Arquivo mensal: Dezembro 2015

III Jornadas Obciber: Renascença volta a conquistar prémio de Excelência em Ciberjornalismo

A Rádio Renascença (RR) foi a grande vencedora da oitava edição anual dos Prémios de Ciberjornalismo. A distinção foi atribuída na passada sexta-feira durante as III Jornadas do Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber), no pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto.

O intuito dos prémios ObCiber é distinguir o que de melhor se produz na área do Ciberjornalismo em Portugal. A Renascença foi a grande premiada na edição deste ano e foi distinguida em três categorias.

De facto, a RR conquistou pela quinta vez o prémio de Excelência Geral em Ciberjornalismo. Além desta categoria, venceu também em “Videojornalismo Online”, com o júri a eleger a reportagem “O extraordinário mundo de Irina”.

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Fotografia: Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber)

A Renascença também viu o seu trabalho distinguido na categoria de “Última Hora”, com o acompanhamento dos ataques contra o jornal francês “Charlie Hebdo”. O júri premiou o órgão de comunicação nesta categoria depois de avaliar as notícias produzidas até 48 horas depois dos atentados terroristas.

Em relação às restantes categorias, o jornal Expresso arrecadou o prémio em “Reportagem Multimédia”, com o trabalho “Matar e Morrer por Alá”. Já o Público venceu na categoria “Infografia Digital”, com “VIH: O vírus que apareceu em Kinshasa em 1920 e alastrou para o mundo inteiro”.

A ComUm, projeto de Ciberjornalismo da Universidade do Minho, arrebatou o prémio na categoria de Ciberjornalismo Académico com “Por onde já não navegamos”. O cibermeio da instituição venceu ao JornalismoPortoNet (JPN), da Universidade do Porto, pela primeira vez em oito anos.

Os vencedores eleitos pelo público através de uma votação online também foram mencionados e coincidiram com as escolhas do júri nas categorias de “Última Hora”, “Reportagem Multimédia” e “Infografia Digital”. Na categoria de “Excelência Geral em Ciberjornalismo”, a escolha do público recaiu no Observador, em “Videojornalismo Online” na RR, com “Vida de Faroleiro”, e em “Ciberjornalismo Académico” no JPN, com “A última memória de África”.

Os prémios de Ciberjornalismo foram criados em 2008 e são concedidos anualmente pelo Observatório de Ciberjornalismo.

João Pedro Sousa

III Jornadas ObCiber: O futuro do Ciberjornalismo

 

João Canavilhas na Conferência sobre o futuro do Ciberjornalismo

João Canavilhas na Conferência sobre o futuro do Ciberjornalismo

Para celebrar os 20 anos do Ciberjornalismo em Portugal, realizaram-se as jornadas do ObCiber no pólo de Ciências da Comunicação, dia 4 de dezembro, no Porto. João Canavilhas, perspetivou o avanço do jornalismo online até 2015.

“O jornalismo em 2025: o que mudou na última década” foi a segunda palestra das jornadas ObCiberToda a conferência assentou em três ideias-base para o público “viajar” com maior facilidade no tempo: passado, presente e futuro.

Desse modo, João Canavilhas, professor da UBI referiu que, há algumas décadas atrás, a rádio e, mais tarde a televisão “eram como uma lareira” em que toda a família se juntava para ouvir/assistir aos programas. Hoje, já é normal ver-se televisão através de um dispositivo móvel, tal como as notícias são lidas na grande maioria através de redes sociais.

Segundo o professor, desde 2014, os dispositivos móveis passaram a ser o meio mais utilizado pelas pessoas para acederem à Internet. Em contrapartida, foi referido o aumento dos dispositivos móveis e crê-se que em 2025 os smartphones passem a estar incorporados nas pessoas, mesmo fisicamente.

João Canavilhas sublinhou, ainda, que “uma das marcas do jornalismo foi sempre a periodicidade, mas agora a realidade passa por “esperar que a informação lhe chegue à mão” (do consumidor). O leitor está cada vez mais à espera do imediato e das notícias de última hora, em detrimento das notícias à hora certa. “Se acontecer alguma coisa interessante, o vosso telemóvel vai tocar.”

