes. Foto: Cristiana Rodrigues

Os tweets analisados foram divididos em duas categorias: sentimentos bons e sentimentos maus. Expressões como “ cadeia, corrupção, corrupto, pena, condenação” encheram os tweets classificados como maus. Por outro lado “ golpe, cadê a prova, eleição sem lula é fraude, lula 2018, inocente, perseguido e fora Temer” marcaram os sentimentos bons. 

Rita Paulino considera que existe um padrão. Cinco meses antes das eleições já existia um sentimento contra lula e isso pode, de certa forma, explicar o resultado das eleições brasileiras.

Projecto P3: Evolução das tendências editoriais e formatos colaborativos

Docente da Universidade do Porto(UP) , Ivone Neiva Santos apresenta o projeto P3, partindo da sua fundação em 2010 através da colaboração da UP com o jornal  Público. Caracteriza a

Ivone Neiva Santos a apresentar o projeto P3. Foto: Cristiana Rodrigues

criação do P3 como ” um desafio que revela novas tendências” e cujo público alvo era, e ainda são,  os jovens.

O tema que apresentou recai sobre  o uso de Crowdsourcing como fonte significativa no P3. Para este estudo foram analisadas 16892 publicações, durante 5 anos do projeto- setembro de 2011 a Agosto de 2016. Verificou-se que o Crowdsourcing foi, efetivamente, a fonte mais frequentemente utilizada pelo P3, menos no 1º ano do projeto. A participação do público concentra-se na editoria opinião e galeria de fotos. 

A deslegitimização da vítima em casos de agressão sexual no discurso social

Double Victimization – a vítima sofre traumas não só com o caso e julgamento mas também pela forma como os media retratam o caso. É a primeira explicação da apresentação. Não é raro  encontrar comentários  de culpabilização da vítima em notícias relacionadas com casos de violação. Rosa Hernaiz, Elvia García e Ruth Stoffels analisaram essas ocorrências. Para tal, escolheram o caso de Pamplona, que aconteceu em julho de 2016, recolhendo comentários de dois jornais espanhóis: El país e El Mundo.

O seu estudo teve por base o estudo de Taylor em 2009, que refere táticas para culpabilizar a vítima.  Distingue as diretas, como  a utilização de linguagem negativa para descrever a vítima ou destacar a decisão da vítima de não denunciar os incidentes passados; e as indiretas, como destacar os problemas mentais, físicos e emocionais do violador ou destacar a situação financeira da vítima.

As docentes da Universidade de Tecnologia de Ciprus, no final do estudo, acrescentaram novas táticas, baseadas nos comentários analisados, como, por exemplo, as expressões ” a vitíma não resistiu” ou ” a vítima não se precaviu, colocou-se em perigo”.

Após a análise de um grande número de artigos e comentários, constataram que os jornalistas foram  imparciais e que apenas no discurso público existem elementos de deslitimização da vítima. Como recomendações para o futuro, afirmaram que estes casos ” não devem ser tratados como um problema isolado mas como um problema da sociedade.” Para além disso, não podemos cair no erro de ” acreditar em estereótipos e justificar agressões”.

No final das apresentações, existiu um breve momento de debate. A sessão findou com a explicação sobre a filtração ou eliminação de alguns comentários por parte dos jornais.  No El País existiam mais artigos mas menos comentários do que no El Mundo, porque o El País em alguns artigos não permitia os comentários ou, noutros, filtrava mais rigidamente os comentários.

 

 

 

Cristiana Rodrigues

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