III Jornadas ObCiber: “O futuro do ciberjornalismo”

A Conferência da obciber, realizada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto sob o tema “o futuro do ciberJornalismo”. Tratou-se de uma conferência em que estiveram em debate os novos desafios e também os perigos que se colocam ao  futuro do jornalismo e aos próprios jornalistas. Esta conferência contou com a participação do investigador na área do jornalismo Luís Santos e com os jornalistas Tiago Dias e Miguel Conde Coutinho.

Os oradores convidados exploraram várias facetas do mundo do jornalismo: os vários cenários que se colocam para o futuro, os desafios e  perigos  que emergem nos próximos tempos, as questões da construção da profissionalidade do jornalista e da transformação da sua  identidade profissional e as limitações,  constrangimentos e obstáculos que se colocam hoje ao jornalista enquanto pessoa e ao desenvolvimento da sua ação profissional. Todas estas questões começam por ser enquadradas pelo investigador Luís Santos que faz uma contextualização da acão jornalística na contemporaneidade, descrevendo um mundo em grandes mudanças, com fortes características de imprevisibilidade e de grande mutabilidade. Passando para as questões do jornalismo salienta-se que estas mudanças gerais que se operam nas várias dimensões (económica, política e social) têm um forte impacto na ação do jornalista até porque o jornalismo se “alimenta” dessas mudanças, alterações e acontecimentos da vida real. A era das tecnologias da informação e comunicação com todas as suas transformações rápidas tem também um forte impacto na forma como se capta ,  se trata e se dissemina a informação. E é aqui que existe a grande revolução: por um lado o aumento das fontes de informação e, por outro lado,  a velocidade dessa mesma informação. Este facto tem uma grande influência na forma de fazer jornalismo hoje e prevê-se que tenha mais ainda num futuro próximo. Luís Santos traz-nos  três cenários possíveis  para o futuro do jornalismo. Uma primeira visão a que o investigador designa por mercantilista e que é no seu entender uma visão pacífica e tradicionalista em que se entende que as mudanças são naturais  e que decorrem,  como sempre aconteceu, das leis da oferta e da procura, o nascimento de algumas organizações, a sua substituição  ou o seu encerramento resulta essencialmente  da lei do mercado.  Uma segunda visão ou cenário em que se percebe que as coisas mudam porque o enquadramento de base mudou pois há mais competição. Neste sentido as organizações que estão num espaço intermédio  e que são generalistas acabarão por desaparecer, ficando aquelas (grandes organizações) que conseguem responder às grandes massas e aquelas  de pequena dimensão focadas em questões /públicos específicos. A terceira visão é que todas as organizações estão em perigo  ao nível da sua sustentabilidade pois estamos perante um contexto novo em que tudo funciona diferente, ou seja, com novas lógicas. Podemos perceber pelas organizações/experiências que estão a emergir e que rompem com as lógicas padronizadas  dominantes e que serão estas com novas ferramentas para apreender as informações, para as tratar e divulgar que acabarão por se afirmarem e agarrarem novas audiências num novo panorama bem diferente do que temos hoje. Luis Santos advertiu de alguns perigos  a ter em conta nomeadamente a Bound Journalism , os plágios e repetição de informação  e ainda as práticas dos jornalistas que não mantêm muito contacto com a realidade social exercendo o seu trabalho nos seus gabinetes.  Estas práticas advêm como reforçou o orador das lógicas de competição e da velocidade de informação mas que importa rever pois a criatividade e o fazer diferente em jornalismo é uma mais valia para vencer nos próximos tempos. incerto e imprevisível num mundo em constantes mudanças. Os Jornalistas Miguel Conde Coutinho e Tiago Dias trouxeram a debate uma visão da prática dos jornalistas de hoje em que as exigências, os constrangimentos e as limitações no trabalho são muitas e que se não existirem mudanças a esse nível dificilmente poderão ser dadas respostas positivas às demandas da contemporaneidade, ou seja,  aos múltiplos desafios cada vez mais amplos e complexos.  Contando as suas experiências diárias mostram sobretudo as dificuldades com que se deparam tendo em conta a sua instabilidade profissional, a situação precária no trabalho, a cultura de um trabalho muito individualista e solitário, a falta de espaços de discussão e interação crítica entre os jornalistas e a pressão diária e a competitividade a que estão sujeitos. Estas intervenções conduziram a uma reflexão final entre os oradores e os participantes e em que se elencaram os vários constrangimentos da profissão e da ação do jornalista na atualidade e que terão repercussões futuras. Apontaram-se algumas estratégias de ação em que se salienta a necessidade de encontros que promovam a reflexão e o debate conjunto de modo a responder aos novos desafios e a perspetivar novas formas de atuação e reconfiguração de práticas de modo a fugir à tendência atual de rotinização de tarefas e à cultura de um certo individualismo, favorecendo o desenvolvimento da criatividade e de um trabalho colegial aspectos considerados cruciais para fazer face aos novos desafios no futuro do jornalismo.

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Inês Fonseca Ferreira de Castro