Segundo a previsão para 2025, será possível o smartphone saber de que forma deve dar a notícia ao recetor, em áudio, vídeo ou texto. “Se for por exemplo a conduzir é óbvio que não posso ver um vídeo ou ler um texto.” Através do GPS é possível localizar o visualizador ou ouvinte e saber qual é o melhor método para dar a conhecer a notícia.

Estas foram apenas algumas tendências e previsões enunciadas por João Canavilhas para o futuro da tecnologia que tem evoluído à velocidade da luz.

 

Por Mariana Calisto

III Jornadas Obciber: Das utopias iniciais ao ciberjornalismo de hoje

O ciberjornalismo surgiu em Portugal há 20 anos e foi nas III Jornadas do Obciber que o professor Hélder Bastos fez o balanço destes anos.

Os 20 anos de ciberjornalismo em Portugal permitem perceber que foi um projeto fruto de utopias de tempos habituados apenas à máquina de escrever. A conferência “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções” dada por Hélder Bastos, professor de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, foi ao encontro das utopias do início do ciberjornalismo e a forma como elas se revelam hoje.

O ciberjornalismo como hoje existe levou duas décadas a aperfeiçoar. O deslumbre quando surgiram os primeiros computadores nas redações e o aparecimento da internet trouxeram ao jornalismo uma nova forma de comunicar e de transmitir informação.

A tecnologia digital fez crescer o ciberjornalismo mas, não se pode dizer que criou um jornalismo melhor ou pior mas sim um jornalismo capaz de ir para lá das folhas. A internet para além de ser uma forma de divulgação de conteúdo é também uma forma dinâmica e interativa de chegar a públicos mais heterogéneos e com menos interesse na imprensa escrita. Todas as possibilidades são quase infinitas na internet, no entanto, é preciso ter em conta que um mau trabalho jornalístico pode rapidamente ser partilhado e chegar à outra parte do mundo , uma globalidade nem sempre benéfica.

A dificuldade permanente em contextualizar quase que desaparece nas cibernotícias graças às hiperligações ao longo do texto em que o leitor, caso não tenha conhecimento sobre todos os factos, pode clicar e ir para uma outra notícia sobre o tema. Ao tradicional texto juntou-se o vídeo, as infografias dinâmicas e as atualizações ao minuto que possibilitam ao leitor manter-se a par dos últimos acontecimentos de forma mais rápida e sem ter que esperar pelo dia seguinte para ver a notícia na imprensa.

O jornalista é hoje graças ao ciberjornalismo um profissional multifacetado e diferente do típico jornalista em frente à máquina de escrever. Por um lado criou-se um novo profissional com mais ferramentas, por outro jornalistas que têm de dar notícias de última hora e que fazem toda a pesquisa à secretária através da Internet e com o telefone.

Apesar da evolução e das conquistas não se pode esperar que as espectativas do início sejam todas concretizadas do dia para a noite é preciso tempo para aperfeiçoar, tal como foi necessário na imprensa tradicional. Se foram feitas tantas conquistas, como a atualização ao minuto dos sites noticiosos e a possibilidade de chegar mais longe, também vai ser possível eliminar as reticências que muitas empresas jornalísticas têm em relação ao investimento nos meios online. A ideia de que os meios online seriam totalmente autónomos em relação à redação mãe, não passou de um ilusão por causa das empresas jornalísticas. Projetos como o Observador provam que um ciberjornal pode ser autossuficiente e viver apenas das publicações online pois é um projeto com mais de um ano de existência e apenas disponível online.

É importante olhar para o ciberjornalismo não como um fracasso mas como uma conquista a curto prazo e a longo prazo pois, ainda que não tenha nascido nos últimos anos, foi uma criação futurista para uma sociedade que lê cada vez menos o jornal mas que usa a internet diariamente.

Beatriz Almeida

III Jornadas ObCiber: 20 anos de ciberjornalismo em Portugal

No dia 4 de Dezembro sucederam-se as III Jornadas ObCiber no pólo de Ciências da Comunicação da UP. O projeto ObCiber (Observatório do Ciberjornalismo) abriu o seu site em 2008 e consiste num núcleo de observação que tem como objetivo observar e analisar ciberjornais.

