Arquivo mensal: Outubro 2018

Infotainment: uma das ameaças ao Ciberjornalismo em análise na FLUP

O Infotainment é umas das temáticas abordadas no Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que vai passar pela FLUP nos dias 22 e 23 de Novembro.

Infotainment deriva da junção das palavras “information” e “entertainment”, designando os conteúdos de caráter informativo difundidos pelos meios de comunicação social, mas com o objetivo de entreter as audiências.

A sua integração no Congresso de tema “Ameaças ao Ciberjornalismo” deriva da consideração de que é prejudical à prática jornalística. Aparece integrado nas Sessões Paralelas, no dia 22 de Novembro às 14:30 inserido na sessão “As ramificações do infotainment no jornalismo desportivo português” por Daniel Dantas.

De acordo com Daniel Dantas, este conceito abarca diferentes aplicações, entre as quais o privilégio da difusão de notícias de caráter “leve” (soft news) e com maior interesse para o público, entre as quais as ligadas ao desporto, moda, cultura, arte, estilo de vida e de celebridades.

Outra aplicação para o termo corresponde à preferência pela divulgação de conteúdos de caráter sensacionalista que se revelem apelativos para as audiências, como as áreas ligadas ao crime, catástrofes, violência, escândalos e sexo.

Surge ainda com a criação de programas de entretenimento que difundem informações de interesse público, como o “Diga Doutor”, da RTP, que difunde conhecimentos na área da saúde; ou com a presença de especialistas em programas como o “Queridas Manhãs”, “A Tarde é sua!” ou “O Gato Fedorento esmiuça Sufrágios”.

A sua ascenção no meio jornalístico resultou da necessidade de vender a informação, de modo a gerar lucro para os órgãos de Comunicação Social. Apesar de ser mais comum a sua associação à Televisão, também se encontra presente nas Rádios, na Imprensa e no Ciberjornalismo.

Letícia Oliveira

Fake news, uma ameaça ao Ciberjornalismo

Fake news são notícias falsas produzidas e distribuídas com informações deliberadamente enganosas. A expressão começou a ser mais utilizada em 2016, aquando da eleição presidencial dos Estados Unidos.

As fake news, neologismo importado do inglês, correspondem a conteúdo intencionalmente falso.  O objetivo é levar o público a crer numa informação enganosa, de forma a atingir interesses financeiros, políticos ou outros. Daí as fake news serem muitas vezes usadas durante campanhas eleitorais.

Donald Trump popularizou a expressão durante e após a campanha eleitorial de 2016. O presidente americano referiu-se a fake news para descrever a cobertura jornalística da sua presidência.

Durante a eleição presidencial dos Estados Unidos, a produção e distribuição de notícias falsas cresceu. O aumento deveu-se, em parte, às divergências políticas entre os apoiantes de Donald Trump e Hillary Clinton. O fácil acesso à Internet e redes sociais e a polarização política são fatores que motivam a propagação de notícias falsas no ciberespaço.

As fake news estão também relacionadadas com o sensacionalismo e o clickbait: são usados títulos apelativos e sensacionalistas para chamar a atenção do leitor e obter mais “cliques”.

De acordo com Claire Wardle, diretora do First Draft News, existem sete tipos de notícias falsas: sátira/paródia, falsa conexão, falso contexto, conteúdo enganador, conteúdo impostor, conteúdo manipulado e conteúdo fabricado.

As fake news não respeitam a veracidade e a objetividade do jornalismo. É uma das ameaças ao Ciberjornalismo a ser debatida no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. Nas sessões paralelas do programa, o tema “Fake News e Ciberjornalismo” vai ser apresentado em três momentos distintos, durante os dias 22 e 23 de novembro.

Especialistas, investigadores e profissionais da área vão debater “processos de propagação das fake news e junk news no Facebook”, “o efeito da terceira pessoa na atuação jornalística”, “a propagação de fake news na pré-campanha presidencial brasileira”, entre outros.

Mara Tribuna

Robôs jornalistas: o automatismo e o ciberjornalismo

Fenómeno internacional é alvo de debate no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, dia 23 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Finanças, desporto, política e sociedade, são algumas das editorias com notícias já automatizadas. O automatismo tem crescido em grande escala em países como Portugal, Brasil, Estados Unidos e Dinamarca.

