Ciências da Comunicação recebe as III Jornadas ObCiber

No passado dia 4 de dezembro o Pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto recebeu, pela terceira vez, as Jornadas ObCiber sobre ciberjornalismo. O tema da edição de 2015 foi “20 anos de ciberjornalismo em Portugal” e juntou alunos, docentes e profissionais da área em palestras e debates.

Fonte: Ana Marta Ferreira

O dia abriu com a conferência de Hélder Bastos, diretor do curso de Ciências da Comunicação e antigo jornalista (se um jornalista alguma vez deixa de o ser), pelas 11 horas e de nome “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções”.

O professor inaugurou a celebração dos 20 anos do ciberjornalismo a contextualizar o seu surgimento, a analisar o seu presente e a (tentar) prever o seu futuro. Hélder Bastos exerceu a profissão de jornalista até 2003 em grandes nomes da imprensa nacional como o Diário e o Jornal de notícias e a sua época de atividade abrange, exatamente, a entrada do conceito de ciberjornalismo em Portugal. O professor disse-nos que “quando entrei no jornalismo, ainda trabalhei com máquinas de escrever” e falou-nos da evolução abrupta dos meios tecnológicos que revolucionaram o jornalismo na sua prática, mas não necessariamente no seu conteúdo. Falou também à audiência dos medos e utopias que surgiram com a internet e as suas potencialidades. E quantos desses mitos se concretizaram? O diretor do curso de Ciências da Comunicação fez o rescaldo das últimas duas décadas do ciberjornalismo, das suas conquistas e falhanços.

O investimento das grandes corporações no jornalismo e das rédeas que lhe colocam foi um dos pontos fulcrais no discurso de Bastos. O professor acusa “a qualidade dos investidores e dos empresários no que diz respeito à proximidade do negócio e ao conhecimento do jornalismo deixa[r] muito a desejar” como um dos motores das deceções que se revelaram inevitáveis nestes últimos 20 anos.

Mas foi com uma nota positiva que Hélder Bastos terminou a conferência de abertura das III Jornadas ObCiber. “Always look on the bright side of life”, adaptando os propósitos dos Monty Python, foi a nota e o desejo final do discurso do docente, que abriu depois espaço para perguntas e debate.

Ana Marta Ferreira