Este encontro, que assinala 20 anos de ciberjornalismo em Portugal, teve como tema principal o jornalismo online e, para isso, sucederam-se palestras e conferências sobre o tema. Acabaram, como se costuma dizer, em grande com a entrega de Prémios de Ciberjornalismo de 2015.

Dentro de todas as conferências, a terceira e última teve como tema “Do ObCiber à RIIC: Investigar em Rede”. Foi apresentada pelo professor Fernando Zamith e foi uma palestra agradável e pertinente. Ficamos a conhecer qual o projeto inicial do ObCiber e do RIIC, quais as suas propostas e os diferentes projetos existentes.

Não sabem o que é o RIIC? Pois, também não sabia, mas esta palestra deu-me a conhecer este projeto. Consiste numa Rede de Investigação em Ciberjornais e o seu projeto abrange uma rede de universidades, centrado em grupos de investigação e/ou congressos. Inicialmente era de âmbito ibero-americano mas entretanto alargou-se a mais continentes. 2016 é o ano de arranque dos congressos deste projeto.

Para nós, alunos de Ciências da Comunicação e futuros jornalistas, assessores e “multimédicos” (esperamos nós!), estas palestras não podiam ter sido mais pertinentes. Deram-nos a conhecer projetos desenvolvidos no mundo do jornalismo online e, para além disso, tivemos o prazer de ouvir convidados de outras universidades e outros projetos sobre este assunto.

Estas palestras serviram, de alguma forma, para sabermos mais sobre o jornalismo online, para “abrirmos os olhos” para este mundo do jornalismo e despertar interesse em nós.

 

Mariana Soares, turma 1

III Jornadas ObCiber: “Os primeiros 20 anos” em Portugal

Na passada sexta-feira, dia 4 de Dezembro, decorreram as III Jornadas ObCiber no pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (U.P.) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP). Na sessão de abertura foi feita uma retrospetiva dos primeiros vinte anos de ciberjornalismo em Portugal, pelo professor Hélder Bastos.

“Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções” foi o título que deu o mote para que a conferência prosseguisse. Hélder Bastos começou por falar da evolução sofrida no jornalismo devido ao surgimento da internet.

Utopicamente, o atual diretor da Licenciatura de Ciências da Comunicação da FLUP, Hélder Bastos, declara que muita gente ficou deslumbrada com a plataforma, e muitas formularam crenças e promessas impulsionadas pela evolução tecnológica. Neste sentido, o ciberjornalista iria ter um perfil muito diferente, com capacidades tecnológicas mais avançadas.

A verdade é que o conferencista não quis “carregar nas tintas mais negras”, mas a verdade é que o “choque com a realidade foi doloroso”, pois nem toda a gente soube aproveitar as potencialidades da internet.

No entanto, o professor Hélder afirma que houve gente que conseguiu “desbravar novos terrenos” e aproveitar da melhor forma a tecnologia. No ano 2000 a internet passou a ser vista com outros olhos.

Um outro tema abordado foram as distopias. É preciso ter em conta que “nós académicos, vós estudantes e nós cidadãos” temos que nos preocupar com algumas “nuvens”, pois não há sinais de inversão, nem melhorias no mercado.

A sessão integrada nas III Jornadas ObCiber terminaram com uma frase do sociólogo polonês Zygmunt Bauman: “Eu sou um pessimista a curto prazo, mas um otimista a longo prazo”, citada por Hélder Bastos.

 Cristiana Noronha

20 anos de ciberjornalismo em Portugal

Foi no dia 4 de dezembro que o pólo do curso de Ciências da Comunicação, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, recebeu as III Jornadas Obciber, para celebrar os “20 anos de ciberjornalismo em Portugal”. Vários oradores distribuídos em várias sessões, todos eles com ligação à área do Ciberjornalismo no nosso país. Hélder Bastos foi o primeiro.

A sessão de abertura destas Jornadas foi assegurada por Fernanda Ribeiro, diretora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).

