III Jornadas Obciber: Ciberjornalismo celebra vinte anos em CC

CiberjornalismoNo passado dia 4 de Dezembro, no Pólo de Ciências da Comunicação (CC), celebraram-se as duas décadas do ciberjornalismo ao qual, Hélder Bastos, o atual diretor da licenciatura em Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, iniciou uma viagem no tempo desde os primórdios do jornalismo até à revolução digital dos dias de hoje.

Desde o seu surgimento, em pleno século XX, o ciberjornalismo ainda estava fortemente enraizado numa tecnologia precária, onde as máquinas de escrever se tornavam o mais desenvolvido meio de propagação de conteúdos noticiosos.

Anos mais tarde, o aparecimento da internet veio revolucionar o jornalismo tradicional, cujo fruto resultou na maior plataforma de informação mundial, o ciberjornalismo ou jornalismo online.

Todo o processo de desenvolvimento online foi fugaz. As primeiras edições na internet deslumbravam os entusiastas jornalistas sobre como seria o jornalismo do futuro e o seu funcionamento. De um modo geral, o surgimento dos conteúdos online trouxeram um impacto considerável na sociedade, porque permitira aos jornalistas produzir notícias com mais recursos, neste caso, multimédia.

O orador mencionou as grandes utopias defendidas por John Pavlik, onde se acreditava que a produção de notícias seria contextualizada através de um produto multimédia (hiperligações) e, que, as redações seriam autónomas em relação à “redação-mãe”.

Por outro lado, reforçou a ideia de que a evolução trouxera bastantes benefícios não só para a sociedade, mas também para o jornalismo, uma vez que permitiu o uso de novas ferramentas de trabalho – ao nível das infografias, conteúdos de vídeo, aúdio e reportagens multimédia -que, mais tarde, resultaram no surgimento de novos géneros jornalísticos.

Hélder Bastos apontou como aspetos mais positivos o facto do avanço tecnológico ter proporcionado ao jornalismo em concreto a possibilidade de produção de artigos multimédia, permitindo assim atingir novos públicos, uma vez que com o surgimento da internet, as plataformas online passaram a ter uma visibilidade notória. De uma forma menos positiva, o orador apontou como principais deceções o fast-food noticioso, isto é, a difusão de informação descontrolada que resulta num descuido ao nível do conteúdo jornalístico que, na maior parte das vezes, é posto em causa. Paralelamente aponta como problema chave os modelos sem negócio. Os meios tradicionais acusam a iminente falta de receitas para alimentar as potencialidades da internet.

Por fim, o diretor da licenciatura de Ciências da Comunicação assume-se como “um pessimista a curto prazo, mas um otimista a longo prazo” terminando o seu discurso com uma frase inspiradora de Monty Phyton que alimenta uma chama de otimismo. “Always look on the bright side of life.”

Maria Ramos