A maior redução de reservas protegidas na história dos Estados Unidos foi ordenada por Donald Trump. O presidente norte-americano cortou mais de 9.200 quilómetros quadrados de terras no Utah.

Cedar Mesa, parte do Monumento Nacional de Bears Ears, no estado do Utah. JOSH EWING/Courtesy Bears Ears Inter-Tribal Coalition

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou, esta segunda-feira, cortes nas reservas do estado americano Utah, criadas por Barack Obama e Bill Clinton. A decisão valeu a Trump aplausos dos conservadores e críticas das tribos nativas e de ambientalistas.

Durante a visita a Salt Lake City, no Utah, o presidente norte-americano determinou o corte de mais de 9.200 km quadrados de áreas protegidas do estado, o que corresponde a uma redução de cerca de 85% do território de Bears Ears e 46% da superfície da Grand Staircase-Escalante.

A reserva de Bears Ears vai ser dividida em duas zonas, isoladas uma da outra, e passará dos 6.075 quilómetros quadrados para 817. Já o Grand Staircase-Escalante, local onde há depósitos de carvão, vai ser dividido em três zonas e passará dos 8.100 quilómetros quadrados para cerca de 4.050. Ryan Zinke, secretário do interior dos Estados Unidos, nega qualquer relação entre a decisão de reduzir as áreas protegidas e interesses de exploração mineira. De acordo com o secretário do interior dos Estados Unidos, o objetivo da Casa Branca, ao abrir o território que  estava protegido, é facilitar a utilização pública de estradas e pastagens e fomentar a “caça e pesca sustentáveis”.

Ao abrigo de uma lei que data de 1906, ambos os territórios são monumentos nacionais – áreas terrestres ou marítimas protegidas – passíveis de ser estabelecidos como tal sem o aval do Congresso e somente com ordem do presidente. Donald Trump considera que os seus  antecessores “abusaram” da lei ao colocarem cada vez mais água e terra sob controlo federal. O presidente dos Estados Unidos acredita que isso tirou aos habitantes locais a capacidade de decidir a melhor forma de utilizar esses terrenos.

Num discurso no Capitólio estatal do Utah, o presidente dos Estados Unidos afirmou “vim ao Utah adotar a ação histórica de reverter a extralimitação [do Governo] federal e restaurar os direitos desta terra aos seus cidadãos”. Trump considera que esses “abusos da lei de Antiguidades [assim denominada] conferiram um enorme poder a burocratas em terras distantes em detrimento da gente que realmente vive e trabalha” naqueles locais.

As organizações de defesa do ambiente e as cinco tribos que pressionaram a proteção de Bears Ears não ficaram satisfeitas com a medida e pretendem intentar ações judiciais.

O diretor executivo do Sierra Club, associação ecologista, Michael Brune, revelou-se insatisfeito com o decidido por Donald Trump: “Mais uma vez, a administração Trump vendeu ao público norte-americano os seus lugares especiais apenas para beneficiar a elite dos combustíveis fósseis”.

Já os políticos conservadores do Utah, que se opuseram à decisão de Obama de declarar Bears Ears monumento nacional, mostraram-se satisfeitos. “O presidente Trump ouviu-nos. Não somos um estado menor”, afirmou o republicano Greg Hughes, líder da Câmara Baixa do Utah.