Depois das suas palavras, foi a vez de Hélder Bastos falar ao auditório, cerca das dez da manhã. A conferência do professor do curso de Ciências da Comunicação da FLUP versou sobre uma retrospetiva destes 20 anos de ciberjornalismo: “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções”. Foi feita uma pequena introdução sobre o rápido avanço da última década no jornalismo, diretamente relacionado com o avanço das novas tecnologias, às quais parece ter sido ligado “o turbo”, com disse o professor.

Dividida em três momentos, começamos a palestra com as utopias do ciberjornalismo, aquilo que se esperava desta revolução: esperava-se que tecnologias melhores correspondessem a melhor jornalismo, que houvesse uma automatização das redações e idealizavam-se os media online, como autónomos, com equipas próprias e, acima de tudo, como criadores de novos modelos de negócio. De facto, no meio de tudo houve conquistas, que foram salientadas, nomeadamente: o alcance global e instantâneo, surgem novas plataformas de difusão, novas ferramentas de trabalho, novos projetos e negócios, protagonistas diferentes e novos públicos e formas de participação. No entanto, passados 20 anos, tudo o que se idealiza também tem o seu lado mau, e, na opinião do professor Hélder Bastos, muitas foram as deceções: as novas tecnologias não corresponderam, em todos os casos, a um jornalismo melhor, houve pouco investimentos nos media online e houve o que o professor apelidou de “modelos sem negócio”.  O excesso de expetativas, as limitações das empresas, a fragmentação das audiências e os novos hábitos de consumo da informação e a falta de formação em novas tecnologias, foram alguns dos fatores elencados por Hélder Bastos para a deceção.

Raquel Noutel

 

Entrega de Prémios: III edição do Jornadas ObCiber

O III Jornadas ObCiber, que ocorreu no último dia 4 e teve como tema “20 anos de Ciberjornalismo em Portugal”, premiou em diversas categorias os que mais se destacaram no Ciberjornalismo.

Durante o evento que também serviu de celebração dos 20 anos de ciberjornalismo português, o III Jornadas ObCiber contou com conferências, paineis para a discussão sobre “O futuro do Jornalismo” e “Experiências Académicas”, apresentações de livros e a entrega de prémios aos que se destacaram no Ciberjornalismo.

Com apoio do MIL (Media Innovation Labs), da Universidade do Porto e CETAC.MEDIA, a ObCiber avaliou 61 trabalhos de vários media nacionais por membros do júri composto por profissionais e professores da área, dois deles de âmbito internacional, desta vez o Dr. Fernando Irigaray da Universidade Nacional de Rosário, Argentina e a Professora Rita Paulino da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil.

O primeiro prémio foi na categoria “Ciberjornalismo Académico”, conquistado pelo ComUM (Universidade do Minho), com “Por onde já não navegamos”. Em outras categorias como “VideoJornalismo Online”, “Última hora” e “Excelência Geral em CiberJornalismo” a Rádio Renascença (RR) conquistou os três, com destaque para  “O extraordinário mundo de Irina” e  “Ataque contra jornal faz pelo menos 12 mortos em França”.

Entre outras categorias como “Infografia Digital”, onde o Público levou com “VIH: O vírus que apareceu em Kinshasa em 1920 e alastrou para o mundo inteiro” e a categoria “Reportagem Multimédia”, onde o Expresso se premiou com “Matar e Morrer por Alá”, o público teve a oportunidade de demonstrar sua opinião a partir de votação online, contrariando as escolhas do júri em três das seis categorias.

O público elegeu diferentemente do júri as categorias: “Excelência Geral em Ciberjornalismo” onde foi mais bem votado o Observador.  “Videojornalismo Online” com “Vida de Faroleiro”, também da Rádio Renascença (RR) e a de “Ciberjornalismo Académico” com  “A última memória de África” do JPN.

Tiago Araujo

Palestra de Ciberjornalismo: O Futuro da Informação

 

Fonte: JPN

 

 

 

 

 

 

 

É certo que, com o desenvolver da tecnologia, o jornalismo teve de se adaptar à modernidade. Antigamente, as pessoas liam as notícias  com o objetivo de serem informadas. Hoje nas plataformas online, as noticias deixaram de ser meros textos informativos e passaram a ser rastilhos para rebentar a pólvora do debate.

