Automatismo e algoritmos no Congresso Internacional de Ciberjornalismo

A decorrer no dias 23 e 24 de novembro, o VI Congresso internacional de Ciberjornalismo trouxe à Faculdade de Letras da Universidade do Porto debate sobre as ameaças ao Ciberjornalismo. Numa das sessões paralelas, quatro comunicações exploraram o uso do automatismo e dos algoritmos.

O uso do automatismo e algoritmos no ciberjornalismo é cada vez uma prática mais comum no ciberjornalismo, não só pela escrita robótica, como na geração automática de conteúdos, tratamento de dados e eficiência na recolha dos mesmos. Vantagens e desvantagens e casos práticos, os oradores põem o jornalista como mediador no usos dos mesmos.

Tiago Devezas apresentou um trabalho desenvolvido com Sérgio Nunes, um algoritmo que automaticamente seleciona o conteúdo noticioso baseado nas nossas preferências. O algoritmo não é de acesso público e foi criado com base num inquérito, de modo a hierarquizar o que os utilizadores consideram mais importante.  O  orador alerta para o facto de muitas vezes os utilizadores não terem noção de que os algoritmos existem,  que são ocultados de modo a não diminuírem a experiência do utilizador. Tiago Devezas afirma que os algoritmos como o criado podem, porém evitar a sobrecarga dos jornalistas.

Apesar da utilidade do automatismo e algoritmos e a sua crescente implementação, que responde à enorme quantidade de informação simultânea na internet e o crescente número de usuários, Laurence Dierickx, docente na  Université libre de Bruxelles e conferencista no congresso, diz que os limites a posta em prática destes dois conceitos devem ser impostos pelo próprio jornalista na prática da sua profissão.

A implementação dos automatismos é também relevante n área do jornalismo desportivo. José Lui Rojas Torrijoas salienta a disponibilidade de dados, o livestream e o acompanhamento cíclico dos eventos como oportunidades importantes para o ciberjornalismo desportivo, proporcionadas pelo automatismo. O professor da  Universidade da Catalunha apresentou um estudo elaborado sobre o Heliograf, robô usado pelo o The Washington Post para coberturas jornalísticas de eventos desportivos. Questões como a diminuição dos jornalistas em função dos robôs surgiram, mas o orador explica que os jornalistas teriam mais tempo para pesquisa e seria um incentivo competitivo para melhorar a qualidade dos seus trabalhos.

Resultado de imagem para heliograf washington post

Trabalho desenvolvido pelo Heliograph foi significativo nos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro

Com a Beta pode estabelecer uma conversa ou debate à cerca dos temas relacionados com feminismo

 

 

Carolina Braga, apresentou um artigo desenvolvido com Gean Azamora, sobre a Beta. Robot que opera através de uma página de Facebook, aglomerando conteúdo noticioso feminista. Apesar da utilidade que este tipo de automatismo pode ter utilidade de modo a fazer pressão na resolução de problemas, porém a oradora alerta para o facto de muito do conteúdo difundido pela página não serem conteúdo jornalístico. O que pode levara a vários problemas.

O automatismo e os algoritmos podem ser vistos como vantajosos, mas também como ameaças ao ciberjornalismo. No  VI Congresso de Ciberjornalismo, ficou mais uma vez em destaque o equilíbrio e o  papel do jornalista como mediador  essencial.

 

Marta Tuna

Turma 3