Várias personalidades e entidades já se manifestaram contra a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de reconhecer a cidade de Jerusalém como capital de Israel. O Conselho de Segurança da ONU vai reunir amanhã.

O reconhecimento de Jerusalém como capital israelita reacende o conflito israelo-palestino. ALEX BRANDON/AP
Trump anunciou na quarta-feira que vai oficializar Jerusalém como capital israelita. O presidente norte-americano considera “que é uma medida que serve o interesse dos Estados Unidos e o objetivo da paz entre Israel e os palestinianos”. Na declaração foi também anunciada a transferência da embaixada americana de Telavive para Jerusalém.
O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, salientou que os Estados Unidos “minam deliberadamente todos os esforços de paz” e “todas as resoluções e acordos internacionais”.
O movimento islâmico Hamas reagiu com a incitação a uma revolta palestiniana contra a decisão de Donald Trump. Num discurso na Faixa de Gaza, o líder do Hamas, Ismail Haniyeg, afirmou que foram abertos “os portões do inferno” e que só podem “enfrentar a política sionista – apoiada pelos Estados Unidos – lançando uma nova Intifada”.
Os talibãs afegãos também mostraram desagrado perante o veredicto do presidente norte-americano, classificando a decisão como “fanática e imprudente”, pois consideram que vai avivar o conflito.
A Arábia Saudita classificou a medida como “injustificada e irresponsável” e a Jordânia caraterizou-a como uma “violação do direito internacional”. Também Erdogan, presidente turco, reconhece que a decisão de Donald Trump lança Médio Oriente para um “círculo de fogo”.
Theresa May, primeiro-ministra do Reino Unido e Angela Merkel, chanceler alemã discordam da definição de Jerusalém como capital israelita, bem como o presidente francês, Emmanuel Macron, que apelidou a medida como “unilateral” é “lamentável”.
A União Europeia exprimiu “profunda preocupação” com as eventuais consequências do processo.
Por sua vez Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, classificou o dia de ontem como um “dia histórico”.
De acordo com fonte da presidência japonesa do Conselho de Segurança da ONU, vai ser realizada uma reunião de urgência amanhã, sexta-feira, a pedido de oito dos países membros: França, Itália, Reino Unido, Suécia, Bolívia, Egipto, Senegal e Uruguai.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reiterou que a ONU “sempre foi contra qualquer medida unilateral”.