Sendo que o consumo já não é estático, mas sim móvel (através de tablets, telemóveis, etc), a comodidade torna muito fácil qualquer pessoa comentar um dado acontecimento noticioso quando está no autocarro a caminho do trabalho. O conteúdo já não é portanto fechado; é sim aberto

Pode-se dizer que a própria audiência contribui para a notícia, o que abarca  benefícios e malefícios, dependendo da validade das informações que os utilizadores partilham. Cabe ao jornalista saber tirar proveito dos aspetos positivos que estas contribuições podem trazer. É já sabido que muitas pessoas publicam comentários inúteis e sem  qualquer réstia de verdade. Um bom jornalista, contudo, deve saber separar o trigo do joio, filtrar as informações e desagregar as dispensáveis das importantes.

O jornalismo de hoje não pode ser feito da mesma forma que era feito antigamente, em que as noticias eram publicadas periodicamente, nos jornais impressos. Se uma notícia tivesse algum erro, ou se houvesse alguma alteração no decorrer dos acontecimentos, o público só teria acesso à informação atualizada no dia seguinte. Na palestra do dia 4 de dezembro, que tomou lugar no pólo de CC, o professor João Canavilhas defendeu que na atualidade, no jornalismo online, o que os jornalistas devem fazer – e muitos não o fazem – é acompanhar o acontecimento sobre o qual estão a escrever e prestar atenção às publicações da audiência. Imaginemos que um cidadão está a presenciar um determinado episódio e publica nas redes sociais tudo o que vê e ouve. Sendo que este cidadão em particular está fisicamente presente no local e por isso as informações que publica são muito mais completas e fidedignas, seria prova de grande incompetência, assim como um desperdício se o jornalista não tirasse partido dessas informações em primeira mão. Mas é isso que efetivamente acontece em muitos casos; o jornalista publica uma noticia e não presta atenção ao que os cidadãos comentam, não actualizando a noticia de forma tão completa como poderia se explorasse melhor a potencialidade dos cidadãos para melhorar a atividade jornalística. Não significa isto que o jornalismo enquanto atividade profissional passaria a ser jornalismo de cidadão. Aliás, o professor da UBI, recusa por completo o conceito de jornalismo de cidadão. Significa sim que, sempre filtrando os dados, o jornalista faria um upgrade constante da notícia, facultando a mesma de maior veracidade.

Num mundo onde tudo acontece tão rápido e onde tudo é passível de mudança, seria inconsequente não explorar este conceito de sociedade liquida, em que o mundo deixa de ser estático e passa a estar em mudança constante e, consequentemente necessita de adaptação ininterrupta.

Tomemos como exemplo os mais recentes relógios da Apple, onde é possível aceder às redes sociais e visualizar noticias. O professor João Canavilhas afirmou, de forma muito plausível, que o facto de a tecnologia estar cada vez mais incorporada no próprio cidadão faz com que este usufrua dela mais vezes ao dia, por uma questão de comodidade e de hábito. As pessoas têm então acesso às noticias de forma quase espontânea. Isto resulta no fim do sistema pull, em que as pessoas procuram noticias por iniciativa, dando lugar ao sistema push, em que as noticias vêm até ao público de forma praticamente autónoma, forçando o jornalista a ser expedito na realização do seu trabalho e no update das informações.

Beatriz Arnedo

 

 

III Jornadas ObCiber: Experiências Académicas

O pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto recebeu, no passado dia 4, as III Jornadas ObCiber. O evento assinalou os 20 anos do jornalismo online e contou com vários painéis, conferências e uma entrega de prémios pelo Observatório do CiberJornalismo.

Realizaram-se no dia 4 de Dezembro as III Jornadas ObCiber, em comemoração dos 20 anos de ciberjornalismo. Um dos painéis do evento foi “Experiências Académicas”, moderado por Pedro Jerónimo (Instituto Superior Miguel Torga – ISMT). Este painel teve como convidados Anabela Gradim, diretora da Urbi & Orbi, Rui Barros, diretor do ComUM e Afonso Ré Láu, antigo colaborador do JPN.

