III Jornadas ObCiber: Vamos falar de Ciberjornalismo de proximidade

Foi durante esta sexta feira, dia 4 de dezembro, que o Pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto recebeu as III Jornadas ObCiber, o encontro que marcou os vinte anos do ciberjornalismo em Portugal. O evento terminou com a apresentação de dois livros, um deles “Ciberjornalismo de proximidade” de Pedro Jerónimo.

 /Beatriz Carneiro

III Jornadas ObCiber/Beatriz Carneiro

Hélder Bastos, Diretor e docente do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (UP), começou por introduzir a sessão de apresentação do livro de Pedro Jerónimo. Partindo da tese de doutoramento do autor, a obra responde a duas questões centrais: Que tipo de conteúdos produz a imprensa regional no âmbito do ciberjornalismo? Quais são os fatores que determinam as rotinas de produção do ciberjonalismo na imprensa regional?

“Muitas vezes os estudos de jornalismo raspam as superfícies”, disse Hélder Bastos, realçando a análise e enquadramento teórico profundo e pormenorizado, bem como o trabalho de campo intensivo realizado por Pedro Jerónimo, em que este “foi para as redações extrair o máximo de verdade”. O Diretor do curso de Ciências da Comunicação, reforçou ainda a grande curiosidade, vontade de saber e o espírito investigador do autor. “Contribui para uma atualização da literatura e faz um enquadramento histórico muito aprofundado”, disse o docente da UP, acrescentando que o autor clarifica conceitos importantes e dá uma resposta empírica, cruzando metodologias, “inquéritos, entrevistas, redações, fez praticamente tudo o  que havia a fazer”. Hélder Bastos apontou também as conclusões seguras e “robustas” que o livro agrega e que ocupam grande parte do mesmo, bem como o facto da obra “desbravar território novo”, ao trabalhar um tema em que havia poucas bases de apoio e uma “área muito desguarecida em Portugal”, disse o  diretor.

O docente deu ainda duas razões para a leitura deste livro: para quem gosta de ciberjornalismo, a obra tem muita matéria, como os principais autores e o que já foi feito no âmbito da área; e a escrita muito fluída e clara e uma articulação do discurso muito bem feita pelo autor.

“O conhecimento só faz sentido se for partilhado”, foi como Pedro Jerónimo começou a sua intervenção. Deixou para trás a licenciatura em Engenharia Civil, entrou numa redação em Leiria, de onde é natural e fez o curso de Comunicação Social. “Apaixonei-me pela área”, confessou. Aprendeu com os jornalistas das redações por onde passou, participou em workshops e leu muito sobre a área do jornalismo. Admitiu que ir diretamente da licenciatura para o doutoramente constituiu um desafio, mas que ao longo do processo beneficiou de métodos do jornalismo, o “triangular as metodologias”, confirmando a informação que encontrava através dos vários instrumentos de recolha que utilizou, bem como ao longo da sua passagem por três redações regionais. Sublinhou que existem três fatores que diferenciam o jornalismo regional do jornalismo nacional: o tempo, a cultura e os recursos humanos.

Já a terminar a sua breve apresentação, Pedro Jerónimo falou do peso que as administrações têm no quotidiano do jornalismo, sendo que “muitos dos constrangimentos dos jornalistas vêm das administrações”, de quem detém os jornais.

Concluiu esta intervenção nas III Jornadas ObCiber, organizadas pelo Observatório de Ciberjornalismo, com o apoio do Media Innovation Lab (MIL), da Universidade do Porto e do Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (CETAC.MEDIA),  com uma mensagem para os alunos presentes: “Procurem à vossa volta se a cobertura noticiosa está a ser bem feita ou se existe algum nicho. Enquanto uma porta do meio nacional não se abre, talvez uma porta no regional se abra.”

O livro “Ciberjornalismo de proximidade”, de Pedro Jerónimo, está disponível online.

Beatriz Carneiro