#6COBCIBER: O jornalismo do século XXI e as redes sociais

É cada vez maior o fluxo de notícias, que nos acompanha diariamente. Os telemóveis, computadores ou tablets, permitem-nos um rápido e constante acesso à informação jornalística através das redes sociais.

É entre tweets e insta stories que os órgãos de comunicação e os jornalistas procuram alcançar a rotina do público. Na sessão paralela “Ciberjornalismo e as Redes Sociais”, inserida no 6º Congresso do Observatório do Ciberjornalismo (que decorreu na passada quinta-feira, na FLUP), os investigadores conferenciaram acerca do impacto destas plataformas na realidade informativa do século XXI.

Sessão Paralela de 22 de Novembro de 2018, com a moderação de Paulo Frias Foto: Inês Nunes

Jorge Vázquez-Herrero iniciou a sessão alertando para a existência de “novos modelos de jornalismo participativo”, principalmente com o surgimento das redes sociais. O orador, professor e investigador de Novos Media na Universidade de Santiago de Compostela, explicou que se tratam de “microformatos, nomeadamente audiovisuais, autónomos e concretos, desenhados especificamente para redes sociais”.

Nesta linha de raciocínio, Vázquez-Herrero, apresentou o seu estudo em conjunto com Sabela Direito-Rebollal e Xosé López-García: “Uso de Instagram Stories en los medios: volumen y patrones de publicación” (“Uso dos Instagram Stories nos média: volume e padrões de publicação”), que visa avaliar a utilização da funcionalidade das histórias do Instagram para o relato noticioso.

Os insta stories são uma potencialidade desta rede social. Com a duração de apenas 24 horas e com destaque no topo do feed de publicações, já conquistaram mais de 400 milhões de utilizadores ativos diariamente, em menos de dois anos.

As histórias do Instagram foram lançadas a 2 agosto de 2016. Hoje, alcançam milhões de cibernautas que se mantêm ativos ao longo do dia.

O estudo de caso do professor galego envolveu a análise dos perfis de Instagramde 60 órgãos de comunicação social, entre os quais: Le Monde, El PaísPoliticoThe New York TimesThe Guardian ou BuzzFeed. A investigação tinha como objetivo percecionar a forma como os média exploraram as stories, nomeadamente nos conteúdos para telemóveis, que à partida visam ser “breves e visuais”, explicou Herrero.

Após a recolha de dados, concluiu que os temas predominantes eram o desporto, as figuras públicas e algumas questões sociais, o que no seu ponto de vista, são os temas que apelam a um público mais vasto nas redes sociais, atraindo-os ao site oficial do jornal. Salientou ainda que apenas 5% dos insta stories apresentavam reportagens.

 

 CR7 e os 75,5 milhões de seguidores no Twitter

Para Orge Orellano, investigador da Universidade do País Basco, as redes sociais são uma “nova forma dos média comunicarem com o público”. As plataformas online alteraram o panorama geral da informação, também no desporto. “Futbolistas y redes sociales. ¿Para qué y con quién utiliza Twitter Cristiano Ronaldo?” (“Futebolistas e redes sociais. Para quê e com quem Cristiano Ronaldo utiliza o Twitter?”) foi um estudo concretizado pelo jornalista, de maneira a descodificar as estratégias de comunicação utilizadas no campo desportivo.

Orellano mostra que em 2018, os jogadores e os respetivos clubes já vêm as redes sociais como uma “ valiosa fonte de interação não só entre jogadores, mas também para os fãs e jornalistas, que têm uma relação mais próxima com os atletas”.

Pela grande exposição mediática de que é alvo em todo o mundo, Cristiano Ronaldo foi o eleito para o estudo. O investigador esteve atento à conta de Twitter do jogador português (que conta com milhões de seguidores), de maneira a estabelecer padrões de comunicação nas publicações efetuadas.

Orge Orellano concluiu que quase metade dos tweets (40%) eram referentes a marcas como a Nike, Fly Emirates, Herbalife, Linic ou American Tourister, o que mostra o papel preponderante da publicidade na página do craque.

As “empresas e a publicidade desempenham um papel bastante grande nas contas dos jogadores” salientou o investigador. Referindo também o uso de hashtags, responsável por um “melhor engajamento do público” e consequentemente maior rentabilidade monetária para as empresas.

Já para a manutenção da imagem do futebolista, Orellano destacou a grande importância das publicações alusivas a momentos pessoais, assim como a sua colaboração com várias associações ou instituições humanitárias.

 

As narrativas jornalísticas audiovisuais no Instagram

Por fim, Paulo Cajazeira da Universidade Federal do Cariri apresentou o seu estudo “As narrativas ao vivo do jornalismo audiovisual no Instagram” que aborda a forma como se pode utilizar o perfil desta rede social, sob forma de representação jornalística.

Cajazeira compara as redes sociais a “diários audiovisuais que vamos escrevendo no nosso dia-a-dia”, aos quais a nossa audiência tem acesso. Assim, para o estudo destas narrativas, o professor elegeu um focus group: 4 jornalistas de vídeo de uma rede de televisão brasileira, a Global News.

Desta forma analisou os  perfis de Instagram de Carolina CimentiMurilo SalvianoSérgio Aguiar e Flávia Oliveira quanto ao número de seguidores, bem como a sua idade e género, à frequência de publicação, e ao conteúdo jornalístico presente.

80% da informação presente no perfil de Instagram do jornalista Sérgio Aguiar é de caráter profissional

Paulo Cajazeira concluiu que apenas 10% dos seguidores, acompanhavam realmente todas as publicações de cada uma das contas, o que indica que “as narrativas audiovisuais ainda estão a dar os primeiros passos”.

Inês Nunes