III Jornadas Obciber: Mais um ano a fazer refletir sobre o Ciberjornalismo

Sexta-feira, dia 4 de dezembro, o pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto recebeu, pela terceira vez, as Jornadas Obciber, que pretendiam celebrar os 20 anos de ciberjornalismo em Portugal.

Eram cerca de 15h30, quando, atrasado, começava o painel “Experiências Académicas”. O moderador, Pedro Jerónimo, apresentou os convidados, Anabela Gradim, Rui Barros e Afonso Ré Lau, diretora do Urbi et Orbi, Diretor do ComUM e antigo Colaborador do Jornalismo Porto Net, respetivamente. Todos estavam a celebrar a existência de uma comunidade jornalística ativa na sua universidade, embora estas se tenham formado de formas distintas.

Anabela Gradim, fundadora do Jornal Urbi et Orbi, revela que o jornalismo foi das áreas que mais cedo sofreu a revolução digital. Como tal, a Universidade Beira Interior não tirou tempo a perder e criou o seu jornal, como laboratório-escola para os seus alunos de Ciências da Comunicação, estando na web há 16 anos. O ComUM, por outro lado, explica Rui Barros, nasce do seio de alunos de jornalismo que pretendiam criar uma voz independente, aparte do jornal da sua universidade.

Já relativamente ao Jornalismo Porto Net, também este foi originado como um laboratório para os alunos de Ciências da Comunicação. Agora, contudo, cresceu ao ponto de funcionar todos os dias do ano e não apenas durante o ano letivo, declara Afonso Ré Lau, que assistiu de perto à comemoração dos 10 anos de JPN aquando do seu estágio.

Apesar de terem sido criados em condições diferentes e em pontos geográficos distintos, todos foram criados com um fim: dar voz ao jornalismo no ciberespaço.

Tal como o jornalismo tenta acompanhar todos os acontecimentos de interesse público, também seria natural que acompanhasse a revolução digital. Deste modo, desde muito cedo que os jornais e canais radiofónicos e televisivos têm vindo a construir plataformas web de notícias.

São claras as vantagens. O jornalismo pôde passar a ser imediato, tornou-se possível uma maior interatividade com o seu público, maior visibilidade pela mais fácil partilha de notícias, sem esquecer a forma fácil de plantar anúncios publicitários.

Se esta é uma vantagem para o jornalismo, que se consegue propagar e aumentar o seu público, também o é para o leitor. O leitor não precisa de esperar algumas horas ou um dia para estar informado, pode fazê-lo naquele preciso momento, esteja onde estiver, bastando uma ligação à internet.

Contudo, já há muito tempo existe o ditado “depressa e bem, não há quem”. De facto, o imediatismo do jornalismo online, pode dar origem a alguns perigos. O impulso de publicar notícias mal o “acontecimento acontece”, pensar antes em quantas partilhas e clicks a notícia terá, pode levar ao esquecimento. Esquecimento de confirmar as informações, algo fundamental neste ramo profissional. Num jornal periódico, o jornalista tem mais calma para escrever a sua notícia, tem tempo para falar com testemunhas, de ligar às suas fontes para confirmar as informações. Num jornal online torna-se mais fácil cometer o erro de não o fazer.

Não obstante, o ciberjornalismo tornou-se dos jornalismos mais cativantes e isso é impossível negar. Celebremos, por isso, as notícias ao minuto onde quer que estejamos, tal como o painel “Experiências Académicas” o fez, tornando o tempo de espera dos mais impacientes muito bem aproveitado.

 

Sara Felgueiras