Acusado como ameaça ao ciberjornalismo, o fenómeno dos “Robôs Jornalistas” é um dos tópicos abordados no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo. O Congresso pretende arranjar soluções para as diversas ameaças expostas.

A automatização de notícias em coberturas desportivas é um dos tópico da Conferência e é relativo à utilização de um robô nos Jogos Olímpicos de Inverno em PyeongChang, em contexto exemplificativo.

O automatismo na produção de notícias põe em causa a ética jornalística, apesar da elevada taxa de produção e publicação de notícias por minuto. Segundo a jornalista Silvia Dalben, “o mecanismo não é capaz de incorporar as subjetividades da narrativa jornalística nem aspectos relativos à sua importância social”.

O uso destes rôbos está relacionado com subcampo das Inteligência Artificial, como softwares de Natural Language Generation (NLG). Com o avanço neste campo, o trabalho de jornalista é cada vez menos associado à forma tradicional e, por isso, os robôs jornalistas podem ser vistos como uma ameaça.

O debate do tema do automatismo e do Ciberjornalismo, ocorre com mai promenor no VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, dia 23 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e conta com a presença de profissionais da área, como Laurence Dierickx, Tiago Devezas, Carolina Braga, Francisco Fialho, entre outros. (ver mais)

Joana Ferreira

 

Do prêt-à-porter ao alfaiate. Que informação queremos ter?

Do prêt-à-porter ao alfaiate. Que informação queremos ter?

 A presença globalizada da internet na nossa sociedade, criou um novo paradigma na comunicação, a autoedição. A informação massificada transformou-se numa individualização da informação. As mudanças tecnológicas trouxeram com elas novos meios, novas possibilidades, novas necessidades.

Do analógico do papel, ao digital do computador, o ciberespaço criado por esta nova ferramenta permitiu que a comunicação seja hoje em dia bidirecional, dinâmica, sem limites de tempo e espaço, sem que exista a necessidade de estar adstrita fisicamente a um local.

Neste contexto importa perceber de que forma pode o jornalismo contrariar a tendência da autoedição de notícias ou de conteúdos dos media. A democratização do acesso à informação, traz com ela o desafio de entender quem? escreve o quê? onde? Como? quando? e porquê?.

O jornalismo ainda é necessário para a produção e divulgação de conteúdos? É o jornalista ainda fonte credível no acesso e divulgação de informação? A informação customizada publicada deve ser considerada fonte para o jornalismo?

Profissionais e académicos da área da comunicação vão estar presentes no 6º. Congresso Internacional de Ciberjornalismo. A pertinência destas questões e as ameaças associadas a novos fenómenos do jornalismo digital, vão ser debatidas nos dias 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

É importante que todos nós, que consumimos informação diariamente, nos questionássemos acerca da origem de muitos conteúdos online. A informação não profissionalizada combate diariamente a informação estruturada. A proliferação de meios de autoedição de informação, trouxe com ela uma multiplicação de conteúdos e de acesso a esses mesmos conteúdos.

A liberalização do acesso a fontes de informação traz com ela novos desafios, não só para os profissionais da informação, como para os leitores, já que quem lê algo não sabe de onde veio a informação.

Curiosamente, hoje em dia, damos por adquirido que tudo o que lemos é fidedigno. Não há tempo para questionar a origem e a veracidade das coisas. Tornámo-nos uma sociedade consumista de informação, ao estilo fastfood, de quem procura apenas saciar instantaneamente a sua necessidade.

Nem tudo é preto e branco. Daí ser importante promover espaços de debate, como o 6º. Congresso Internacional do Ciberjornalismo, promovido pelo Observatório do Ciberjornalismo, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e o CIC-Digital (Centro de Investigação em Informação, Comunicação e Cultura Digital), de forma a encontrar caminhos e formas de proteger o bem mais precioso, a informação.

 

Paulo Sá Ferreira

Clickbait: A caça aos cliques

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O clickbait, exatamente como o nome o define, é um “isco de cliques”. São títulos ou imagens sensacionalistas e enganadoras que fazem com que os leitores abram a notícia, apercebendo-se que  o conteúdo nada tem a ver com o título, foi só um engodo, um isco.

O paradigma da comunicação está a mudar radicalmente. Cada vez menos se compram revistas ou jornais quando temos toda a informação na internet, à distância de um click e, sobretudo, grátis. Assim, para sobreviverem, as publicações adaptaram-se ao meio onlineÉ aqui que entra o clickbait no cibermeio.

