III Jornadas Obciber: Duas décadas de Ciberjornalismo

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Helder Bastos na Conferência de Abertura das III Jornadas do ObCiber: “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções”

Na passada sexta-feira, dia 4 de dezembro, o Pólo de Ciências da Comunicação (CC) da Universidade do Porto recebeu as III Jornadas Obciber (Observatório do Ciberjornalismo).

Depois de uma pequena sessão de abertura com Fernanda Ribeiro, diretora da Faculdade de Letras, iniciou-se a conferência de abertura das jornadas, por volta das 10h.  Esta inauguração foi conduzida pelo professor Helder Bastos que apresentou o tema “Duas décadas de ciberjornalismo: utopias, conquistas e deceções”.

O diretor do curso de CC começou por fazer uma breve contextualização do que é isto do ciberjornalismo e como surgiu em Portugal. Fez referência ao rápido avanço tecnológico que levou a que se “ligasse o turbo” na relação entre tecnologias e jornalismo. Esta ideia foi reforçada com uma associação entre a carreira de jornalista do próprio – altura na qual ainda se usavam máquinas de escrever – e o avanço tecnológico que se encontra hoje em qualquer média.

O conferencista revelou algumas das utopias que apareceram aquando do surgimento da tecnologia associada ao jornalismo e que “alguns entusiastas formaram”, isto é, aquilo que se acreditava que iria acontecer, como tornar o jornalismo melhor, gerar novos negócios ou, até, criar um novo perfil de jornalista – o ciberjornalista. Apresentou, também, as conquistas reais do ciberjornalismo nas últimas duas décadas enquanto meio de comunicação, por exemplo, o alcance global e instantâneo da informação, as novas plataformas de difusão que foram surgindo como os sites de jornais online ou, até, os novos géneros jornalísticos que apareceram, como as reportagens multimédia.

Porém, como Bastos procurou mostrar, as conquistas não estiveram ao alcance de todos e existem grandes assimetrias a nível nacional e mundial no que se refere ao aproveitamento da tecnologia no jornalismo. Entre as maiores deceções dos últimos vinte anos, o autor distinguiu o baixo investimento, os “modelos sem negócio”, o predomínio de fast food noticioso e a tendência para o populismo das notícias. O antigo jornalista apresentou algumas razões para estas deceções e, entre elas, destacou o exceso de expetativas no jornalismo aliado às novas tecnologias e a falta de formação das equipas para trabalhar nesta área.

O professor explorou, ainda, as distopias no horizonte – aquilo que ainda não foi uma deceção mas poderá vir a ser – revelando que todos nos devemos preocupar, pois é uma área com influência na cidadania. Como o próprio referiu, se o ciberjornalismo for apenas contribuir para a divulgação, isso levará à perda do verdadeiro significado do jornalismo, como serviço público.

Helder Bastos afirmou que os últimos 20 anos não foram os mais positivos para o ciberjornalismo português mas já “começam a pesar” e ainda há um longo caminho a percorrer. Terminou a sua conferência recordando que é necessário manter sempre uma chama de optimismo, citando: “always look to the bright side of life”, do filme Monty Python’s Life of Brian.

Ema Fonseca