III Jornadas Obciber: Das utopias iniciais ao ciberjornalismo de hoje

O ciberjornalismo surgiu em Portugal há 20 anos e foi nas III Jornadas do Obciber que o professor Hélder Bastos fez o balanço destes anos.

Os 20 anos de ciberjornalismo em Portugal permitem perceber que foi um projeto fruto de utopias de tempos habituados apenas à máquina de escrever. A conferência “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções” dada por Hélder Bastos, professor de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, foi ao encontro das utopias do início do ciberjornalismo e a forma como elas se revelam hoje.

O ciberjornalismo como hoje existe levou duas décadas a aperfeiçoar. O deslumbre quando surgiram os primeiros computadores nas redações e o aparecimento da internet trouxeram ao jornalismo uma nova forma de comunicar e de transmitir informação.

A tecnologia digital fez crescer o ciberjornalismo mas, não se pode dizer que criou um jornalismo melhor ou pior mas sim um jornalismo capaz de ir para lá das folhas. A internet para além de ser uma forma de divulgação de conteúdo é também uma forma dinâmica e interativa de chegar a públicos mais heterogéneos e com menos interesse na imprensa escrita. Todas as possibilidades são quase infinitas na internet, no entanto, é preciso ter em conta que um mau trabalho jornalístico pode rapidamente ser partilhado e chegar à outra parte do mundo , uma globalidade nem sempre benéfica.

A dificuldade permanente em contextualizar quase que desaparece nas cibernotícias graças às hiperligações ao longo do texto em que o leitor, caso não tenha conhecimento sobre todos os factos, pode clicar e ir para uma outra notícia sobre o tema. Ao tradicional texto juntou-se o vídeo, as infografias dinâmicas e as atualizações ao minuto que possibilitam ao leitor manter-se a par dos últimos acontecimentos de forma mais rápida e sem ter que esperar pelo dia seguinte para ver a notícia na imprensa.

O jornalista é hoje graças ao ciberjornalismo um profissional multifacetado e diferente do típico jornalista em frente à máquina de escrever. Por um lado criou-se um novo profissional com mais ferramentas, por outro jornalistas que têm de dar notícias de última hora e que fazem toda a pesquisa à secretária através da Internet e com o telefone.

Apesar da evolução e das conquistas não se pode esperar que as espectativas do início sejam todas concretizadas do dia para a noite é preciso tempo para aperfeiçoar, tal como foi necessário na imprensa tradicional. Se foram feitas tantas conquistas, como a atualização ao minuto dos sites noticiosos e a possibilidade de chegar mais longe, também vai ser possível eliminar as reticências que muitas empresas jornalísticas têm em relação ao investimento nos meios online. A ideia de que os meios online seriam totalmente autónomos em relação à redação mãe, não passou de um ilusão por causa das empresas jornalísticas. Projetos como o Observador provam que um ciberjornal pode ser autossuficiente e viver apenas das publicações online pois é um projeto com mais de um ano de existência e apenas disponível online.

É importante olhar para o ciberjornalismo não como um fracasso mas como uma conquista a curto prazo e a longo prazo pois, ainda que não tenha nascido nos últimos anos, foi uma criação futurista para uma sociedade que lê cada vez menos o jornal mas que usa a internet diariamente.

Beatriz Almeida