III Jornadas ObCiber: O que mudou nos últimos 20 anos

Fonte: Catarina Reis

Fonte: Catarina Reis

Foi no passado dia 4 de dezembro que se realizou, no Pólo de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, a terceira edição das Jornadas ObCiber sobre ciberjornalismo. O tema “20 anos de ciberjornalismo em Portugal” juntou alunos, antigos alunos, docentes e profissionais da área para uma reflexão aberta sobre as duas últimas décadas desta área do jornalismo.

Hélder Bastos, antigo jornalista e actual diretor do curso de Ciências da Comunicação, iniciou o programa pelas 11 horas, com a conferência de abertura, na qual falou sobre as “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e decepções”.

Em cerca de uma hora, o professor enunciou uma série de fatores que, a seu ver, influenciaram o rumo que o ciberjornalismo tomou e tem vindo a tomar nos últimos vinte anos. Depois de uma breve contextualização teórica, em que focou sobretudo a evolução muito rápida dos meios tecnológicos, nomeadamente a internet – que afirma ter “provocado certos wishfull thinkings” nos profissionais da área – enumerou as utopias que se criaram com a chegada abrupta deste meio.

As conquistas também foram alvo de análise. O orador referiu que “nestes últimos 20 anos, os jornalistas ganharam ferramentas que lhes permitem contar histórias de formas que, até à altura, não tinham sido possíveis”.

Sempre num discurso bastante informal e bem-humorado, o professor desenvolveu também os fatores que considera terem sido as decepções destas duas décadas, entre eles as tentativas falhadas de tornar o ciberjornalismo num modelo de negócio, pois “ainda se anda à procura do santo graal do jornalismo online“. O orador deixou um aviso quando afirmou que “estamos sentados numa bomba-relógio (…) o investimento publicitário está a cair e os modelos de ciberjornalismo não mudam”.

Bastos culpa o facto de “a qualidade dos investidores e dos empresários no que diz respeito à proximidade do negócio e ao conhecimento do jornalismo deixa[r] muito a desejar” para justificar as deceções que contrastam fortemente com as utopias previstas.

Houve ainda tempo para falar das distopias num horizonte a curto e longo prazo na qual o orador manteve a sua opinião crítica, mas deixou uma visão esperançosa: “Always look on the bright side of life” citando a música dos famosos Monty Python.

Beatriz Brandão