Em Portugal, o número de cesarianas efetuadas em 25% dos hospitais continua a ser superior a 30%, meta fixada pelo Governo. Para a Organização Mundial da Saúde o ideal estipulado seria de 15%.

A unidade local de Saúde da Guarda é a maternidade com mais cesarianas. A REVISTA DA MULHER

Segundo o Diário de Notícias, a percentagem média dos partos efetuados com recurso a cirurgia em 36 maternidades do país está em 25%, só nos primeiros nove meses do ano. Para além disso, dados do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde mostram que não há nenhum hospital que tenha realizado menos de 22 cesarianas, valor que não corresponde à média, 15%, recomendados pela Organização Mundial de Saúde.

Ao não obedecerem à meta exigida, os hospitais vão ser penalizados, pois as novas normas do Serviço Nacional de Saúde estipulam que o estado deixe de pagar pelos internamentos, assim que os hospitais ultrapassem o limite de 30%.

Luís Graça, da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, citado pelo Diário de Notícias, explica que há oito anos atrás a taxa de cesarianas estava nos 33% e que “é uma evolução positiva”. No entanto, é necessário “considerar que uma redução drástica e muito rápida pode não assegurar a segurança para as mulheres e crianças”, refere. O parto cirúrgico pode aumentar o risco de complicações graves, como é o caso de infeções, hérnias ou hemorragias, e só é recomendado quando há razões médicas.

As causas referidas pela Direção Geral da Saúde para ainda existir taxas elevadas de cesarianas em muitos hospitais do SNS, estão no facto de existir mais mulheres mais velhas a terem filhos, com mais complicações, e com gravidezes fruto de técnicas de procriação medicamente assistida.

Das 36 unidades públicas que fazem partos, a unidade local de Saúde da Guarda é a que tem a percentagem mais elevada de cesarianas, dos 391 partos efetuados até setembro deste ano, 160 (41%) terminaram numa cirurgia. Segue-se a unidade do Nordeste em Bragança (38%) e o Centro Hospitalar da Cova da Beira (38%), as maternidades com maior número de cesarianas.

As razões para recorrer ao parto com cirurgia vão desde a idade da mãe, que quanto mais idade tiver, mais risco de complicações tem, tal como gravidezes medicamente assistidas.