III Jornadas ObCiber: uma perspetiva sobre o futuro do Ciberjornalismo

João Canavilhas na conferência "O jornalismo em 2025: o que mudou na última década” Fotografia por Mariana Calisto

João Canavilhas na conferência “O jornalismo em 2025: o que mudou na última década”
Fotografia por Mariana Calisto

Na passada sexta-feira, dia 4, decorreram no pólo do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto as III Jornadas do ObCiber. No ano em que se assinalam os 20 anos de ciberjornalismo em Portugal, João Canavilhas fez um balanço das mudanças e uma “viagem ao futuro” deste género de jornalismo.

Na segunda palestra do dia, e depois de Hélder Bastos ter feito uma viagem ao passado na primeira, João Canavilhas (professor e investigador da Universidade da Beira Interior) teve espaço para fazer uma previsão sobre o que se vai passar no ciberjornalismo nos próximos dez anos. Este “exercício arriscado”, como o próprio referiu,  fez-se sem nunca esquecer o passado e o presente e, por isso, não fugiu ao nome desta palestra “O jornalismo em 2025: o que mudou na última década”.

As frases “É melhor servir bem os nichos do que servir mal as massas” (Jeff Jarvis) e “O Homem é…o Homem e as suas circunstâncias” (Ortega y Gasset), conjuntamente com o facto de no ano passado os dispositivos móveis terem passado a ser a principal forma de aceder à Internet, deram o mote para o início desta “viagem”.

Tendo em conta a importância dos dispositivos móveis no consumo de informação, o professor da Beira Interior prevê que ela passe a estar muito perto do nosso corpo, “incorporada”, através de acessórios como, por exemplo, um relógio. Através do seu ponto de vista, falou sobre as mudanças ao nível do consumo, da distribuição e dos conteúdos das notícias.

João Canavilhas enfatizou o facto de cada vez mais os consumidores de notícias estarem à espera que estas lhe cheguem facilmente, sem ter de se deslocar, e que sejam adaptadas a cada um dos leitores. O professor realçou também que a periodicidade tem vindo a desaparecer, porque “o que se está à espera é do imediato”. Este imediato tem os riscos associados à veracidade ou não dos conteúdos e, por esse motivo, “o jornalista tem de continuar a fazer o seu papel” (verificar se a informação é ou não verdadeira).

Quanto aos conteúdos, espera-se que passem a ser “imersivos”, capazes de “transportar as pessoas para um determinado ambiente”, ficando com a “sensação de que estão no local e mais informadas”. O investigador salientou ainda que neste momento os conteúdos são “atualizados” e não “abertos”, uma vez que as notícias são alteradas, mas essas alterações ainda não integram a informação adicional que os cidadãos fornecem, na maioria das vezes. Defende que essa informação deve ser tratada e não ignorada, mas recusa falar do conceito “jornalismo-cidadão” pois cada um ocupa o seu lugar “alguém pode saber muito sobre um determinado tema, dá a sua opinião, mas não é por isso que é jornalista”.

No fim da segunda palestra das III Jornadas ObCiber , e fazendo um retorno à ideia da frase de Ortega y Gasset,  João Canavilhas transmitiu a ideia de que em 2025 a informação deverá ser “adaptada ao utilizador e às suas circunstâncias”, até porque “o que temos no bolso é uma porta aberta do produtor de conteúdos para nós (consumidores)”.  No seu entender, esta personalização aliada a um fácil sistema de pagamento pode ser uma “solução para a questão do pagamento do ciberjornalismo”.

Vanda Pinto