III Jornadas ObCiber: A Adaptação do Jornalismo à Nova Realidade

Fonte: JPN

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O jornalismo, nos últimos 10 anos, tem sofrido mutações drásticas a vários níveis e que se desenvolvem a um ritmo alucinante. Atualmente, a televisão, a rádio e o jornal impresso já não ocupam o lugar central na difusão de notícias; estes meios de comunicação tradicionais foram substituídos pela Internet que se personifica nos computadores e nos dispositivos móveis. E a verdade é esta: quando queremos aceder à informação, mais depressa pegamos no smartphone, em vez de ligar a televisão, até porque na Internet, o conteúdo é atualizado quase de minuto a minuto e permite-nos filtrar a informação, consoante os nossos interesses. Se no Passado, o leitor ia de encontro às notícias, agora o fenómeno começa a reverter-se, pois, cada vez mais, as notícias é que vêm ter com o leitor.

O professor João Canavilhas, que na passada sexta-feira (dia 4) falou do futuro do jornalismo no Pólo de Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, defende que “o jornalismo tem que estar onde estão as pessoas”. Certamente que os órgãos de comunicação social mais tradicionais, caso não tivessem investido nos conteúdos online em permanente atualização e na criação de aplicações interativas, estariam a conduzir o futuro do jornalismo para o abismo.

Em 2015, estamos num processo de transição. Segundo projeções de João Canavilhas, dentro de 10 anos a informação será mais personalizada, instantânea e estará incorporada. Se por um lado, esta evolução possa revelar-se benéfica para os utilizadores, pelo facto de estar sempre presente e direcionar o conteúdo de forma exclusiva para cada um, também pode trazer aspetos mais negativos, na medida em que as empresas da comunicação detêm um controlo dos indivíduos muito grande, pois têm em seu poder informações pessoais sobre cada utilizador.

Na realidade, é preciso que os meios de comunicação se aproximem cada vez mais dos leitores e promovam a sua participação na produção de notícias. Os cidadãos podem desempenhar um papel muito importante no crescimento do jornalismo, pois, muitas vezes, são estes os primeiros a chegar aos locais e a recolher informações em 1ª mão. Os jornalistas devem filtrar a informação, pois só eles têm a competência para construir notícias, não descurando a função dos cidadãos que são das melhores fontes que um jornalista pode ter.

 

Rita Miranda