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Fonte: Facebook Obciber Observatório do Ciberjornalismo

Após uma introdução aos três projetos, levada a cabo pelo moderador, foi dada a palavra à professora Anabela Gradim, que começou por falar sobre o crescimento e valores daquele que é o projeto de ciberjornalismo mais antigo de Portugal. A Urbi & Orbi é redigida por alunos do 3º ano de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI).
Este laboratório de webjornalismo tem quase 16 anos e tornou-se um meio de divulgação da própria universidade, contando hoje com mais de 8000 edições.

Gradim salienta que, apesar de recorrer aos atributos do jornalismo online, como a interatividade e conteúdos multimédia, não abdica de valores que são a matriz do jornalismo de imprensa, tais como a periodicidade. Além destas características, destaca ainda o papel da Urbi & Orbi enquanto meio de divulgação da própria Universidade.

Rui Barros, o segundo convidado, começou por falar da história do projeto que lidera. Barros afirmou que a “ComUM” surgiu de uma “enorme vontade dos alunos da Universidade do Minho” (UM), que “vestem a camisola pelo projeto”. A forma de atrair colaboradores passa por fazer uma sessão de esclarecimento no início do ano para explicar aos novos alunos em que consiste o projeto e a sua importância.

Rui Barros usou como exemplo a sua própria colaboração, que começou logo no primeiro ano da licenciatura. Essa atividade, que culminou na sua recente promoção a diretor, foi uma parte essencial da sua aprendizagem, tanto quanto as aulas e o contacto com os alunos mais velhos.

Por fim, Afonso Ré Lau apresentou o JPN, do qual foi colaborador. Este jornal digital, fundado em 2004, funciona no contexto da licenciatura em Ciências da Comunicação na UP e é direccionado sobretudo para um público jovem. O vencedor do Prémio de Jornalismo do Fundão “Ensino Superior” afirmou que o bom ambiente na redação e o espírito de equipa entre os estagiários foram os fatores mais importantes. Com propostas inovadoras, entreajuda e ambição, o resultado foi “jornalismo bem feito”.

Após a partilha de experiências jornalísticas de contexto académico, foi dada a oportunidade do público participar na discussão, colocando questões aos oradores. Este debate centrou-se sobretudo na forma de cativar colaboradores para estes projetos. Por fim, Pedro Jerónimo deu por terminada a sessão, lamentando o facto destes órgãos de comunicação estarem limitados ao ano letivo, e rematando que “o entusiasmo e a envolvência são essenciais para a sobrevivência dos projetos”.

Maria Godinho Vasconcelos

III Jornadas ObCiber: O Futuro do Ciberjornalismo

“Para falar do futuro do jornalismo, temos de falar de ciberjornalismo.” Esta foi a ideia prevalente no painel moderado por Ana Isabel Reis, com a presença de Luís Santos, Miguel Conde Coutinho e Tiago Dias.

No entanto, o ciberjornalismo ainda não é tão valorizado como a imprensa escrita. Um jornal impresso tem mais estatuto do que um jornal online.  Isto é, no entanto, um pouco irónico, pois o jornalismo impresso está em decadência económica. Os jornalistas vivem de rendimentos muito baixos, faltam meios às redações.

Não só faltam meios, como também diversidade e discussões abertas. Tiago Dias realçou que no último congresso de jornalistas realizado em Portugal, em 1998, se discutiram problemas que ainda hoje continuam a existir. Isto demonstra uma estagnação grave no mundo do jornalismo.

Apenas com o debate entre profissionais da área é possível avançar. Falar no futuro poderá levar o jornalismo a evoluir de forma muito mais rápida e eficaz. Parte fundamental desta evolução assenta no ciberjornalismo.

Hoje em dia, a maioria das pessoas consulta notícias ao longo do dia através do computador ou smartphone. Encontramos, então, a chave do futuro do jornalismo no ciberjornalismo.

Uma das formas de salientar a importância deste meio será a realização de um congresso de ciberjornalismo em Portugal, algo que ainda não aconteceu. O investimento é vital para o desenvolvimento, e o consequente crescimento no número de leitores e na resposta dos mesmos. Um maior investimento seria uma forma de credibilizar o ciberjornalismo e os seus profissionais.

 

Rita Sousa