Porto: Jornalismo universitário nas III Jornadas do ObCiber

No dia 4, o evento dedicado ao ciberjornalismo recebeu três convidados para falar sobre jornalismo universitário e dar a mostrar os diferentes projetos no país.

O Painel “Experiências Académicas” reuniu três oradores para representarem projetos académicos de jornalismo de três universidades distintas: a Universidade da Beira Interior, a Universidade do Minho e a Universidade do Porto.

Os projetos

Anabela Gradim, docente da Universidade da Beira Interior, falou enquanto Diretora de Urbi et Orbi, o projeto mais antigo de ciberjornalismo universitário em Portugal. A docente ressalvou a publicação initerrupta do jornal, hoje na edição nº 828, que surgiu em fevereiro de 2000 como laboratório de experimentação para os estudantes, permitindo-os trabalhar como numa autêntica redação. Anabela Gradim, co-fundadora do projeto, falou da sua preparação em 1999, imbuída numa web de passagem do milénio, e falou nele enquanto “laboratório-escola” e meio de divulgação da própria universidade.

Rui Barros, estudante da Universidade do Minho (UM), também falou de ComUm como laboratório de experimentação académico. O jornal da UM “nasceu em 2005 por vontade dos alunos. Já havia na altura meios de comunicação dentro da Universidade, mas os alunos quiseram criar um projeto alternativo, que desse espaço para outras coisas.” Este caráter desconforme e inovador está presente no seu slogan “Sê ComUM, pensa diferente”. Rui Barros destacou a importância de projetos de aprendizagem como este: “Time you enjoy wasting is not wasted time”, referindo que o tempo que passou e passa no jornal, não é tempo gasto mas sim tempo investido.

Afonso Ré Lau, antigo aluno da Licenciatura em Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), falou no JornalismoPortoNet (JPN), fundado a 22 de março de 2004, que sempre existiu como laboratório de experimentação e sempre se assumiu como jornal digital, fazendo uso de todas as ferramentas e funcionalidades do meio. Sob a supervisão de professores, falou no período de intensa atividade do jornal, que se transforma numa redação como qualquer outra no 2º semestre, quando alunos do curso lá fazem estágio.

 

Envolvimento dos alunos nos projetos

Quando questionados acerca do modo de captação de estudantes para os projetos, todos concordaram com o facto do nível de entusiasmo e envolvimento ter decrescido. Anabela Gradim explicou-o da seguinte forma: “Os alunos há 15 anos estavam pela primeira vez a ver os seus textos online. Hoje já estão habituados a gerir e criar conteúdos.”

Para a docente, é ainda assim importante denotar que “os jovens estão nas redações e estão também nas notícias.”

 

III Jornadas do ObCiber

O evento III Jornadas do ObCiber decorreu no passado dia 4, sexta-feira, no pólo de Ciências da Comunicação da FLUP, na Praça Coronel Pacheco. O programa contou com diversas conferências ao longo do dia que refletiram o papel do meio cibernáutico no jornalismo e fizeram reflexões para o futuro do mesmo. O evento contemplou a entrega de Prémios de Ciberjornalismo 2015. Incluiu ainda a apresentação dos livros “Ciberjornalismo de proximidade”, de Pedro Jerónimo, e “Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal: Os primeiros vinte anos (1995-2015)”, de Hélder Bastos, encerrando um evento de entrada livre que explorou o ciberjornalismo em Portugal.

Mafalda Rodrigues