Para terem mais publicidade e consequentemente bons lucros com ela, as versões online procuram o maior número possível de cliques, recorrendo a estratégias e imagens sensacionalistas bastante questionáveis. Esta técnica podia ser uma prática exclusiva das “revistas cor-de-rosa”, mas não o é. Com maior ou menor frequência, vários meios já o fizeram, incluindo jornais e revistas de referência como podemos observar no estudo “Diving Deep into Clickbaits: Who Use Them to What Extents in Which Topics with What Effects?”, efetuado por três investigadores dos EUA que analisaram cerca de 1.670 milhões de posts.

A discussão e os debates acerca deste tema são cada vez mais. Por um lado, estão os diretores das publicações, que defendem o clickbait como uma prática totalmente ética, uma vez que faz parte da estratégia de sobrevivência do jornalismo. Por outro, os leitores, que se sentem diariamente defraudados e começam a desacreditar na informação.

Esta é uma das várias ameaças que vai ser discutida no VI Congresso de Ciberjornalismo a 22 Novembro pelas 12h15 na FLUP.  Em cima da mesa estará “O clickbait no ciberjornalismo português e brasileiro”  por Fernando Zamith e Margarete Vieira Pedro. 

Salienta-se ainda o ponto de vista de outras figuras nacionais, como Pedro Moura e Fábio Ribeiro ou internacionais como Sandra Méndez Matos e Giovanni Ramos, nas sessões paralelas do dia 23.

Inês Nunes

Congresso de Ciberjornalismo vai debater as ameaças ao jornalismo online na FLUP

“Ameaças ao Ciberjornalismo” é o tema selecionado para o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, a decorrer entre 22 e 23 de novembro na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Marque na sua agenda: durante os dias 22 e 23 de novembro, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto acolhe um conjunto de palestras sobre os fenómenos que ameaçam o ciberjornalismo.

O mote da sexta edição do Congresso Internacional de Ciberjornalismo é “fazer um diagnóstico global, perceber causas, contextos e efeitos, e procurar soluções para fazer face às ameaças à produção na e para a Internet de um jornalismo de qualidade”, conforme pode ler-se na página do evento.

A conferência de abertura tem como orador Walter Dean, diretor pedagógico do Committee of Concerned Journalists, com o título The Tyranny of ‘hits’ – How an emphasis on big numbers and flawed analytics has changed reporting. O debate que dá nome ao congresso – e que conta com a presença de Miguel Soares, Pedro Miguel Santos, Sérgio Sousa e Sofia Branco -, assim como a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo 2018, são outros momentos-chave do primeiro dia.

Ao longo dos dois dias, vão ser discutidos mais tópicos associados ao ciberjornalismo, com a participação de Fernando Zamith e Raquel Bastos (Universidade do Porto), João Canavilhas (Universidade da Beira Interior), Manuel Pinto (Universidade do Minho), Margarete Vieira Pedro (Universidade Metodista de São Paulo) e Elizabeth Saad Corrêa (Universidade de São Paulo). A conferência de encerramento fica a cargo de Nora Paul (Universidade do Minnesotta). O programa completo encontra-se disponível para consulta.

A primeira fase de inscrições no Congresso vai até 15 de outubro. Para estudantes, o preço é 10€; outros participantes, 50€. Os interessados em assistir ao Congresso que não tenham submetido a sua inscrição a tempo poderão fazê-lo na segunda fase, de 16 de outubro a 20 de novembro.

São estes os tópicos em debate no congresso:

Fake news;
Pós-verdade;
Clickbait;
Conteúdos patrocinados;
Fim da neutralidade da Internet;
Desinformação;
Imediatismo e publicação sem verificação;
Infotainment;
Sensacionalismo;
Conteúdos virais;
Manipulação;
Enviesamento;
Descontextualização;
Autoedição;
Publicação amadora;
Anonimato;
– Sedentarismo;
– Produção multitarefa;
Desinvestimento;
– Desintermediação;
Desregulação;
– Precariedade;
Redes sociais;
Motores de busca e Agregadores;
Rapinagem de conteúdos;
Tráfico de dados pessoais;
Publicidade intrusiva e Ad blockers;
Automatização e Robôs.

João Couraceiro / Turma 4