III Jornadas ObCiber: 20 anos de ciberjornalismo português

No dia 4 de dezembro, o pólo de Ciências da Comunicação acolheu as III Jornadas ObCiber do Observatório de Ciberjornalismo para assinalar duas décadas de ciberjornalismo em Portugal.

Cartaz: III Jornadas ObCiber

Cartaz: III Jornadas ObCiber

Hélder Bastos, João Canavilhas e Fernando Zamith foram alguns dos nomes do Programa das III Jornadas ObCiber, que teve como tema “20 anos de ciberjornalismo em Portugal”, e que contou com diversas conferências, painéis de discussão e apresentações de livros.

Os conferencistas refletiram sobre o passado, o presente e o futuro do ciberjornalismo português. Coube a Hélder Bastos, diretor da licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (UP), abrir a sessão com o tema “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções”, em que abordou o passado desta área.

O antigo jornalista apontou algumas utopias iniciais, salientando as ideias criadas pelos amantes da tecnologia, como a automatização das redações e a autonomia de produção de notícias. Todo este idealismo levou a um “choque com a realidade”, o que decepcionou muitos, salienta o investigador.

Fonte: Obciber Observatório Do Ciberjornalismo (Facebook)

Fonte: Obciber Observatório Do Ciberjornalismo (Facebook)

No entanto, “o balanço não foi completamente negativo”. O ciberjornalismo conquistou um alcance global e instantâneo, novas plataformas para a difusão de conteúdos e novas ferramentas de trabalho. Também se criaram modelos de negócio e chegou-se a novos públicos. Contudo, “estas conquistas não foram para todos”, pois a maioria dos media não consegue aproveitar as potencialidades da internet por falta de investimento ou recursos, realça o professor.

 

Hélder Bastos terminou a conferência com algumas preocupações em relação ao futuro do ciberjornalismo em Portugal. Realçou a crescente tendência para um “populismo noticioso” e para o “fast food” das notícias online, derivados da “degradação do mercado publicitário”. Apesar de tudo, o investigador define-se como “um pessimista a curto prazo, mas um otimista a longo prazo”.

Perto do fim, houve a entrega dos Prémios de Ciberjornalismo 2015 e a apresentação dos livros “Ciberjornalismo de proximidade”, de Pedro Jerónimo e “Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal: Os primeiros vinte anos (1995-2015)”, de Hélder Bastos. Foi assim que terminaram as III Jornadas Obciber, que reuniram alunos e profissionais do ciberjornalismo.

Mariana Gaspar