III Jornadas ObCiber: O futuro do ciberjornalismo

No dia 4 de dezembro, as III Jornadas ObCiber ocuparam o pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. Com Isabel Reis como moderadora, Luís Santos, Miguel Conde Coutinho e Tiago Dias falaram sobre o futuro do ciberjornalismo.

Fonte: Matilde Abreu

Fonte: Matilde Abreu

Os vinte anos de ciberjornalismo em Portugal foram celebrados com conferências, painéis, entrega de prémios e apresentações de livros. Com entrada livre, o programa foi organizado pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).

Após a conferência de Helder Bastos e João Canavilhas, o programa retomou com o painel “O futuro do ciberjornalismo”. Com início previsto às 12.00 horas, a conversa começou com trinta minutos de atraso. Contou com a presença da moderadora Isabel Reis (docente na Universidade do Porto – UP), Luís Santos (docente na Universidade do Minho – UM), Miguel Conde Coutinho (editor-adjunto do Jornal de Notícias online – JN) e Tiago Dias (ex-colaborador do JornalismoPortoNet – JPN).

A conversa do painel inicia com a moderadora Isabel Reis a dar a palavra a Luis Santos. O investigador começou por falar das três visões que considera que imperam nos dias de hoje sobre o futuro do ciberjornalismo. Uma primeira visão mais tranquila e mercantilista. Uma segunda visão de que o “jornalismo tende sempre a mudar”, porque o enquadramento base também muda. E a terceira visão, que é dos que encaram o futuro como algo revolucionário e de grande agitação.

Santos considera que, nos dias de hoje, as redações encontram-se “anoréticas” e que isto é um problema sério para o jornalismo. Sobre o futuro, o professor deixou bem claro que não tem uma visão negativa, mas que todos devem estar atentos e conscientes porque, potencialmente, tanto poderão surgir coisas positivas como negativas.

Miguel Conde Coutinho começou a sua intervenção, relatando, aos presentes, a experiência jornalística que teve na noite do atentado em Paris. No dia 13 de novembro de 2015, o jornalista publicou as notícias do JN sozinho. À parte da sua experiência, o jornalista ressalvou que o jornalismo “é um trabalho industrial” e que “vive da repetição”.

Coutinho referiu, ainda, que o trabalho do jornalista tanto tem de fascinante como de terrível. Fascinante porque “dá a capacidade de informar”, mas terrível porque “por vezes tem de se fazer tudo sozinho”. Acerca do futuro do jornalismo, apenas referiu que todos devem estar preparados para as mudanças que poderão ocorrer.

A última intevenção pertenceu a Tiago Dias. O ex-aluno da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) referiu que existem duas coisas que faltam no jornalismo: Honestidade e discussão.

Tiago referiu que o último congresso de jornalistas no Sindicato foi em 1998. Segundo o ex-colaborador do JPN, as coisas que se debatiam na altura eram as mesmas que se debatem nos dias de hoje, excluindo a parte tecnológica. Como tal, refere que a situação é “inadmissível” e que isto “só significa que não avançamos para lado nenhum”.

Debate: Espaço para perguntas e comentários

Expostas as três posições dos intervenientes, chegou a oportunidade de intervenção por parte do público. Neste espaço, falaram-se dos problemas do ciberjornalismo, desde a falta de jovens nas redações, as falhas do jornalismo no Facebook e Twitter e a falta de congressos em Portugal, em contraste com o que acontece noutros países, como o Brasil.

Isabel Reis, como moderadora, teve a palavra final referindo, aos presentes, que espera que a conversa que resultou do painel “seja o início de qualquer coisa nova daqui para a frente”.

Por José Correia